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Imprecisão bíblica e João 3:16 (parte 4 de 5)

BiblicalInaccuracy4.jpgA peça fundamental de João 3:16 e, nesse sentido, de todo o conceito cristão de redenção pela fé, é o sacrifício de expiação de Jesus Cristo.  João 3:16 nos diz: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu único filho, para que aquele que nele crê não pereça mas tenha vida eterna." Por outro lado, um número enorme de Estudiosos da Religião dizem que isso não é verdade.  Então, em quem devemos acreditar - na Bíblia ou Neles?  Para começar, sabemos quem são Os Estudiosos, enquanto que não temos ideia de quem são os autores de quaisquer dos livros do Evangelho (como discutido na parte 1 dessa série).  Segundo, os tradutores da Bíblia ilegitimamente colocaram maiúsculas em "ele" em João 3:16, para fazer com que Jesus parecesse Deus (como discutido na parte 2 dessa série).  Se você está prestando atenção, notou que fiz a mesma coisa acima, colocando maiúsculas em "Estudiosos da Religião", "Eles" e "Os Estudiosos". Isso faz esses estudiosos parecerem especial, não faz?  Mas essa é apenas uma forma com a qual os tradutores da Bíblia enganam sua audiência.  Admito, fiz isso como um estratagema. Eles não.

Por último, o que apresentei até agora está em conformidade tanto com a razão quanto com o bom senso, ao contrário da Bíblia, que é inconsistente internamente e não confiável quando se trata de fatos (partes 2 e 3 dessa série).

Nesse episódio abordo os conceitos de sacrifício e expiação e a salvação sem esforço que as pessoas buscam, por meio do conceito cristão de redenção pela fé. 

A base desse conceito reside na validade do Pecado Original - a doutrina da igreja de que as crianças nascem com a culpa do primeiro pecado de Adão, algo que sabemos ser falso, porque Jesus ensinou exatamente o contrário: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas." (Mateus 19:14)  Agora, como o "reino dos céus" pode ser delas, se as não batizadas estão destinadas ao inferno?  Ou as crianças nascem com o pecado original ou estão destinadas ao reino dos céus.  A igreja não pode ter as duas coisas.  Ezequiel 18:20 registra: "O filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniqüidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele" e Deuteronômio 24:16 repete o ponto.  Esse é o Velho Testamento, mas não é mais velho que Adão! Se o pecado original data do início, com Adão e Eva, não encontraríamos a desautorização desse conceito em nenhuma escritura de qualquer época posterior!

Prosseguindo para o conceito da crença no autossacrifício de Jesus como suficiente para a salvação, Jesus refuta essa alegação da seguinte maneira: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus" (Mateus 7:21) e "Se queres, porém, entrar na vida (vida eterna, ou seja salvação), guarda os mandamentos" Mateus 19:17.  "Tiago" estava em discordância com Paulo por causa dessa doutrina e ensinou a importância de trabalhos virtuosos: "Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta" (Tiago 2:26). 

Mas onde no Novo Testamento Jesus aconselhou seus seguidores de que podiam relaxar, porque em poucos dias ele pagaria o preço e todos poderiam ir para o paraíso com base em nada além de crença?  Em lugar nenhum.  E quando Jesus supostamente foi ressuscitado, por que não declarou a expiação?  Por que não anunciou que tinha pago pelos pecados passados, presentes e futuros do mundo?  Mas não o fez e devemos nos perguntar por que.  Talvez a expiação não seja verdadeira?  Talvez alguém tenha rabiscado sonhos e desejos nas margens da escritura?

Não seria a primeira vez.

Então, de onde veio a "Expiação", em primeiro lugar?  E alguém ficaria surpreso ao ouvir o nome, "Paulo"?  Outra doutrina questionável vindo da mesma fonte questionável?  Assim parece.  Atos 17:18 lê: "E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele; e uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos; porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição."

Paulo afirma diretamente ter concebido a doutrina da ressurreição, como se segue: "Lembra-te de que Jesus Cristo, que é da descendência de Davi, ressuscitou dentre os mortos, segundo o meu evangelho" (2 Timóteo 2:8).  Com certeza, o conceito de Jesus Cristo morrendo pelos pecados da humanidade é encontrado nas epístolas de Paulo (por exemplo, Romanos 5:8–11 e 6:8–9) e em mais nenhum lugar.  Mais lugar nenhum?  Nem de Jesus?  Nem dos discípulos?  É possível que eles tenham negligenciado detalhes fundamentais nos quais se apoiam a fé cristã?  Improvável.

Então, de um lado temos profetas de verdade, inclusive Jesus Cristo, ensinando a salvação pela adesão às leis de Deus como transmitidas por meio de revelação - ou seja, salvação pela fé e obras.  No outro lado temos o desafiante, Paulo, prometendo uma salvação sem esforço, seguindo uma vida que não está restrita pelos mandamentos - em outras palavras, salvação somente pela fé.

O que Jesus dirá, podemos imaginar, ao retornar, quando encontra um grupo de seus "seguidores" preferindo a teologia Paulina ao invés de seus próprios ensinamentos?  Talvez Jesus cite Jeremias 23:32: — "Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, e os contam, e fazem errar o meu povo com as suas mentiras e com as suas leviandades; pois eu não os enviei, nem lhes dei ordem; e não trouxeram proveito algum a este povo, diz o Senhor."

Quando Jesus de fato retornar, podemos estar certos de ele não vai felicitar seus "seguidores" por jogarem fora tudo que ensinou e fazerem exatamente o oposto, com base na autoridade de Paulo.

No próximo episódio questionaremos por que os cristãos acreditam em João 3:16, em face de tanta evidência em contrário.

 

Sobre o autor:

Laurence B. Brown, MD, é autor de vários artigos e livros e seu website ofiicial é www.leveltruth.com onde também pode ser contatado na página "Contato".

 

http://www.islamreligion.com/pt/articles/10611/imprecisao-biblica-e-joao-3/

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