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A mesquita (parte 2 de 2): O papel da mesquita no século 21

Mosque02.jpgComo aprendemos na parte 1, desde o início da história islâmica a mesquita foi o alicerce da comunidade muçulmana.  Não foi estabelecida simplesmente como uma casa de oração.   É fácil chegar a essa conclusão porque Deus deu à nação de Muhammad um presente único.  A maior parte do mundo, com pouquíssimas exceções, é um local de oração.  Edifícios, monumentos e mesquitas específicos não são requisitos para atender a essa necessidade. O Profeta, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, disse:

"A terra toda foi feita uma mesquita (ou um local de oração) e um meio de purificação para mim. Então, onde quer que um homem de minha Ummah[1] esteja quando chegar a hora da oração, que ele ore."[2]

Portanto, supõe-se que a mesquita seja mais que apenas uma área abrigada para orar.  Claro que é, e não devemos ignorar isso, um local no qual muçulmanos, independentemente de sua raça ou etnia, se reúnem 5 vezes ao dia.   Isso transmite uma mensagem sutil sobre a importância de estar juntos, unidos como uma nação de muçulmanos.  A unidade é particularmente importante no século 21 porque mais que nunca a nação muçulmana está desunida e espalhada pelo mundo.

Mas o tempo e as circunstâncias têm o hábito de fazer pequenas mudanças e essas pequenas mudanças aconteceram no papel da mesquita, quando a história seguiu em frente.   Como as comunidades em nações muçulmanas ficaram maiores, foi necessário mais que um poço, mais que uma escola, mais que um mercado e mais que uma mesquita.  Mesquitas foram construídas em todos os cantos, mas muitas delas se tornaram pouco mais que locais de oração.  As mesquitas maiores continuaram a cumprir suas várias funções e, nos países muçulmanos, frequentemente a mesquita serve ao mesmo propósito estabelecido há quase 1.500 anos.  Entretanto, as coisas são diferentes no ocidente e, embora os muçulmanos tenham suas próprias áreas de compras, restaurantes e escolas, tradicionalmente esses não são locais que deem e mantenham um sentido islâmico de identidade.   Esse lugar é a mesquita local. 

É na mesquita que um muçulmano mantém viva sua espiritualidade, fortalece o vínculo com seu Criador, encontra e se comunica com outros muçulmanos e renova seu senso de pertencimento.  Infelizmente muitas mesquitas atualmente servem como locais de adoração, para quebrar o jejum durante o Ramadã e pouco mais além disso.  Entretanto, se as mesquitas pelo mundo voltassem aos propósitos e papéis tradicionais na sociedade muçulmana, poderiam trazer grande mudança social e influenciar os não-muçulmanos a repensarem as opiniões predominantes atuais sobre o Islã.  Para ser o coração de uma sociedade muçulmana vibrante, as mesquitas precisam enfrentar os desafios trazidos pela globalização e crescimento do século 21.

O desafio mais importante é oferecer uma atmosfera acolhedora.  Para desempenhar uma função útil na sociedade muçulmana as mesquitas do século 21 precisam deixar a porta da frente aberta para todas as seções da sociedade, assim como fez a primeira mesquita.   Mulheres, mães com crianças pequenas, idosos, jovens, pobres e destituídos e não-muçulmanos interessados no Islã devem encontrar na mesquita um local acolhedor.  A mesquita e seus arredores tipicamente chamados de centro islâmico no ocidente, podem alojar instalações como cafeteria, local de esportes especialmente para os jovens, uma biblioteca com computadores e internet, salas de aula, loja de alimentos halal e um centro de cuidados para crianças para que homens e mulheres possam desfrutar das instalações educacionais e esportivas sem se preocuparem com seus filhos.  A mesquita pode distribuir auxílio aos pobres e necessitados. A mesquita moderna deve ser o ponto central da vida de um muçulmano.  Deve ser um local acolhedor para todos os muçulmanos e todos os interessados em saber mais sobre muçulmanos e Islã.

Em todo o mundo muçulmano muitas mesquitas se tornaram atrações turísticas.  São conhecidas por sua arquitetura bela e inovadora, mas infelizmente as mais visitadas pelos turistas não são mais casas de oração.  As inumeráveis mesquitas pequenas localizadas em toda a vizinhança em muitos países da Ásia e Oriente Médio não são convidativas para não-muçulmanos, turistas e mulheres.  Em cidades maiores, os centros culturais e islâmicos foram construídos objetivando especificamente as necessidades de não-muçulmanos.  As necessidades dos muçulmanos são atendidas por fundações de zakat e outras organizações de caridade.  Já se foram os dias em que pequenas mesquitas comunitárias cuidavam umas das outras.  Isso é verdade também no mundo ocidental.  Todos vimos os sinais que relegam às mulheres as portas dos fundos, e muitos não-muçulmanos continuaram andando quando foram confrontados por grupos de homens de pé do lado de fora das entradas das mesquitas.

Em sua pesquisa para o documentário Unmosqued, os cineastas encontraram estatísticas preocupantes sobre as mesquitas nos EUA.  Constataram que as mesquitas não têm financiamento e funcionários suficientes.  Embora a frequência das mesquitas seja mais alta que a de outras congregações religiosas, as verbas das mesquitas são menos da metade da verba de outras congregações.  Apenas 44% de todos os imames trabalham em tempo integral e são remunerados.  Metade das mesquitas não têm funcionários em tempo integral.  Funcionário de programas como diretores para a juventude ou de alcance compõem apenas 5% de toda a equipe em tempo integral.  Somente 3% das mesquitas consideram aulas para "novos muçulmanos" uma prioridade. 

Parece que os desafios para a mesquita no século 21, nos mundos muçulmano e ocidental, é fazer da mesquita um espaço mais inclusivo.  Na época do profeta Muhammad não era incomum que os sem teto dormissem na mesquita, enquanto questões de estado eram discutidas em uma área próxima.  Hoje em dia algumas mesquitas ficam fechadas entre os horários de oração. 

Um grande exemplo de uma mesquita do século 21 que mistura tradição com modernidade é a grande mesquita Sheikh Zayed aberta em 2008 nos Emirados Árabes.  É administrada de acordo com os padrões mais modernos e suas coleções e recursos incluem uma biblioteca de última geração com instalações modernas, para o desenvolvimento de pesquisa e conhecimento.  São organizados eventos culturais e sociais que incluem seminários, palestras, exibições, cursos para ensino do Alcorão, arquitetura islâmica, caligrafia e sintaxe árabe e também competições sobre recitação corânica e o chamado para a oração.  A mesquita, no espírito tradicional, reflete um entendimento informado de religiões baseado no respeito, derivado da crença de que o Islã é uma religião de tolerância e amor.  A mesquita é acolhedora e um espaço humanitário aberto a todos os visitantes.

 

 
Notas de rodapé:

[1] A palavra árabe Ummah pode ser traduzida como nação.

[2] Saheeh Al-Bukhari

 

http://www.islamreligion.com/pt/articles/10623/mesquita-parte-2-de-2/

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