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Sonhos (parte 1 de 2) Estou sonhando?
Descrição: O que o Islã diz sobre os sonhos.
Por Aisha Stacey (© 2016 IslamReligion.com)
Publicado em 09 May 2016 - Última modificação em 09 May 2016
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Categoria: Artigos > Crenças do Islã > Os Seis Pilares da Fé e Outras Crenças Islâmicas

Dreams1.jpgO dicionário online Merriam Webster define um sonho como uma série de pensamentos, imagens ou emoções que ocorrem durante o sono.  Sonhar e meditar sobre os significados e interpretações dos sonhos enriquece nossas vidas.  Os sonhos nos colocam em contato com nossas emoções mais profundas; eles nos encantam e assustam e contêm nossos desejos e temores mais secretos.  Isso não é um modismo passageiro ou uma tendência da nova era.  Os sonhos têm estado com a humanidade por gerações incontáveis e sem dúvida continuarão conosco até o fim dos dias.

Geralmente eles retratam eventos impossíveis ou improváveis na realidade física e estão fora do controle de quem sonha.  Muitas pessoas relatam fortes emoções enquanto sonham e sonhos aterrorizantes ou perturbadores são chamados de pesadelos.

A história dos sonhos e suas interpretações nos leva para o Egito antigo e é dito que o primeiro registro escrito de interpretação de sonhos data de 1350 AEC.  Originalmente no Egito se pensava que os sonhos eram parte do mundo sobrenatural.  Pensavam que eram mensagens enviadas durante a noite talvez com um dispositivo de alerta inicial para um desastre ou boa sorte.  Para os muçulmanos isso não surpreende.  O capítulo 12 do Alcorão, intitulado "José", começa com um sonho e termina com a interpretação do sonho.  Na época do profeta José, sonhos e suas interpretações eram muito importantes e isso fica claro ao longo da história de José.  O profeta José é capaz de interpretar sonhos e o profeta Jacó (pai de José), os companheiros de prisão e o rei do Egito, todos têm sonhos.

Sabemos que no Egito antigo os sonhos eram interpretados predominantemente pelo sacerdote e nas eras grega e romana os sonhos eram pensados em um contexto religioso. Só a partir do período helênico de Aristóteles os sonhos foram considerados como tendo a habilidade de curar.  Os intérpretes de sonhos ajudavam os médicos a fazerem seus diagnósticos.  Havia muitas superstições e crenças associadas com os sonhos.

Para alguns chineses o sonho é um lugar real que a alma visita toda noite e, por essa razão, muitas pessoas temem despertadores por medo que a alma seja acordada e não seja capaz de retornar ao seu corpo.  Algumas tribos nativas americanas e civilizações mexicanas compartilham o mesmo entendimento de uma dimensão do sonho.

Durante a Idade Média nas sociedades judaico-cristãs os sonhos eram considerados tentações maléficas, vindas de Satanás.   No século 19 os sonhos foram ignorados como sintomas de ansiedade, ou seja, até Sigmund Freud reintroduzir a noção de que os sonhos tinham importância.   Entretanto, no mundo muçulmano os sonhos eram considerados de maneira um pouco diferente.  Na poesia árabe pré-islâmica existem descrições frequentes de visões xamânicas em sonhos, de coisas como morte ritual e renascimento.  O papel do xamã (uma pessoa que alega ter acesso e influência no mundo sobrenatural) incluía o de intérprete de sonhos e poeta e não é de admirar que o profeta Muhammad repetisse com frequência não ser um poeta.  O advento do Islã eliminou muitas concepções errôneas e práticas incorretas que existiam na sociedade árabe incluindo a atitude predominante em relação aos sonhos e suas interpretações.

O Islã diz que os sonhos podem ter significado, mas os sábios alertaram que nem todos os sonhos devem ser considerados como tal.  O renomado sábio muçulmano Ibn Sirin, um especialista na interpretação de sonhos menciona, em seu livro clássico sobre o assunto, que a interpretação de sonhos é uma ciência difícil que os sábios tratam com o máximo cuidado.  O profeta Muhammad nos ensinou sobre sonhos, também com o máximo cuidado, e menciona seus sonhos e sonhos em geral com frequência.

"De fato, a pior das mentiras é a pessoa que alega falsamente ter sonhado."[1]

"Sonhos verdadeiros vêm de Allah e os maus sonhos vêm de Shaitan (Satanás)." [2]

"Aqueles com os sonhos mais verdadeiros serão os mais verdadeiros no falar." [3]

"Se algum de vocês tiver um sonho agradável, ele é de Allah.  Deve agradecer a Allah por ele e narrá-lo a outros."[4]

Do profeta Muhammad aprendemos que os sonhos são de três tipos, conhecidos em árabe como Rahmani (de Deus), Nafsani (do ego) e Shaitani (de Satanás).  Ele disse: "Sonhos são de três tipos: um sonho de Deus; um sonho que causa angústia e vem de Satanás; e um sonho que vem do que a pessoa pensa quando está acordada e vê quando está dormindo."[5] O profeta Muhammad continua a nos ensinar sobre a importância de sonhos de maneira muito pragmática.

"Se algum de vocês tiver um sonho desagradável, cuspa para a esquerda três vezes[6], e busque refúgio em Deus contra Satanás três vezes e troque o lado sobre o qual estava dormindo."[7]

A importância de um sonho é, em geral, diretamente proporcional à impressão que ele causa em quem sonhou.  A maioria dos sonhos acontece sob circunstâncias normais e não tem valor real ou necessidade de interpretação.  Derivam de nossas experiências e atividades mundanas, o que uma pessoa falou, um livro lido ou um programa de TV assistido.  Outros sonhos são fantasias ou ilusões, divertidos e inofensivos.  E existem aqueles sonhos proféticos, sonhos que parecem predizer o futuro.  Esses sonhos não podem ser compreendidos imediatamente, a menos que a pessoa tenha habilidade ou conhecimento necessários.

Na parte 2 examinaremos a ciência da interpretação de sonhos.



Notas de rodapé:

[1] Saheeh Bukhari

[2]Ibid.

[3] Saheeh Muslim

[4] Saheeh Bukhari

[5]Saheeh Bukhari & Muslim

[6] A "cuspida" referida aqui é uma cuspida leve, seca, sem saliva

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