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Ajuste fino do universo (parte 8 de 8): Resumo do ajuste fino do universo

1.    Depois de exaurir todas as explicações causativas possíveis mutuamente exaustivas, o ajuste fino de nosso universo é explicado da melhor forma como sendo o "projeto" de um Criador imensamente poderoso e sábio. A criação divina, não o acaso, é a explicação mais convincente e razoável para o ajuste fino do universo.

2.    A hipótese dos multiversos é altamente especulativa, mas mesmo que seja verdadeira, não entraria em conflito com a crença em Deus.

3.    A razão para que a evidência do ajuste fino seja extremamente convincente e razoável, mas não definitiva, é que a ciência é limitada por sua natureza. Para ser mais preciso, todo o empreendimento científico é limitado por definição. Obviamente, o que podemos aprender da ciência também será limitado em certo nível. Para compreender essa afirmação, precisamos saber que existem dois tipos principais de raciocínio geralmente aceitos: indução e dedução. A ciência é baseada em indução e a matemática é baseada em dedução.[1] Por definição, o raciocínio indutivo é incerto. O "problema de indução" bem conhecido levou o pensador Charlie Broad a dizer: "A indução é a glória da ciência e o escândalo da filosofia." [2] Assim, a ciência não pode provar Deus de maneira dedutiva porque a ciência é um empreendimento empírico baseado em indução. Além disso, a ciência por si só não pode estar certa de ter considerado todos os dados possíveis para uma explicação completa de um fenômeno em particular, quanto mais do próprio universo.

Mas a ciência não nos capacita a identificar a incrivelmente alta improbabilidade de uma ocorrência aleatória fundamental para a vida, existir no universo.

4.    É por isso que quando descrevemos a evidência do ajuste fino como convincente, não queremos dizer que todos serão convencidos pela nossa explicação de cada parte da evidência, ou que apresentamos um caso definitivo e irrefutável para a evidência que ninguém será capaz de resistir às conclusões. A evidência é convincente por si mesma, mas nossa articulação da evidência será tão boa quanto nossa compreensão dela.

Por outro lado, se alguém não quer acreditar em Deus, nenhuma evidência pode forçar essa pessoa a aceitar a existência de Deus como fato.

5.    Finalmente, não dependemos da ciência, lógica complexa ou um nível alto de instrução para "ver" a evidência para o Criador. A criação aponta para o seu Criador. Esse conhecimento sempre esteve disponível para os seres humanos, independente de seu nível de instrução. Afinal, um homem iletrado tem tanto direito de conhecer Deus quanto cientistas e filósofos atuais. Pensar de outra forma é o auge da arrogância.

A seguir as reflexões de um poeta árabe e conclusões de um teólogo e de alguns físicos notáveis dos dias atuais. Elas demonstram que o conhecimento da existência de Deus tem sido acessível de maneira igual e fácil a todos que escolhem "ver" Deus em seus ambientes imediatos:

Poeta árabe: "O estrume de camelo indica a presença de um camelo e as pegadas indicam que alguém caminhou aqui. Assim, os céus e suas estrelas e a terra com suas montanhas e vales devem indicar a existência do "Sábio", o "Onisciente" (dois nome de Deus)".[3]

Keith Ward disse: "Pode não haver provas de Deus na física. Mas não é mais verdadeiro que a física tornou Deus supérfluo. Ao contrário, é o maior indicador de que nosso mundo físico é fundado em princípios universais tão elegantes e belos, tão ordenados e inter-relacionados, que sugere à mente com força quase avassaladora que a base desse mundo é um Criador racional e consciente, que deixou nos céus e na terra as marcas manifestas de Seu trabalho." [4]

John Polkinghorne comentou: "Quando você percebe que as leis da natureza devem ser ajustadas de maneira incrivelmente fina para produzir o universo que vemos, isso conspira para implantar a ideia de que o universo não simplesmente aconteceu, mas que deve haver um propósito por trás dele." [5]

Allan Sandage, que determinou o valor preciso para a constante de Hubble, a idade do universo, e também descobriu o primeiro quasar, escreveu: "Considero muito improvável que essa ordem venha do caos. Tem que haver algum princípio organizador. Deus é um mistério para mim, mas é a explicação para o milagre da existência, do por que existe algo, ao invés do nada." [6]

Vera Kistiakowski, professora de física no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, resumiu as implicações da evidência:

"A ordem requintada exibida por nossa compreensão científica do mundo físico clama pelo divino." [7]

 
Notas de rodapé:

[1] Tarski, Alfred. 1994. Introduction to Logic and to the Methodology of the Deductive Sciences. Nova Iorque: Oxford University Press. 112.

[2] Broad, C.D. 1926. The philosophy of Francis Bacon: An address delivered at Cambridge on the occasion of the Bacon tercentenary.  Cambridge: University Press, p. 67.

[3] 1. al-Ashqar, Dr. Umar. 2005. Belief in Allah. Riad. International Islamic Publishing House. 120.

2. Wazir, Muhammad Ibn Ibrahim. 1930. "Tarjih Asalib al-Quran ‘Ala Asalib al-Yunan. Cairo: Matba’a al-Ma’ahid bi-Misr. p. 83.

[4] Ward, Keith. 1986. The Turn of the Tide: Christian Belief in Britain Today. Londres: BBC Publications. 57.

[5] Polkinghorne, John. 1998.  Science Finds God. Newsweek, 20 de Julho.

[6] Dr. Allan Sandage citado por Wilford, John Noble. 1991. Sizing Up the Cosmos: An Astronomer’s Quest. New York Times. 12 de Março, B9.

On-line. Disponível na internet:http://www.nytimes.com/1991/03/12/science/sizing-up-the-cosmos-an-astronomer-s-quest.html?src=pm&pagewanted=3, acessado 10 de Março de 2014.

[7] Kistiakowsky, Vera. 1992. The Exquisite Order of the Physical World Calls for the Divine. Cosmos, Bios, Theos, ed. Roy Abraham Varghese. Chicago: Open Court. 52.

 

http://www.islamreligion.com/pt/articles/10538/ajuste-fino-do-universo-parte-8-de-8/

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