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A parceria entre corpo e alma

BodyandSoul.jpgO dualismo entre corpo e alma é muito claramente evidente no mundo físico.  O corpo é subserviente e a alma está no comando, mas ambos são indispensáveis.  A alma é o mestre, enquanto que o corpo é o servo obediente.

As pessoas têm o hábito de se tornarem totalmente absorvidas na satisfação de suas necessidades físicas desconsiderando totalmente as necessidades espirituais, raramente contempladas.

Precisamos apenas olhar para o grande número de instituições que lidam com os aspectos materiais de nossas vidas, em comparação com a escassez daquelas que focam nas necessidades da alma - a mesquita sendo uma delas.

O corpo tem seus direitos e os exige de nós.  Entretanto, que valor tem o corpo sem a alma?  É um mero corpo, não importa quão poderoso ou belo tenha sido construído.  Se a alma o abandona, se torna uma casca jogada fora.  Sua beleza só pode ser percebida em parceria com a alma.

Se aplicarmos esse conceito dentro do contexto islâmico, notamos imediatamente que todos os nossos atos de adoração (incluindo oração, jejum, zakat e hajj) exigem a participação do corpo e da alma.

Entretanto, a coisa lamentável que sobrepujou o Povo do Livro - os seguidores de Moisés e Jesus (que a paz esteja sobre eles) - assim como muitos dos seguidores de Muhammad, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele - é estarem excessivamente preocupados com a aparência externa, às custas da substância.  Há mais preocupação com a aparência física do que com a alma.  A preocupação com os aspectos exteriores da adoração é algo bom (embora às vezes saia de controle), mas essa preocupação não deve resultar no esquecimento do significado interior de nossa adoração.

Os aspectos físicos de nossas orações são ficar de pé, se curvar, sentar e prostrar.  Esses são os aspectos da oração que a maioria dos muçulmanos aprendem e memorizam.  Essas são as questões que geralmente perguntam, às vezes com muitos detalhes.

Os aspectos espirituais da oração são nossa devoção, humildade e submissão a Deus em sinceridade e devoção sinceras.  Implica no nosso reconhecimento da grandeza e divindade de Deus, que nos inspira um senso de reverência e admiração.

Há alguma relação entre nossa preocupação pelos aspectos físicos da oração e nossa preocupação pelo espiritual?  De fato, há!  Quando desempenhamos os aspectos exteriores da oração, estamos, sem dúvida, obedecendo nosso Senhor e cumprindo Seu comando ao manter um dos pilares de nossa fé.  Ao mesmo tempo, percebemos que há uma sabedoria infinita por trás desses atos de adoração e, às vezes, compreendemos essa sabedoria!

O mesmo pode ser dito do jejum.  Por que jejuamos?  Certamente Deus não precisa de nossos jejuns.

Deus diz:

"Ó humanos! Sois vós que necessitais de Deus, porque Deus é, por Si, o Opulento, o Laudabilíssimo." (Alcorão 35:15)

O Profeta disse: "Quem não abrir mão da calúnia e más ações, Deus não precisa que abra mão de comida e bebida."[1]

Sabemos que Deus não precisa que nos abstenhamos de comida e bebida.

O profeta disse, transmitindo para nós as palavras de seu Senhor: "Ó Meus servos! Se o primeiro entre vós e o último, os humanos entre vós e os gênios se reunissem como o coração do mais piedoso entre vós, isto não adicionaria nada ao Meu reino.  Ó Meus servos! Se o primeiro entre vós e o último, os humanos entre vós e os gênios se reunissem como o coração do mais piedoso entre vós, isto não adicionaria nada ao Meu reino."[2]  

Certamente jejuar não foi prescrito para nos punir e fazer sofrer de fome e sede, porque Deus diz:

"Que interesse terá Deus em castigar-vos, se sois agradecidos e fiéis? Ele é Retribuidor, Sapientíssimo." (Alcorão 4:147)

O profeta, durante a peregrinação, viu um homem idoso sendo apoiado dos dois lados por seus dois filhos.  O profeta perguntou: "Que há com ele?"

Disseram: "Ele fez uma promessa de andar."

O profeta disse: "Deus não precisa que esse homem se puna." Então ordenou que o homem montasse no camelo.[3]  

Então o jejum nos foi prescrito para que obtenhamos bênçãos e recompensas?

Sem dúvida, Deus concedeu recompensas imensas a Seus servos por seus jejuns.  O profeta disse: "Quem jejuar com fé em busca de recompensa, todos os seus pecados passados serão perdoados."[4]  

Entretanto, as recompensas e bênçãos que recebemos por nossos jejuns, orações e caridade são recompensas de Deus para nos encorajar a fazer essas boas ações.

A pergunta permanece: Por que jejuamos?  Por que recebemos tamanha recompensa por fazê-lo?  Por que oramos e partimos para a peregrinação?

Da forma como vejo, fazemos por dois propósitos:

O primeiro é desenvolver nossa fé e construir nosso caráter moral com base em piedade e certeza.  Deus diz sobre o jejum:

"Ó vós que credes! O jejum está prescrito para vós, como foi prescrito àqueles antes de vós, para serdes piedosos." (Alcorão 2:183)

Sobre a oração, Deus diz:

"... a oração preserva (o homem) da obscenidade e do ilícito..." (Alcorão 29:45)

Sobre o hajj, Ele diz:

"Quem a empreender, deverá abster-se das relações sexuais, da perversidade e da polêmica." (Alcorão 2:197)

Deus diz sobre pagar o zakat:

"Recebe, de seus bens, uma caridade que os purifique e os santifique." (Alcorão 9:103)

Esse significado pode ser visto em todos os atos de adoração.  Todos buscam construir o caráter de uma pessoa e aperfeiçoar sua conduta moral, suas crenças e sua fé.  Nossa adoração tem como objetivo purificar e renovar nossos corações, livrando-os de características como a artimanha, a mesquinhez, o rancor e o desejo desenfreado.

O segundo propósito de nossa adoração é reformar a relação entre a pessoa e os demais.  Ao desenvolver o caráter de uma pessoa e cultivar nela certos valores, a adoração dela resulta na proteção dos direitos dos outros em todos os níveis possíveis de interação.

Isso inclui a relação entre marido e esposa, pais e filhos e, da mesma forma, entre vizinhos e governo e governados.  Até os direitos dos animais e do meio-ambiente são protegidos dessa forma.  O Islã traz com eles valores que governam a conduta de um muçulmano em relação a tudo que o rodeia.

Todos os atos de adoração prescritos para a humanidade nas manifestações anteriores da religião e no Islã são parte de um único programa, elaborado para cumprir esses dois propósitos: construir o indivíduo e desenvolver sua relação com os outros.

Que significado tem o jejum para uma pessoa que meramente se abstém de comida e bebida e outros prazeres que são lícitos sob circunstâncias normais, para se engajar em atos proibidos como falar falsidades e maltratar os outros?  Não é pior se engajar em coisas ilícitas no mês de Ramadã e, possivelmente, até mesmo durante o dia durante o jejum?  Como alguém vive uma vida dupla, sua adoração completamente divorciada de sua vida cotidiana, não tendo efeito sobre a maneira como lida com os outros?

Temos o direito de nos perguntarmos com determinação: Quando nossa adoração deixará de ser meramente um ato externo para ser uma realidade rica em significados e que carrega com ela um propósito profundo e nobre?  Quando nossa adoração começará a afetar nossas personalidades, tornando-os pessoas de integridade que cumprem seus deveres, reconhecem suas limitações e trabalham para melhorarem a si mesmas, antes de correrem para julgar os demais?

Somente então nossa adoração assumirá seu significado pleno.

 
Notas de rodapé:

[1] Saheeh Al-Bukhari

[2] Saheeh Muslim

[3] Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim

[4] Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim

 

http://www.islamreligion.com/pt/articles/10667/parceria-entre-corpo-e-alma/

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