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A mesquita (parte 1 de 2): Mais que um local de oração

Mosque01.jpgA mesquita ou edificação que os muçulmanos se referem como a masjid é uma visão familiar em muitas partes do mundo.  Não importa que país ou época, a mesquita é sempre reconhecida por sua arquitetura única e ambientação nobre.  Além disso, devido à natureza arrebatadora da globalização a maioria das pessoas sabe que a mesquita é uma casa de adoração, o local onde o muçulmano crente oferece oração.  Mas a mesquita é muito mais que isso.  Desde o começo sempre atendeu a muitas necessidades e, se Deus quiser, continuará a fazê-lo até o fim dos tempos.

Um orientalista e cristão evangélico forte, o administrador colonial escocês Sir William Muir (1819 1905 CE) foi o principal erudito sobre o Islã do Ocidente por muitos anos, apesar do fato de ser negativo e crítico do Islã.  Entretanto, em seu livro, publicado em 1852, A Vida de Maomé, descreveu o papel da mesquita na sociedade muçulmana de maneira muito brilhante.  Da descrição, até mesmo para um homem como esse, somos capazes de ver que a mesquita sempre significou mais que um local de oração.

"Embora cru em material e insignificante em dimensões, a mesquita de Muhammad é gloriosa na história do Islã.  Aqui, o profeta e seus companheiros passavam a maior parte de seu tempo; aqui, o serviço diário, com suas orações recorrentes foi estabelecido publicamente; e, aqui, a grande congregação se reunia toda sexta-feira, ouvindo com reverência e admiração as mensagens do Paraíso.  Aqui o profeta planejou suas vitórias, recebeu embaixadas de tribos conquistadas e contritas e emitiu éditos..."[1]

 Em 622 EC, imediatamente após a imigração de Meca para Medina, os muçulmanos construíram a "mesquita da profeta" e o próprio profeta participou em sua construção.   A partir daquele momento a mesquita se tornou um ponto focal de qualquer cidade islâmica.   Tornou-se um local de adoração, um local de encontro, um instituto educacional, um local de atividades sociais e de descanso.  A mesquita se torna o centro de vida ritual, social, política e cultural.  Entretanto, existe uma função que a mesquita não cumpre - é proibido engajar em negócios e transações comerciais dentro dos confins da mesquita.

Embora negócios não pudessem ser conduzidos na mesquita, pequenas cidades e aldeias com mercados e comerciantes frequentemente eram construídos ao redor da mesquita.  Isso era devido à mesquita ser o centro da vida cotidiana.  As orações eram conduzidas cinco vezes ao dia e as pessoas do local ouviam as últimas notícias por meio dos sermões e grupos que se reuniam dentro e fora da mesquita. 

Ao longo da história do Islã a mesquita desempenhou um papel de destaque na propagação do Islã e na educação dos muçulmanos.  Em todos os lugares que o Islã se estabeleceu, foram estabelecidas mesquitas e começou a educação básica.  As mesquitas ensinaram às pessoas, (homens, mulheres, meninos e meninas) não apenas a recitar o Alcorão e compreender as normas islâmicas, mas a ler, escrever, formar opiniões e debater.  A educação por meio das mesquitas segue a tradição estabelecida pelo profeta Muhammad.  A mesquita do profeta era uma escola e hostel para os pobres e viajantes.

"Dificilmente em outra cultura a vida literária desempenhou o papel que teve no Islã.  O conhecimento (ilm), que significa todo o mundo do intelecto, engajou o interesse dos muçulmanos mais que qualquer outra coisa... A vida que evoluiu nas mesquitas se difundiu para fora, para colocar sua marca em círculos influentes em todos os lugares."[2]

Em 859 EC foi estabelecida uma universidade na mesquita de Qarawiyin, na cidade de Fez, Marrocos.  É considerada por muitos a universidade mais antiga no mundo.  Havia três bibliotecas separadas contendo livros sobre assuntos como religião, ciência, intelecto e idiomas.  A mesquita conduzia aulas em vários assuntos incluindo gramática, retórica, lógica, matemática, astronomia e, muito possivelmente, história, geografia e química.[3]

As mesquitas não eram só locais perfeitos para educação, mas também alojavam o sistema judicial islâmico.  Juízes e juristas atendiam as necessidades legais diárias da comunidade e também emitiam opiniões legais e realizavam pesquisas.  Devido à pouquíssima burocracia, o sistema judicial era eficiente e a maioria dos requerentes e réus se representavam.  A interpretação legal era deixada para o juiz, que se empenhava para tomar decisões baseadas no Alcorão e na Sunnah autêntica.   Mais uma vez a mesquita al-Qarawiyin do Marrocos é um exemplo perfeito de uma mesquita como o centro da vida e conhecimento, e o mesmo acontece com a mesquita de Al-Azhar do Egito, que continua até hoje a exercer uma influência na vida cotidiana dos egípcios.

Em muitos lugares no mundo muçulmano em rápida expansão a mesquita se tornou a fonte de água.  O Islã exige que os crentes realizem lavagem ritual antes da oração e, assim, o pátio da mesquita tradicionalmente continha fontes de água.  O efeito decorativo da água se tornou central na arquitetura islâmica e lagos e fontes decorativos podem ser encontrados em todo o mundo islâmico e Andaluzia.  A mesquita sultão Ahmed em Istambul, na Turquia, e a mesquita de Córdoba na Espanha contêm exemplos esplêndidos de efeito decorativo de água.  Poços e fontes em mesquitas limpam o corpo e refrescam o ar e no passado supriram água para a comunidade local.

A mesquita é o alicerce da comunidade muçulmana.  Eram usadas raramente como locais exclusivos para oração, mas serviam como centros comunitários.   As pessoas iam para a mesquita para educação religiosa e secular, para acertar disputas e visitar a biblioteca.  Iam para a mesquita para orar e descansar em jardins e prédios seguros e silenciosos.  As mesquitas eram locais de descanso para os pobres e destituídos.  As mesquitas tradicionalmente distribuíam alimentos e roupas para os necessitados.  Ensinaram gerações incontáveis como ler e memorizar o Alcorão e outras ciências islâmicas.  A mesquita era o local de encontro e a fonte de notícias em tempos de problema e conflito.  Em resumo, a mesquita era o centro da sociedade muçulmana.

As mesquitas ainda realizam essas funções? Qual é o papel da mesquita no século 21?  Responderemos a essas perguntas e mais na parte 2.

 
Notas de rodapé:

[1] The life of Mahomet from original sources edição condensada.  1878, 624 pp. Londres: Smith, Elder, & Co.  P177

[2] J Pedersen: The Arabic Book, Tr.  Geoffrey French, Princeton University Press; Princeton, Nova Jersey, 1984.

[3] http://www.muslimheritage.com/article/education-islam-role-mosque

 

http://www.islamreligion.com/pt/articles/10616/mesquita-parte-1-de-2/

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