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Metodologia Histórica Moderna vs. Metodologia dos Hadiths (parte 2 de 5)
Descrição: Uma comparação entre métodos modernos de registro da história e os usados nos hadiths.  Parte 2: Metodologia Histórica Ocidental Moderna e criticismo interno.
Por Reem Azzam
Publicado em 05 Sep 2011 - Última modificação em 05 Sep 2011

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Categoria: Artigos > O Profeta Muhammad > Sobre Seus Ditos

Criticismo Interno

O criticismo interno se ocupa do conteúdo da fonte e naturalmente segue seu criticismo externo (Lucey 24). O objetivo nessa etapa é estabelecer a credibilidade do depoimento.  Para começar, o historiador deve se assegurar de entender o que a testemunha quis dizer com seu depoimento. Somente então o historiador será capaz de determinar de forma adequada a credibilidade da testemunha em questão. Estabelecer a credibilidade da testemunha significa estabelecer tanto sua competência (de que fala com conhecimento) e veracidade (se é confiável). Na prática alguns depoimentos são rejeitados com base nos testes mencionados anteriormente, embora uma quantidade considerável de depoimentos seja estabelecida como confiáveis (Lucey 24).

Considerando que a língua está em mudança constante, determinar o significado verdadeiro de um depoimento não é uma tarefa fácil.  Muitas vezes as palavras não são usadas literalmente e novos significados são atribuídos a elas.  O historiador precisa identificar o significado que o autor ou testemunha atribui às palavras em particular para compreender de forma adequada o depoimento.  Também precisa estar familiarizado com os idiomas usados na época da origem da fonte.  Obviamente o historiador deve ser fluente na língua usada na fonte e treinado na filologia para empreender essa tarefa.

Para entender adequadamente uma fonte ou depoimento, é necessário saber que tipo de pessoa ou pessoas criaram a fonte; em outras palavras, quais eram suas atitudes e interesses (Marwick 223). Deve-se inquirir sobre sua educação, posição na vida, visões políticas e caráter (Lucey 73). Também é importante sua idade e temperamento (Lucey 78). Esse conhecimento será útil na determinação da credibilidade da testemunha.  Além disso, é importante saber como e por que a fonte particular surgiu e para quem era pretendida.  Depois de o historiador ter entendido corretamente o conteúdo do depoimento e o que a testemunha pretendeu dizer, ele pode seguir adiante examinando a credibilidade da testemunha.

O próximo passo é estabelecer se a pessoa ou pessoas por trás da fonte estavam de fato em posição de saber em primeira mão sobre o assunto sob investigação e se eram honestas.  Diz-se que a atitude adequada nessa conjuntura é não ser nem crédulo nem cético para fazer justiça à fonte em questão (Lucey 73). Um depoimento de testemunha não deve ser desconsiderado a menos que tenha sido completamente desacreditado.  É aceitável que uma testemunha cometa alguns equívocos desde que seu depoimento permaneça substancialmente verdadeiro. Nas palavras de um historiador:

“A credibilidade de depoimento, então, deriva da competência e veracidade da testemunha e essas duas qualificações não devem ser dadas como certas. Sua habilidade para observar deve ser estabelecida, a oportunidade para observar verificada, sua honestidade assegurada, seu depoimento comparado com o de outra testemunha para descontar os erros que qualquer outra testemunha possa cometer” (Lucey 73-4).

Entre os itens que ajudam a estabelecer a credibilidade de uma fonte também está o conhecimento do tipo de fonte, incluindo sua natureza e propósito (Lucey 77). Cada tipo de fonte terá seu próprio critério de avaliação. Por exemplo, uma plataforma política não deve ser analisada da mesma forma que um editorial (Lucey 77). Além disso, a veracidade, caráter moral e competência de certas testemunhas já estão bem estabelecidas, particularmente daquelas na vida pública (Lucey 78). Portanto, os depoimentos dessas testemunhas não precisam ser objetados a menos que se prove o contrário.

Existem algumas questões com as quais um historiador deve ser cuidadoso nessa etapa.  Deve ser cuidadoso em não supor que a oportunidade da testemunha para observar significa ter competência.  Não somente é necessário estabelecer que a oportunidade era real, mas também deve ser estabelecido que uma testemunha competente tirou vantagem disso.  Outro assunto a destacar são as fontes comuns de erro.  No topo da lista estão memória falha e preconceitos, embora fraquezas como sentido falho de observação também apresentem um desafio sério (Lucey 75). Tal fraqueza da parte da testemunha ou autor de uma fonte pode facilmente levar a mal-entendidos por parte do historiador.

Embora historiadores relutem em aceitar o depoimento de uma única testemunha, é justificável que o façam se a testemunha for qualificada.  Naturalmente é preferível mais de uma testemunha e quanto mais, melhor.  Claro que a testemunha deve ser competente e honesta e deve ter estado próximo do evento relatado, ou pelo menos ter adquirido seu conhecimento daqueles que estavam (Lucey 79). Quanto mais qualificadas forem as testemunhas, mais fácil será a tarefa do historiador.  Ele pode então comparar depoimentos e eliminar erros, assim como usar suas fontes confiáveis na determinação da confiabilidade de quaisquer novas testemunhas.

Ao comparar uma fonte com outras para determinar credibilidade, existem três possibilidades: podem concordar com a fonte em questão, podem discordar ou podem ser omissas.  O acordo entre as fontes não é suficiente para estabelecer a credibilidade de uma fonte em questão.  É preciso determinar se as fontes são independentes ou pode-se suspeitar de uma conspiração ou dependência sobre uma fonte original (Lucey 80). Especialmente se um evento foi público, devem haver muitos relatos independentes do mesmo.  Entretanto, se as fontes discordam ou se contradizem, é preciso examinar o nível da diferença e a natureza das fontes.  Diferenças em pontos e detalhes menores não são suficientes para desacreditar a fonte em questão e, de fato, são comuns e esperados (Lucey 81). Deve-se ser cuidadoso para não confundir contradições triviais ou aparentes com contradições reais e perceber que o apego às regras de criticismo de forma cuidadosa e paciente provavelmente resolverá uma aparente contradição (Lucey 83). Entretanto, se existir uma contradição real, nenhuma das fontes pode ser usada até que uma delas ganhe credibilidade com base em outras razões. Deve-se lidar com muito cuidado com os depoimentos de partes interessadas e extremistas se o assunto for um problema controverso.

Um terceiro cenário possível é as fontes serem omissas sobre o depoimento em questão.  A atitude em relação a esse depoimento é negativa, embora não seja imediatamente rejeitado.  Para rejeitar o depoimento deve ser estabelecido que a testemunha omissa foi capaz de saber sobre o evento e estava em uma posição exigida para relatá-la. Entretanto, esses são assuntos difíceis de serem estabelecidos.

Após o historiador ter examinado cuidadosamente suas fontes e aplicado de forma rigorosa as regras de criticismo externo e interno, ele está pronto para escrever.  A ordenação e síntese de todos os materiais na reconstrução correta de um evento é uma tarefa desafiadora que envolve interpretação da parte do historiador.  A forma na qual ele interpreta suas fontes confiáveis molda sua reconstrução de um evento particular.

leia o artigo original em: http://www.islamreligion.com/pt/articles/937/

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