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Livro: Fiqh al Sunnah (Parte IV) - O Jejum

O Jejum

Jejum geralmente significa abster-se de alguma coisa. Allah diz: “Fizeste um voto de jejum ao Clemente” (Alcorão 19:26). Isto é abster-se de falar.

O Jejum, no Islam é abster-se de comer, beber, fazer sexo e todos os desjejuns, a partir da alvorada até o pôr do sol, devem ter a intenção explícita de fazê-los por Allah.

 

O Mérito do Jejum

1-Abu Hurairah relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Allah, o Todo-Poderoso, diz que cada boa ação do filho de Adão é para si mesmo, exceto o jejum, que é exclusivamente para Mim, sendo que Eu o recompensarei por isto. O jejum é um escudo (contra o vício e o fogo do Inferno), portanto, quando qualquer um de vós estiver jejuando, deverá abster-se de entabular conversa fiada e evitar troca de palavras agressivas e barulhentas. Se alguma pessoa abusar desse um ou iniciar com ele uma discussão, deverá dizer que está guardando o jejum. Por Allah, em Cujas mãos está a vida de Muhammad, sabei que o hálito de quem está jejuando é, para Allah, mais prazeroso do que a fragrância do almíscar. O indivíduo que jejua obtém duas espécies de prazer: primeiro irá sentir prazer quando quebrar o jejum e segundo estará jubilante em virtude do jejum quando se encontrar com o seu Sustentador”. E no relato de Al-Bukhari e Abu Daud está que “O jejum é um escudo (contra o vício e o fogo do Inferno), portanto, quando qualquer um de vós estiver jejuando, deverá abster-se de entabular conversa fiada e evitar troca de palavras agressivas e barulhentas. Se alguma pessoa abusar desse um ou iniciar com ele uma discussão, deverá dizer que está guardando o jejum. Por Allah, em Cujas mãos está a vida de Muhammad, sabei que o hálito de quem está jejuando é, para Allah, mais prazeroso do que a fragrância do almíscar, aquele que se abstém de comer, beber e de satisfazer seus desejos por Allah e que o seu jejum é exclusivamente para Allah, Ele o recompensará por isto e cada recompensa é igual a dez bons feitos”.

2-Abdullah Ibn Omar relatou que o Profeta (SAW) disse que o jejum e o Alcorão serão os mediadores no Dia da Ressurreição. O jejum dirá: Ó Senhor, eu fiz com que ele evitasse o alimento e a bebida durante o dia, portanto, deixe-me interceder por ele. O Alcorão dirá: Ó Senhor, eu guardei o seu sono durante a noite, portanto, deixe-me interceder por ele. Então eles terão a permissão de interceder.

3-Abu Umamah relatou que foi até o Mensageiro de Allah (SAW) e disse: Peça-me uma ação que me permita entrar no Paraíso. Ele disse: “Fique com o jejum, não existe um equivalente a ele”. Então, ele voltou e perguntou novamente e ele disse o mesmo: “Fique com o jejum”.

4- Abu Said Al-Khudri relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Quando a pessoa jejua por um dia, em prol de Allah, afasta o Inferno de sua face para uma distância de setenta anos de viagem”.

5- Sahl lbn Saad relatou que o Profeta (SAW) disse: “No Paraíso há uma porta chamada Al-Raiyan e no Dia da Ressurreição será perguntado onde estão os jejuadores. Quando o último entrar, ela será fechada e ninguém mais entrará por ela”.


Os tipos de Jejum


Existem dois tipos de jejum, o jejum obrigatóri e o jejum voluntário.

O jejum obrigatório se divide em três categorias:

- O jejum do Ramadan;

- O jejum de expiação;

- O jejum de cumprir uma promessa.

Aqui vamos falar sobre o jejum do Ramadan e o jejum voluntário.

 

O jejum do Ramadan

 

O jejum do Ramadan, de acordo com o Alcorão, a Sunnah e do consenso, é obrigatório. Allah diz: “Ó fiéis, está-vos prescrito o jejum tal como foi prescrito a vossos antepassados, para que temais a Deus” (Alcorão 2:183). E diz: O mês de Ramadan foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e evidência de orientação e discernimento. Por conseguinte, quem de vós presenciar o novilúnio deste mês deverá jejuar” (Alcorão 2:185).

O Profeta (SAW) disse: “O Islam se assenta sobre cinco pilares: O testemunho de que não há outra divindade além de Allah e que Muhammad é Seu mensageiro, praticar as orações, pagar Az-Zakat, jejuar o Ramadan e peregrinar à Casa de Allah (em Meca)”.

Talhah Ibn Ubaidullah relatou que um homem veio ao Profeta (SAW), pediu-lhe o que lhe estava prescrito para ele jejuar e ele respondeu: “O mês de Ramadan”. O homem perguntou se havia algum outro e o Profeta (SAW) respondeu: “Não, a menos que você queira fazê-lo voluntariamente”.

Toda a nação islâmica concorda que o jejum do Ramadan é obrigatório. É um dos pilares do Islam e se uma pessoa contesta isso, é incrédulo e não pode ser chamado de Muçulmano.

O jejum do Ramadan foi prescrito numa segunda-feira, dia dois do mês de Chaaban, no segundo ano da Hégira.<--PAGEBREAK-->

 

1-As virtudes do mês do Ramadan:

1-Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “O mês abençoado chegou a vós e Allah prescreveu para vós jejuá-lo. Nele, as portas do Paraíso serão abertas, as do Inferno serão fechadas e os demônios serão acorrentados. Nele há uma noite que é melhor do que mil meses e aquele que não alcançar a sua benção será um perdedor”.

2-Utbah Ibn Farqad relatou que o mensageiro de Allah (SAW) disse: “Quando chega o mês de Ramadan, as portas do Inferno serão fechadas, as do Paraíso serão abertas, os demônios serão acorrentados e todos os dias do Ramadan um anjo grita: Ó benfeitor, você terá boas notícias! Ó malfeitor, abstenha-se!”

3-Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “As cinco orações diárias, a oração da sexta-feira até à seguinte e o jejum do mês do Ramadan até o mês seguinte ao Ramadan, são penitências das faltas cometidas durante o transcurso do tempo, entretanto, evitem os pecados maiores”.

4-Abu Said Al-Khudri relatou que o Profeta (SAW) disse: “Aquele que jejua o mês de Ramadan, não ultrapassa os seus limites e se afasta de tudo o que é pecado, terá as suas faltas passadas perdoadas”.

5-Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Aquele que jejua o mês de Ramadan crendo, almejando e aguardando a recompensa de Allah, todos os seus pecados anteriores serão perdoados”.

 

2- A sentença de quem não jejuar o mês de Ramadan:

1-Ibn Abbas relatou que o Profeta (SAW) disse: “Os laços e as bases da religião que sobre eles se alicerçou o Islam, são três: O testemunho de que não há outra divindade além de Allah, a oração determinada e o jejum no mês de Ramadan. Quem abandonar um só deles torna-se um incrédulo e seu sangue será então lícito”.

2-Abu Hurairah relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Quem quebrar um dia de jejum do Ramadan sem desculpa ou enfermidade, não o substitui jejuar o resto de sua vida, mesmo que o faça”.

Azh-Zhahabi disse que aquele que deixa de jejuar o mês do Ramadan sem desculpa ou enfermidade, todos os crentes o considerarão pior do que um adúltero ou um alcoólatra. Na verdade, eles duvidarão se ele é realmente muçulmano e acharão que ele é um depravado.

 

3-O início do Ramadan:

O início do Ramadan é confirmado ao se avistar a lua nova, mesmo que seja vista apenas por uma pessoa confiável ou pela passagem dos trinta dias do mês de Chaaban.

Ibn Omar disse que as pessoas estavam tentando avistar a lua nova, quando afirmei para o Mensageiro de Allah (SAW) que tinha visto, então, ele jejuou e ordenou as pessoas a jejuarem.

Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Jejuem quando a virem (a lua) e desjejuem quando a virem (a lua) e se estiver encoberta, completem trinta dias do Chaaban”.

At-Tirmizhi disse que a maioria dos sábios disse que basta uma pessoa confirmar a vista da lua para determinar o início do jejum. Esta também é a opinião de Ibn Al-Mubarak, Ach-Chaf'i e Ahmad.

An-Nawawi disse que essa opinião é a mais correta.

 

4-O fim do Ramadan:

Os juristas dizem que o fim do Ramadan é confirmado com a vista da lua do mês de Chauwal por duas pessoas confiáveis ou completar trinta dias do mês de Ramadan.

Abu Thaur e Abu Bakr Ibn Al-Munzhir dizem que não há diferença entre a lua nova de Chauwal e a lua nova do Ramadan. Nos dois casos, uma testemunha confiável será suficiente.

Ach-Chaukani disse que se não há nenhum hadith que afirma que o fim do Ramadan necessita de duas testemunhas, então, é evidente, por analogia, que apenas uma testemunha seja suficiente, pois, se uma pessoa é suficiente para confirmar o início do jejum, então será suficiente também apenas uma pessoa para confirmar o seu fim. Na verdade, o que parece é que a opinião de Abu Thaur é a mais correta.

 

5-Os diferentes avistamentos da lua:

A maioria dos sábios disse que se a lua nova for vista em qualquer lugar do mundo, todos os muçulmanos devem começar o jejum. O Profeta (SAW) disse: “Jejuem quando a virem (a lua) e desjejuem quando a virem (a lua)”. Este hadith é uma ordem para todo o mundo muçulmano, ou seja, se uma pessoa vê a lua em qualquer lugar, todos os muçulmanos devem seguir o seu avistamento”.<--PAGEBREAK-->

Ikrimah, Al-Qasim Ibn Muhammad, Salem, Ishaq, os Hanafiyah e os Chaf'iyah dizem que o povo de cada país deve seguir o seu próprio avistamento e não é obrigado seguir o avistamento dos outros.

Kuraib disse que estava em uma viagem no Ach-Cham e viu a lua nova do Ramadan na noite de sexta-feira. Ao voltar para a Medina no final do mês, Ibn Abbas me perguntou: Quando foi que vocês viram a lua nova? Kuraib disse: Nós a vimos na noite de sexta-feira e Ibn Abbas retrucou: Você mesmo a viu? Ele respondeu que sim, que as pessoas também e que eles e Muawiyah jejuaram. Ibn Abbas disse: Mas nós a vimos na noite de sábado e não vamos desjejuar até completar trinta dias ou ver a lua nova. Kuraib perguntou: Não vai seguir o avistamento e o jejum de Muawiyah? Ele respondeu: Não, esta é a ordem do Mensageiro de Allah.

At-Tirmizhi disse que no livro Fath Al-Allam, o autor disse: A opinião mais correta é que cada país siga o seu próprio avistamento.

 

6-A lua nova vista por uma pessoa sozinha:

Os sábios concordam que aquele que vê a lua nova sozinho deve jejuar.

Ataa disse que essa pessoa não deve jejuar, pois a lua nova precisa ser vista por outras pessoas.

Em relação a lua nova de Chauwal, os sábios divergem, mas parece que a opinião de Ach-Chaf'i e Abu Thaur é a mais correta, pois o Profeta (SAW) disse: “Jejuem quando a virem (a lua) e desjejuem quando a virem (a lua)”. Baseado nesse Hadith, se a pessoa de fato viu a lua, então, deve jejuar ao ver a lua nova de Ramadan e desjejuar ao ver a lua nova de Chauwal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os pilares do Jejum

 

O jejum tem dois pilares que devem ser cumpridos para que seja válido. Eles são:

1-Abster-se de todos os desjejuns, desde a alvorada até o pôr do sol:

Allah diz: “Acercai-vos agora delas e desfrutai do que Deus vos prescreveu. Comei e bebei até à alvorada, quando podereis distinguir o fio branco do fio negro. Retornai, então ao, jejum, até ao anoitecer” (Alcorão 2:187).

Distinguir o fio branco do fio negro significa distinguir a claridade do dia da escuridão da noite. Adi Ibn Hatem disse que quando esse versículo foi revelado, levou um fio preto e um fio branco e os colocou debaixo do travesseiro. Durante a noite tentou distingui-los, mas não conseguiu. Pela manhã foi para o Mensageiro de Allah (SAW) e mencionou o fato e ele disse: “O fio negro é a escuridão da noite e o fio branco é a claridade do dia”.

2-A intenção:

Allah diz: “E lhes foi ordenado que adorassem sinceramente a Allah, e fossem monoteístas” (Alcorão 98:5).

O Profeta (SAW) disse: “As obras vêm determinadas pelas intenções. Assim, cada pessoa alcançará o que busca de acordo com suas intenções”.

A intenção deve ser feita antes do Fajr e durante todas as noites do Ramadan. Hafsah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Aquele que não intencionou jejuar antes do Fajr, o seu jejum não será válido”.

A intenção pode ser feita durante qualquer parte da noite e a pessoa não precisa pronunciá-la, pois, o seu lugar é o coração e não a língua.

Aquele que levanta de madrugada para fazer o Suhur com a intenção de jejuar em obediência a Allah, então, já realizou a intenção.

Durante o dia, se uma pessoa decide fazer o jejum voluntário em obediência a Allah, então, já realizou a intenção, mesmo que não tenha feito o Suhur.

Muitos dos juristas dizem que a intenção de fazer um jejum voluntário pode ser feita a qualquer momento do dia desde que a pessoa não tenha se alimentado. Aicha disse que certa vez, o Profeta (SAW) entrou em casa e perguntou: Você tem algo para comer? Ela disse que não. Ele disse: “Então, eu estou de jejum”.

Hanafiyah e o Chaf'iyah dizem que a intenção para o jejum voluntário deve ser feita antes do meio-dia.

Ibn Massud e Ahmad dizem que a intenção pode ser feita antes ou depois do meio-dia.<--PAGEBREAK-->

 

 

 

 

 

Quem deve jejuar

 

Todos os sábios concordam que o jejum é obrigatório para todo muçulmano adulto, são, saudável e residente. A mulher deve estar livre da impureza da menstruação e do pós-parto.

O incrédulo, o insano, o garoto, o doente, o viajante, o idoso, a mulher menstruada, a mulher no pós-parto, a grávida e a que está amamentando, todos esses não precisam fazer o jejum. Por exemplo:

- O incrédulo e o insano não podem jejuar absolutamente.

- Os pais e os responsáveis devem ordenar aos garotos jejuarem.

- Os doentes e os viajantes podem não fazer o jejum, mas devem jejuar depois o mesmo número de dias.

- A mulher menstruada ou que está no pós-parto não pode fazer o jejum e deve jejuar depois o mesmo número de dias.

- Os idosos e os doentes crônicos não precisam fazer o jejum, mas devem pagar um resgate.

 

1-O jejum do incrédulo e do insano:

O jejum é uma adoração islâmica, portanto, aquele que não é muçulmano não é obrigado a jejuar.

Em relação ao insano, Aicha relatou que o Profeta (SAW) disse: “Não há nenhuma obrigação para três pessoas: Aquele que está dormindo até que acorde, a criança até que se torne adulta e aquele que é insano, até que se torne são”.

 

 

2-O jejum do garoto:

Embora o jejum não seja obrigatório para os garotos, os pais e os responsáveis devem ordená-los a fazê-lo para treiná-los e os acostumá-los a fazê-lo quando se tornarem adultos.

Ar-Rabi'ah Bint Muawiyah relatou que na manhã do dia de Achuraa, O Mensageiro de Allah (SAW) enviou um homem para as residências de Al-Ansar e o ordenou a dizer: Aquele que amanheceu em jejum, deve completar o seu jejum. Aquele que amanheceu em desjejum, deve jejuar o restante do dia. Depois disso, começaram a jejuar o dia de Achuraa junto com os garotos. Ao ir para a mesquita, nos levaram uns brinquedos de pelúcia com algodão para quando um garoto começasse a chorar devido a fome, davam-lhe um brinquedo para brincar até chegar a hora do desjejum.

 

3-Aqueles que podem desjejuar, mas devem pagar um resgate:

Os idosos, as idosas, os doentes crônicos e os trabalhadores que executam serviços pesados e que não conseguem encontrar outra maneira para se sustentar, todas essas pessoas estão autorizadas a quebrarem o jejum, mas devem pagar um resgate, alimentando um necessitado para cada dia que eles não jejuarem.

Os sábios divergem sobre a quantidade de alimento que deve ser fornecida. Uns dizem que é um Saa, outros dizem que é meio Saa ou um Madd. Na Sunnah, não foi mencionada a quantidade exata que deve ser dada.

Ibn Abbas disse que o idoso pode não jejuar, mas deve alimentar uma pessoa pobre diariamente e não precisa repor os dias que ele não jejuou.

Ataa disse que ouviu Ibn Abbas recitar o versículo: “Mas quem, só à custa de muito sacrifício, consegue cumpri-lo, vier a quebrá-lo, redimir-se-á, alimentando um necessitado” (Alcorão 2:184). Então, Ibn Abbas disse que esse versículo não foi revogado, que ele é para os idosos e as idosas que são incapazes de jejuar e que devem alimentar uma pessoa pobre por cada dia que não jejuaram.

Na verdade, os doentes crônicos e as pessoas que trabalham sob circunstâncias difíceis também podem desjejuar e alimentar uma pessoa pobre por cada dia que não jejuaram.

O Cheikh Muhammad Abdu disse: O versículo “Mas quem, só à custa de muito sacrifício, consegue cumpri-lo, vier a quebrá-lo, redimir-se-á, alimentando um necessitado” (Alcorão 2:184), é para as pessoas idosas, os doentes crônicos, os trabalhadores que trabalham sob circunstâncias difíceis, os criminosos que são condenados a prisão perpétua com trabalhos forçados e assim por diante.

 

3-As Mulheres grávidas ou que estão amamentando:

Ibn Abbas e Ibn Omar dizem que se uma mulher que está grávida ou amamentando teme, por si ou por seu bebê, pode quebrar o jejum, pagar o resgate e não precisa repor os dias que ela não jejuou.

Ikrimah relatou que Ibn Abbas costumava dizer para a sua mulher grávida: Você está na mesma situação daquele que, só às custas de muito sacrifício, consegue cumpri-lo, então, pague o resgate e não precisa repor os dias que você não jejuou.<--PAGEBREAK-->

Nafi 'relatou que Ibn Omar foi perguntado sobre a mulher grávida que teme por seu bebê e ele respondeu: Ela pode quebrar o jejum e oferecer para uma pessoa pobre um Madd de trigo por dia.

O Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Allah isentou o viajante do jejum e da metade da oração e isentou a grávida e aquela que está amamentando do jejum”.

Hanafiyah, Abu Ubaid e Abu Thaur dizem que elas devem repor os dias que não jejuaram e não precisam pagar o resgate.

Ahmad e Ach-Chaf'i dizem que se a mulher teme só por o seu bebê, deve pagar o resgate e jejuar os dias que não jejuou, se teme por si mesma ou por si e por seu bebê, deve apenas repor os dias que não jejuou.

 

4-Aqueles que podem desjejuar, mas devem repor:

Os doentes não crônicos e os viajantes podem desjejuar durante o Ramadan, mas devem repor os dias que não jejuaram. Allah disse: “Jejuareis determinados dias; porém, quem de vós não cumprir o jejum, por achar-se enfermo ou em viagem, jejuará, depois, o mesmo número de dias” (Alcorão 2:184).

Muazh relatou que quando Allah prescreveu o jejum ao Profeta (SAW) e disse: “Ó fiéis, está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito a vossos antepassados, para que temais a Deus. Jejuareis determinados dias; porém, quem de vós não cumprir o jejum, por achar-se enfermo ou em viagem, jejuará, depois, o mesmo número de dias. Mas quem, só às custas de muito sacrifício, consegue cumpri-lo, vier a quebrá-lo, redimir-se-á, alimentando um necessitado” (Alcorão 2:183-184). Algumas pessoas jejuavam e outras pagavam o resgate e isso era válido. Mas quando foi revelado o versículo: “O mês de Ramadan foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e evidência de orientação e discernimento. Por conseguinte, quem de vós presenciar o novilúnio deste mês deverá jejuar; porém, quem se achar enfermo ou em viagem jejuará, depois, o mesmo número de dias” (Alcorão 2:185), então, foi afirmado que o residente saudável deve jejuar. O viajante e o doente podem desjejuar, mas devem jejuar depois o mesmo número de dias. As pessoas idosas e os doentes crônicos podem desjejuar, mas devem alimentar um necessitado.

No livro Al-Mughni o autor disse que alguns dos primeiros sábios dizem que qualquer tipo de doença permite a pessoa quebrar o jejum, mesmo que seja uma lesão no dedo ou uma dor de dente. Eles basearam a sua opinião no seguinte:

1-O sentido geral do versículo.

2-O viajante pode quebrar o jejum, mesmo que ele não necessite e portanto, o mesmo deve ser o caso daquele que está doente.

Na verdade, aquele que é saudável, mas teme de ficar doente por causa do jejum e aquele que é superado pela fome ou pela sede e teme que possa morrer por causa disso, podem desjejuar e jejuar depois, o mesmo número de dias. Allah diz: “E não cometais suicídio, porque Deus é Misericordioso para convosco” (Alcorão 4:29) e também: “E não vos impôs dificuldade alguma na religião” (Alcorão 22:78).

Se uma pessoa doente executa o jejum, o seu jejum será válido, mas isso não é recomendado, pois, dessa maneira, a pessoa recusou a permissão que Allah lhe deu e causou muito sofrimento a si mesmo.

Durante a vida do Profeta (SAW), alguns dos companheiros jejuavam quando estavam doentes, enquanto outros não, seguindo assim os ensinamentos do Profeta (SAW).

Hamzah Al-Aslami disse ao Profeta (SAW): Ó Mensageiro de Allah, eu sou um homem forte para viajar em jejum, posso jejuar durante a viagem? O Profeta (SAW) respondeu: “Essa é uma concessão de Allah, é bom usá-la, mas se a pessoa prefere jejuar, não será culpada”.

Abu Said Al-Khudri relatou que viajavam com o Mensageiro de Allah (SAW) para Meca enquanto estavam em jejum. Quando chegaram a um certo lugar, o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Vocês estão chegando perto dos seus inimigos, se vocês quebrarem o jejum estarão mais fortes!” Então, alguns continuaram o jejum e alguns o quebraram. Ao chegar a um outro lugar, o Profeta (SAW) disse: “Pela manhã, vocês vão enfrentar os seus inimigos, se vocês quebrarem o jejum estarão mais fortes!” Então, todos quebraram o jejum. Essa foi uma concessão, pois, depois disso, sempre executamos o jejum junto com o Profeta (SAW) durante as viagens.

Abu Said Al-Khudri também disse que nas expedições com o Profeta (SAW) no mês de Ramadan, alguns jejuavam e outros não. O jejuador não censurava o desjejuador e este não censurava aquele, porque achavam que aquele que tinha forças para jejuar e jejuava estava certo e aquele que se encontrava em debilidade e não jejuava também estava certo.<--PAGEBREAK-->

 

Qual é o melhor para o viajante e o doente, jejuar ou desjejuar?

Os juristas divergem sobre esse ponto:

Abu Hanifah, Ach-Chafi'i e Malik são da opinião de que, se a pessoa tem forças para jejuar, é melhor jejuar. Se a pessoa se encontra em debilidade, é melhor quebrar o jejum.

Ahmad disse que o melhor é quebrar o jejum.

Omar Ibn Abdul-Aziz disse que o melhor dos dois atos é o que é mais fácil para a pessoa. Se a pessoa acha que jejuar agora é mais fácil do que repor depois, então, jejuar é melhor.

Ach-Chaukani disse que aquele que se encontra em debilidade e aquele que teme que um jejum durante a viagem irá colocá-lo em ostentação, nesses dois casos, quebrar o jejum é melhor. Mas geralmente, jejuar é melhor do que desjejuar.

O viajante que teve intenção durante a noite de jejuar e amanheceu em jejum, pode quebrar o seu jejum durante o dia.

Jaber Ibn Abdullah relatou que no ano da conquista, O Mensageiro de Allah (SAW) e os companheiros partiram para Meca em jejum. Depois do Asr, ao chegar ao vale Kuraa Al-Ghamim, uns companheiros disseram para o Profeta (SAW) que as pessoas estavam debilitadas e o jejum estava sendo difícil. Então, ele pediu um copo de água, elevou para que o povo pudesse vê-lo, e bebeu. Mais tarde, ao saber que algumas pessoas continuaram a jejuar, ele disse: “Esses são os desobedientes”.

Se uma pessoa residente teve a intenção de jejuar, mas decidiu viajar durante o dia, a maioria dos sábios afirmam que ele deve jejuar. Ahmad e Ishaq dizem que ele pode quebrar o jejum, pois Muhammad Ibn Kaab disse que visitou Anas Ibn Malik durante o Ramadan enquanto ele estava para viajar. Ele estava com as roupas de viagem e sua montaria foi preparada. Então, ele pediu um alimento e comeu. Muhammad Ibn Kaab lhe perguntou: Isto é uma Sunnah? Ele disse que sim. Então, montou seu animal e viajou.

Ubaid Ibn Jubair disse que durante o Ramadan, montou em um navio com Abu Basrah Al-Ghafari de Al-Fustat. Ele preparou a sua comida e disse: Vem comer. Ubaid disse: Estamos ainda entre as casas dentro da cidade! Abu Basrah perguntou: Você não quer seguir a Sunnah do Mensageiro de Allah (SAW)?

Ach-Chaukani disse que estes dois hadith provam que o viajante pode quebrar o jejum antes que começe a sua viagem.

Ibn Al-Arabi disse que o hadith de Anas é uma prova que o viajante pode quebrar o jejum já quando está se preparando para viajar.

 

A distância necessária para poder desjejuar:

A distância necessária para poder desjejuar é a mesma que é necessária para abreviar a oração e o período que o viajante pode desjejuar é o mesmo que ele pode abreviar a oração.

Todas as opiniões sobre esse ponto foram discutidos na parte: A oração durante a viagem.

Ahmad, Abu Daud, Al-Baihaqi e At-Tahawi relataram que Mansur Al-Kalbi disse que certa vez, Duhiah Ibn Khalifah partiu de um vilarejo perto de Damasco durante o Ramadan. Ao chegar a uma curta distância, quebrou o jejum. Algumas pessoas que o acompanhavam fizeram o mesmo e outras não concordaram em desjejuar. Quando retornou para a cidade, ele disse: Hoje, eu vi um ato que eu pensava que jamais iria ver. Alguns viajantes não quiseram quebrar o jejum e não seguiram a orientação do Mensageiro de Allah (SAW) e a orientação de seus companheiros. Então ele disse: Ó Allah, leva-me a Ti.

 

 

5-Aqueles que devem desjejuar e repor depois:

Os sábios concordam que as mulheres menstruadas e as mulheres que estão no pós-parto, são obrigadas a quebrar o jejum e devem jejuar depois o mesmo numero de dias.

Se uma mulher menstruada ou no pós-parto, jejua, o seu jejum será inválido.

Aicha disse que durante a menstruação, o Mensageiro de Allah (SAW) nos ordenou a repor o jejum e não repor a oração.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dias que não podem ser jejuados

 

1-Os dois Eyd:

Todos os sábios concordam que é proibido jejuar nos dois Eyd, independente se o jejum é obrigatório ou voluntário. Omar disse que o Mensageiro de Allah (SAW) proibiu o jejum nesses dois dias. Em relação ao Eyd Al-Fitr, é para vocês quebrarem os seus jejuns do Ramadan e em relação ao Eyd Al-Adha, é para vocês comerem das suas oferendas.

 

2-Os três dias seguintes ao Eyd Al-Adha (Aiyam Al-Tachriq):

Não é permitido jejuar durante os três dias seguintes ao Eyd Al-Adha.

Abu Hurairah relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) enviou Abdullah Ibn Huzhaqah para anunciar em Mina que não jejuassem esses dias, pois são dias de comer, beber e recordar Allah.<--PAGEBREAK-->

Os seguidores de Ach-Chaf'i permitem o jejum nos dias de Tachriq se houver alguma razão para isso, por exemplo uma promessa, expiação ou para repor os dias que foram desjejuados no Ramadan. Eles disseram que esse ato é semelhante ao caso das orações, que em certos horários não é permitido realizá-las, mas em casos específicos podem ser realizadas. Por exemplo, a oração de saudação à mesquita (Tahiyat Al-Masjid) que pode ser realizada em qualquer horário.

 

 

3-Jejuar especificamente o dia de sexta-feira:

O dia de sexta-feira é um Eyd semanal para os muçulmanos e, portanto, é proibido jejuar nesse dia.

A maioria dos sábios disse que jejuar na sexta-feira é um ato não recomendado, mas não é completamente proibido.

Se a pessoa jejua um dia antes (na quita-feira) ou um dia depois (no sábado), tem certo costume de jejum mensal (por exemplo, o 13 º, 14 º ou 15 º dia do mês) ou se é o dia de Arafah ou Achuraa, então, nesses casos, o jejum na sexta-feira é permitido.

Abdullah Ibn Amr relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) entrou na casa de sua esposa Juairiyah Bint Al-Harith enquanto ela estava em jejum na sexta-feira e perguntou a ela: “Você jejuou ontem?” Ela respondeu que não e ele disse: “Você pretende jejuar amanhã?” Ela respondeu que não e ele disse: “Então, quebre o seu jejum”.

Amr Al-Achaari relatou que ouviu o Mensageiro de Allah (SAW) dizer: “O dia de sexta-feira é vosso Eyd, então, não jejuem nele exceto quando vocês jejuarem um dia antes (quita-feira) ou um dia depois (sábado)”.

Ali disse: Fazei o jejum voluntário na quinta-feira em vez de sexta-feira, pois, a sexta-feira é dia de comer, beber e recordar Allah.

Jaber relatou que o Profeta (SAW) disse: “Não jejueis na sexta-feira, a menos que vocês tenham jejuado um dia antes (quinta-feira) ou pretendam jejuar um dia depois (sábado)”.

Abu Hurairah relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Não especifiqueis a noite de sexta-feira para as orações voluntárias, nem o dia de sexta-feira para o jejum, salvo se for no decurso de outros dias de jejum”.

 

 

4-Jejuar especificamente o dia de Sábado:

Busr As-Salmi narrou que a sua irmã As-Samaa relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Não especifiqueis o dia de sábado para o jejum a menos que seja um jejum obrigatório, mesmo se a pessoa não encontrar nada além do bagaço de uva ou um ramo de uma árvore para mastigar”.

Jejuar especificamente no sábado é um ato não recomendado, pois ele é um dia honrado pelos Judeus.

Em contradição com o hadith anterior, Umm Salamah afirma que o Profeta (SAW) costumava jejuar com mais frequência nos sábados e nos domingos do que nos outros dias. Ele dizia: “São os Eyds dos politeístas e eu quero me diferenciar deles”.

Al-Hanafiyah, Ach-Chaf'iyah e Al-Hanabilah dizem que não é recomendado jejuar especificamente no sábado.

Malik disse que a pessoa pode jejuar somente no dia de sábado.

 

5-O dia da dúvida (Yaum Ach-Chak):

O dia da dúvida (Yaum Ach-Chak) é o dia que segue vinte e nove do mês do Chaaban, quando a lua está encoberta. Nesse caso, as pessoas ficam com dúvida, se esse dia é trinta do Chaaban ou primeiro de Ramadan.

Ammar Ibn Yasser disse que aquele que jejua no dia da dúvida, desobedece a Abu Al-Qasim, Muhammad (SAW).

Essa é a opinião de Sufian Ath-Thauri, Malik Ibn Anas, Abdullah Ibn Al-Mubarak, Ach-Chaf 'i, Ahmad e Ishaq.

A maioria dos sábios disse que se a pessoa jejua no dia da dúvida e descobre mais tarde que esse dia é o primeiro do Ramadan, então deve repor depois.

A maioria dos sábios disse também que a pessoa pode jejuar nesse dia se for no decurso de outros dias de jejum.

Abu Hurairah relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Não precedeis o Ramadan fazendo o jejum de um ou dois dias antes, a menos que seja no decurso de outros dias de jejum. Nesse caso, a pessoa pode jejuar nesse dia”.

At-Tirmizhi disse que a grande maioria dos sábios segue esse hadith.

 

6-Jejuar todos os dias do ano:

É proibido jejuar todos os dias do ano, pois há certos dias durante o ano que o jejum é absolutamente proibido.

O Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Não há jejum válido para quem jejua perpetuamente”.

Se a pessoa quebra o seu jejum nos dias de Eyd e nos dias do Tachriq, então o seu jejum não é mais rejeitado.<--PAGEBREAK-->

At-Tirmizhi disse que um grupo de sábios disse que jejuar todos os dias do ano é um ato rejeitado, a menos que a pessoa quebre o seu jejum nos dias do Eyd e nos dias do Tachriq. Essa também é a opinião de Malik, Ach-Chaf'i, Ahmad e Ishaq.

Quando Hamzah Al-Aslami perguntou para o Profeta (SAW) se podia jejuar nas suas viagens, o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Se tu quiseres podes jejuar e se quiseres, também podes quebrar o teu jejum”.

O melhor para a pessoa é jejuar um dia e não jejuar no outro. Esse é o jejum preferido por Allah.

 

 

 

7-O jejum voluntário da mulher na presença do seu marido:

O Mensageiro de Allah (SAW) proibiu a mulher de jejuar voluntariamente quando seu marido estiver presente, a não ser com a sua permissão.

Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “A mulher não pode jejuar nenhum dia, enquanto o seu marido estiver presente, exceto com sua permissão e a menos que seja durante o Ramadan”.

Os sábios permitem que o marido quebre o jejum voluntário da sua esposa se ela jejuou sem a sua permissão. Isso é para o jejum voluntário, mas no jejum do Ramadan, a mulher não precisa da permissão do marido para jejuar.

Se o marido estiver viajando, sua mulher pode jejuar sem a sua permissão, mas quando ele voltar, ele pode quebrar o jejum da esposa.

Se o marido estiver doente ou sexualmente incapaz, a mulher pode jejuar sem a sua permissão.

 

8-Ficar dia e noite em jejum (Al-Wissal):

Abu Hurairah relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Não fiqueis dia e noite em jejum”. Ele repetiu isso três vezes. As pessoas disseram-lhe: Mas você faz isso, ó Mensageiro de Allah! Ele disse: “Vocês não são iguais a mim, pois Allah me alimenta e me dá de beber. Então, fazei das obras, aquela que vocês são capazes de fazer”.

Ahmad, Ishaq e Ibn Al-Munzhir dizem que a pessoa pode ficar em jejum até a madrugada se for capaz de fazer isso.

Abu Said Al-Khudri relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Não fiqueis dia e noite em jejum. Se um de vocês insistir em continuar seu jejum depois do Maghrib, então que fique até a madrugada”.

 

Zakat Al-Fitr

 

No mês de Ramadan, o Zakat Al-Fitr deve ser pago por todos os muçulmanos: jovens e velhos, homens e mulheres, livres e escravos.

Ibn Omar disse que o Profeta (SAW) ordenou pagar o zakat Al-Fitr um Saa (O Saa é equivalente a 2172 gramas.) de tâmara ou de cevada. Isso é um dever de todo muçulmano, jovens e idosos , homens e mulheres, livres e escravos.

O zakat Al-Fitr foi legislado no mês de Chaaban no segundo ano da Hégira para purificar o jejuador de possível conversa ou linguagem obscena e para ajudar os pobres e os necessitados. Ibn Abbas disse que o Mensageiro de Allah (SWA) ordenou pagar o Zakat Al-Fitr para purificar o jejuador de uma possível conversa ou linguagem obscena e para dar de comer aos pobres. Se pagá-lo antes da oração, será válido e se pagá-lo depois da oração, será apenas uma caridade.

 

1-Quem deve pagar o Zakat Al-Fitr:

Todo muçulmano livre que possua um Saa de tâmara ou de cevada, e que não necessita desses alimentos para se alimentar ou alimentar a sua família durante um dia e uma noite, deve pagar o zakat Al-Fitr por si mesmo, por sua esposa, seus filhos e seus servos.

 

2-A quantia do Zakat Al-Fitr:

Zakat Al-Fitr é um Saa de trigo, cevada, uvas passas, arroz, milho ou outros alimentos semelhantes considerados básicos. Abu Hanifah permitiu pagar o zakat Al-Fitr com um valor equivalente e também disse que se isso for pago em trigo, a metade de um Saa seria o suficiente.

At-Tirmizhi disse que Ach-Chaf'i, Ishaq e alguns sábios dizem que o zakat Al-Fitr é um Saa de qualquer um dos itens. Mas Sufian, Ibn Al-Mubarak, os sábios de Kufah e alguns outros sábios dizem que o zakat Al-Fitr é um Saa de qualquer um dos itens, exceto o trigo, do qual apenas metade de um Saa seria o suficiente.

 

3-Quando o Zakat Al-Fitr deve ser pago:

Os juristas concordam que o zakat Al-Fitr deve ser pago no final do Ramadan.

Ath-Thauri, Ahmad, Ishaq, Ach-Chaf'i e Malik em um de seus relatórios, dizem que o tempo para pagar o zakat Al-Fitr é o pôr do sol da noite de último dia do Ramadan. Abu Hanifah, Al-Laith e Malik no seu segundo relatório dizem que o zakat Al-Fitr deve ser pago no início do Fajr do dia do Eyd.<--PAGEBREAK-->

A partir dessas duas opiniões, o bebê que nasce depois do pôr do sol e antes do amanhecer do dia do Eyd, já deve ter pago o seu zakat Al-Fitr ou não? De acordo com a primeira opinião, o zakat Al-Fitr não deve ser pago, pois o bebê nasceu após o tempo prescrito, enquanto de acordo com a segunda opinião, o zakat Al-Fitr deve ser pago, pois o bebê nasceu dentro do tempo prescrito.

A maioria dos sábios diz que a pessoa pode pagar o zakat Al-Fitr um ou dois dias antes do Eyd.

Ibn Omar disse que o Mensageiro de Allah (SAW) ordenou-nos a pagar o zakat Al-Fitr antes que o povo saia para realizar a oração do Eyd.

Nafi disse que Ibn Omar pagava o zakat Al-Fitr um ou dois dias antes do Eyd. Abu Hanifah disse que é permitido pagá-lo mesmo antes do Ramadan.

Ach-Chaf'i disse que pode pagá-lo no início do Ramadan.

Malik e Ahmad dizem que é permitido pagá-lo apenas um ou dois dias de antecedência.

Todos os juristas concordam que o zakat Al-Fitr é uma obrigação e a pessoa deve pagá-lo e não será inválido se, simplesmente não pagá-lo na sua data certa. Se for o caso, torna-se uma dívida e a pessoa deve pagá-lo mesmo que seja no último dia da sua vida.

Eles também concordam que não é permitido pagá-lo depois do dia do Eyd, mas Ibn Sirin e An-Nakha'i dizem que pode ser pago mesmo depois do Eyd.

Ibn Rislan disse que atrasar o pagamento do Zakat Al-Fitr é o mesmo que executar a oração com atraso, os dois atos são pecados, pois o Profeta (SAW) disse: “Se pagá-lo antes da oração (do Eyd), será válido e se pagá-lo depois da oração, será apenas uma caridade”.

 

4-A distribuição do Zakat Al-Fitr:

A distribuição do zakat Al-Fitr é a mesma que a do zakat anual e seus beneficiários são os mesmos , ou seja, os oito grupos mencionados no versículo em que Allah diz: “As esmolas são tão somente para os pobres, para os necessitados, para os funcionários empregados em sua administração, para aqueles cujos corações têm de ser conquistados, para a libertação dos escravos, para os endividados, para a causa de Deus e para o viajante; isso é um preceito emanado de Deus, porque é Sapiente, Prudentíssimo” (Alcorão 9:60).

O pobre é considerado o mais merecedor do zakat Al-Fitr. O Profeta (SAW) disse: “Zakat Al-Fitr é para purificar o jejuador de uma possível conversa afiada ou linguagem obscena e para dar de comer aos pobres”.

Ibn Omar disse que o Mensageiro de Allah (SAW) ordenou-nos a pagar o zakat Al-Fitr e também disse: “Livrai-os da necessidade neste dia”.

 

 

 

5-Dar Zakat Al-Fitr ao Zhimmi (Judeu ou Cristão que vive em um estado Islâmico):

Az-Zuhri, Abu Hanifah, Muhammad e Ibn Chubrumah dizem que a pessoa pode pagar o zakat Al-Fitr para um Zhimmi. Allah diz: “Deus nada vos proíbe, quanto àquelas que não nos combateram pela causa da religião e não vos expulsaram dos vossos lares, nem que lideis com eles com gentileza e equidade, porque Deus aprecia os equitativos” (Alcorão 60:8).

 

 

 

 

 

 

 

 

O Jejum voluntário

 

O Profeta (SAW) exortou a sua nação a jejuar durante os seguintes dias:

 

1-Jejuar os seis dias do mês de Chauwal:

Abu Ayyub Al-Ansari relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quem cumpre o jejum durante o mês de Ramadan, seguido do jejum dos seis dias de Chauwal, será recompensado como se tivesse jejuado durante toda a vida”.

Ahmad disse: Os seis dias do Chauwal podem ser jejuados consecutivamente ou separadamente.

Abu Hanifah e Ach-Chafi'i dizem que o preferível é jejuá-los consecutivamente, após o Eyd.

 

2-Jejuar os primeiros dez dias de Zhul-Hijjah:

Hafsah relatou que há cinco atos que o Profeta (SAW) nunca abandonou: Jejuar o dia de Achuraa, jejuar os primeiros dez dias de Zhul-Hijjah, jejuar três dias de cada mês e rezar as duas Raka’a do Dhuha.

 

3- Jejuar o dia de Arafah, para aqueles que não estão realizando a peregrinação:

Abu Qatadah relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “O jejum no dia de Arafah expia as faltas do ano anterior e do ano seguinte e o jejum de Achuraa expia as faltas do ano anterior”.

Uqbah Ibn Amer relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “O dia de Arafah, o dia do Adha e os dias de Tachriq são Eyds para nós, o povo do Islam, e eles são dias de comer e beber”.<--PAGEBREAK-->

Abu Hurairah disse que o Mensageiro de Allah (SAW) proibiu o jejum no dia de Arafah para aqueles que estão no Arafah (na peregrinação).

At-Tirmizhi disse que os sábios recomedam o jejum no dia de Arafah, a menos que a pessoa esteja no Arafah.

Umm Al-Fadhl disse que as pessoas estavam em dúvida se o Profeta (SAW) estava em jejum no dia de Arafah. Então, enviou-lhe um pouco de leite e ele bebeu enquanto estava fazendo um discurso para o povo no Arafah.

 

4-Jejuar durante o mês de Muharram:

Abu Hurairah disse que perguntaram ao Profeta (SAW) qual é a melhor oração após as orações obrigatória e ele respondeu que é a oração no meio da noite. Perguntaram depois qual é o melhor jejum após o jejum de Ramadan e ele disse: “O mês de Allah que vocês chamam de Muharram”.

 

5-Jejuar no Achuraa (dia dez do mês de Muharram):

Muawiyah Ibn Abu Sufian relatou que ouviu o Mensageiro de Allah (SAW) dizer: “Esse dia é o dia de Achuraa, vocês não são obrigados a jejuá-lo. Mas quem quiser pode jejuar e quem não quiser não é obrigado a fazê-lo”.

Aicha disse que antes do Islam, os coraixitas costumavam jejuar no dia da Achuraa e o Profeta (SAW) fazia o mesmo. Quando ele chegou a Medina, jejuou esse dia e ordenou as pessoas a jejuá-lo. Mas quando Allah presceveu o jejum durante o mês do Ramadan, ele disse: “Quem quiser, pode jejuar o dia de Achuraa e quem quiser pode não jejuá-lo”.

Ibn Abbas disse que quando o Profeta (SAW) chegou a Medina, os judeus jejuavam no dia de Achuraa. Ele perguntou-lhes: “Que dia é esse?” Eles disseram: Um grande dia, esse é o dia que Allah salvou Moisés e as tribos de Israel de seus inimigos e Moisés jejuou neste dia. O Profeta (SAW) disse: “Eu sou mais próximo a Moisés do que vocês”. Então, ele jejuou nesse dia e ordenou as pessoas a jejuar.

Abu Mussa Al-Achaari disse que os judeus honravam o dia de Achuraa como se fosse um Eyd e o Profeta disse: “Jejuem nesse dia”.

Ibn Abbas disse que o Mensageiro de Allah (SAW) jejuou o dia de Achuraa e ordenou as pessoas a jejuá-lo. O povo disse: Ó Mensageiro de Allah, é um dia honrado pelos judeus e pelos cristãos. O Profeta (SAW) disse: “Se eu sobreviver até o próximo ano, jejuarei o Nono (Dia nove de Muharram)”. Porém, o Profeta (SAW) faleceu antes do ano seguinte e isso quer dizer que o Profeta (SAW) iria jejuar o nono e o décimo dia de Muharram.

Os sábios dizem que o jejum de Achuraa é de três níveis:

1-O jejum de três dias, ou seja, nos dias 9, 10 e 11 do mês de Muharram;

2-O jejum nos dias 9 e 10;

3-O jejum somente no dia 10.

 

Ser generoso no dia da Achuraa: Jaber Ibn Abdullah relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Aquele que é generoso para si mesmo e para sua família no dia de Achuraa terá a generosidade de Allah o ano inteiro”.

 

6-Jejum a maior parte do mês de Chaaban:

O Profeta (SAW) jejuava a maior parte do mês de Chaaban. Aicha disse que nunca viu o Mensageiro de Allah (SAW) jejuar todo o mês exceto no mês de Ramadan e nunca viu ele jejuar muito como o fazia no mês de Chaaban.

Ussamah Ibn Zaid disse ao Mensageiro de Allah(SAW): Você jejua durante o mês de Chaaban mais do que nos outros mêses! O Profeta (SAW) disse: “Esse é um mês que as pessoas o negligenciam por estar entre Rajab e Ramadan, mas nele as obras são levantadas e levadas ao Senhor dos Mundos, e eu gostaria que minhas obras fossem levantadas enquanto eu estiver em jejum”.

Algumas pessoas jejuam especificamente dia quinze de Chaaban, pensando que o jejum nesse dia contém mais virtudes do que nos outros dias, mas esse é um ato sem fundamento.

 

7-Jejuar durante os meses sagrados (Al-Achhur Al-Hurum):

O jejum é altamente recomendado durante os quatro meses sagrados: Zhul-Qi'dah, Zhul-Hijjah, Muharram e Rajab.

Um homem de Bahila veio ao Profeta (SAW) e disse: Ó Mensageiro de Allah, eu sou o homem que veio até ti no ano passado. O Profeta (SAW) disse: “O que houve? Você mudou muito!” O homem respondeu: Desde que eu me despedi de ti, passei a comer somente durante a noite. O Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Por que você se castigou desse jeito? Jejue o mês da paciencia (Ramadan) e um dia por mês!” O homem disse: Eu sou capaz de jejuar mais do que isso. O Profeta (SAW) respondeu: “Então, jejue dois dias por mês”. O homem disse: Eu posso jejuar mais. O Profeta (SAW) disse: “Jejue dias dos meses sagrados, em seguida desjejue, jejue dias dos meses sagrados, em seguida desjejue, jejua dias dos meses sagrados, em seguida desjejue”.

O jejum no mês de Rajab não contém virtude mais do que em outro mês.

 

 

8-Jejuar as segundas-feiras e as quintas-feiras:

Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) jejuava as segundas-feiras e as quintas-feiras. Ao ser perguntado sobre isso, ele disse: “As ações das pessoas são apresentadas nas segundas-feiras e nas quintas-feiras e Allah perdoa as faltas de todo muçulmano crente, exceto aqueles que estão em inimizade um com outro. Será dito a respeito deles: Adiai a questão desses dois”.

Em relação ao jejum de segunda-feira, o Profeta (SAW) disse: “Esse é o dia em que eu nasci e o dia em que eu recebi a revelação”.<--PAGEBREAK-->

 

9- Jejuar três dias de cada mês:

Abu Zharr Al-Ghafari disse que o Mensageiro de Allah (SAW) lhes ordenou jejuar por três dias de cada mês, nos dias de lua cheia (13°, 14° e 15° dia do mês lunar) e disse: “É como se tivesse jejuado durante toda a vida”.

O Profeta (SAW) jejuou um mês no sábado, domingo e segunda-feira; em outro mês, na terça-feira, quarta-feira e quinta-feira; num outro mês, os primeiros três dias e às vezes, na primeira quinta-feira do mês e as duas segundas-feiras seguintes.

 

10- Jejuar um dia sim e um dia não:

Abdullah Ibn Amr relatou que o Profeta (SAW) disse-lhe: “Foi informado que você passa a noite toda em oração e passa o dia todo em jejum!” E respondeu que sim. O Profeta (SAW) então disse: “Jejue e desjejue, ore e durma, pois, o teu corpo, a tua esposa e os teus hóspedes têm direitos sobre ti. Basta jejuar três dias de cada mês”. Abdullah disse-lhe: Ó Mensageiro de Allah, tenho força para fazer muito mais. E o Profeta (SAW) respondeu: “Neste caso, jejue três dias por semana”. Abdullah disse: Tenho força para jejuar ainda mais! O Profeta (SAW) complementou: “Então, jejue o jejum do Profeta Davi (AS) e não faça mais do que isto!” Ele então, perguntou qual era o jejum do profeta Davi (AS) e o Profeta (SAW) respondeu: “Ele jejuava um dia e desjejuava no outro”.

Abdullah Ibn Amr também relatou que o Profeta (SAW) disse: “O jejum mais apreciado por Allah é o jejum de Davi e a oração mais apreciada por Allah é a oração de Davi. Ele dormia a primeira metade da noite, praticava a oração durante um terço da noite e voltava dormir a sexta parte restante. Jejuava dia sim e dia não”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A pessoa pode quebrar o seu jejum voluntário

 

Umm Hani relatou que o Profeta (SAW) entrou em sua casa no dia da conquista de Meca. Ele bebeu um pouco de água, ofereceu a Umm Hani e ela disse que estava de jejum. O Profeta (SAW) disse: “Quem estiver em jejum voluntário é que decide. Se quiser, pode jejuar e se quiser pode quebrar o jejum”.

Abu Juhaifah disse que o Profeta (SAW) estabeleceu um laço de irmandade entre Salman e Abu Ad-Dardaa. Certa vez, Salman visitou Abu Ad-Dardaa e viu Umm Ad-Dardaa vestindo roupas muito simples. Quando perguntou-lhe porque estava nesse estado, ela disse: Teu irmão Abu Ad-Dardaa não está interessado nos luxos deste mundo. Pouco depois, Abu Ad-Dardaa chegou e preparou uma comida para Salman e disse-lhe: Coma, pois eu estou de jejum. Salman respondeu: Se não comeres comigo, não comerei. Então Abu Ad-Dardaa sentou-se para comer com seu amigo. À noite, Abu Ad-Dardaa levantou-se para orar, então, Salman disse-lhe para dormir. Logo depois, Abu Dardaa tentou levantar-se novamente e Salman lhe disse que continuasse dormindo, e Abu Ad-Dardaa novamente dormiu. No final da noite, Salman lhe disse que levantasse e ambos realizaram a oração. Ao terminar, Salman disse a Abu Ad-Dardaa: Teu Senhor tem direito sobre ti, tua alma tem direito sobre ti e tua família tem direito sobre ti. Então, dê a cada um o seu direito devido. Abu Ad-Dardaa narrou esta história ao Profeta (SAW) e ele disse: “Salman disse a verdade”.

Abu Said Al-Khudri disse que certa vez, preparou uma comida para o Profeta (SAW). Então, ele veio até sua casa junto com alguns de seus companheiros. Quando a comida foi colocada, um dos companheiros disse que estava de jejum. O Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Seu irmão lhes convidou e se dedicou a fazer comida para vós, então quebre o seu jejum e jejue outro dia se quiser”.

A maioria dos sábios disse que a pessoa pode quebrar o seu jejum voluntário e que o preferível é jejuar esse dia depois.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Normas ao fazer o jejum

 

1-O Suhur:

Todos os sábios concordam que é preferível fazer o Suhur e que não há nenhum pecado em cima daquele que não o faz. Anas relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Façam o Suhur, pois há bênção nesse ato”.

Al-Miqdam Ibn Maid Yakrib relatou que o Profeta (SAW) disse: “Façam o Suhur, pois é um alimento abençoado”.

A razão pela qual o Suhur é uma benção é que ele fortalece o jejuador, o faz mais enérgico e torna o seu jejum mais fácil.

No Suhur, a pessoa pode comer uma quantidade pequena ou grande de alimentos, ou mesmo apenas beber um gole de água. Abu Said Al-Khudri relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “O Suhur é uma bênção, por isso vocês não devem negligenciá-lo mesmo que tomem apenas um gole de água. Em verdade, Allah e os seus anjos abençoam aqueles que fazem o Suhur”.

 

O tempo do Suhur: O tempo do Suhur é da meia noite até antes do amanhecer e o melhor é executá-lo o mais tarde possível.

Zaid Ibn Thabit disse que certa vez, executavam o Suhur com o Mensageiro de Allah (SAW) e logo levantaram para a oração da Alvorada. Zaid foi perguntado sobre qual o intervalo entre ambos e respondeu: O tempo necessário para a recitação de cinquenta versículos.

Amr Ibn Maimun disse que os companheiros do Profeta (SAW) eram os primeiros a quebrar o jejum e os últimos a executar o Suhur.

Abu Zharr Al-Ghafari relatou que o Profeta (SAW) disse: “Minha nação estará no caminho certo, desde que as pessoas se apressem em quebrar o jejum e se atrasem em fazer o Suhur”.

 

A dúvida sobre o nascer da aurora: Se um indivíduo tem dúvidas sobre o nascer da aurora, pode continuar a comer e beber até quando tiver a certeza de que o tempo do Fajr chegou, pois ele não pode basear sua obra em suspeita ou dúvida. Allah diz: “Comei e bebei até que distinguam o fio negro do fio branco da alvorada” (Alcorão 2:187).

Um homem disse a Ibn Abbas: Eu como até quando suspeitar que o tempo de comer acabou e assim paro. E Ibn Abbas comentou: Continua a comer até quando tiver a certeza de que o Fajr chegou.

Abu Daud disse que Ahmad Ibn Hanbal disse que se a pessoa tiver alguma dúvida sobre o nascer da aurora, pode comer até ter a certeza de que o Fajr chegou. Esta é a opinião de Ibn Abbas, Ataa, Al-Auza'i e Ahmad.

An-Nawawi disse que os seguidores de Ach-Chafii concordam que a pessoa pode comer até ter a certeza do Fajr.<--PAGEBREAK-->

 

2-Quebrar o jejum o mais depressa possível:

É preferível que o jejuador se apresse em quebrar o jejum quando o sol se pôs. Sahl Ibn Saad relatou que o Profeta (SAW) disse: “Os muçulmanos estarão no caminho certo desde que eles se apressem em quebrar o jejum”.

O jejum deve ser quebrado com um número ímpar de tâmaras, se isso não estiver disponível, com um pouco de água. Anas relatou que o Profeta(SAW) costumava quebrar o seu jejum com algumas tâmaras frescas antes da oração do Maghrib. Se as mesmas não tivessem disponíveis, comia algumas tâmaras secas. Se as mesmas não tivessem disponíveis também, então, bebia alguns goles de água.

Sulaiman Ibn Amer relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quando um de vós estiver em jejum, deve quebrar o seu jejum com algumas tâmaras. Se as tâmaras não estiverem disponíveis, então, o quebre com água, pois a água é purificante”.

O hadith anterior também mostra que é preferível quebrar o jejum antes da oração. Após a oração, a pessoa pode continuar a comer, mas se o jantar estiver pronto, pode comer antes da oração. Anas relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Se o jantar estiver servido, então, jantem antes da oração do Maghrib e não comam com pressa”.

 

3-Súplicas durante o jejum e ao quebrá-lo:

Abdullah Ibn Amr Ibn Al-Aas relatou que o Profeta (SAW) disse: “Em verdade, ao quebrar o jejum o jejuador tem uma súplica que não será rejeitada”.

Ao quebrar o jejum, Abdullah Ibn Amr Ibn Al-Ass dizia:

 

اللَّهُمَّ إنِّي أسْألُكَ بِرَحْمَتِكَ الَّتي وَسِعَتْ كُلَّ شَيْء أنْ تَغْفِرَ لي.

 

Allahumma inni As-aluka birahmatikal-lati wassi’at kulla chai’ an taghfira li

 

(Ó Allah, eu imploro por Tua misericórdia, a qual abrange todas as coisas, que Tu me perdoes)

 

Ao quebrar o jejum, o Profeta (SAW) dizia:

 

ذَهَبَ الظَّمَأ وَابْتَلَّتِ العُروقُ وَثَبَتَ الأجْرُ إنْ شاءَ الله.

 

Zhahaba Al-Dhamaa wab-tallat Al-Uruq, wa thabatal-ajru inchaa Allah

 

(A sede se foi, as veias foram umedecidas, e a recompensa foi confirmada, se Allah assim permitir)

 

Também ele (SAW) dizia:

 

اللَّهُمَّ إنِّي لَكَ صُمْتُ وَعَلى رِزْقِكَ أفْطَرْت.

 

Allahumma inni laka sumt, wa ala rizqika aftart

 

(Ó Allah, Para Ti eu jejuei e com as suas provisões eu quebrei o meu jejum)

 

O Profeta (SAW) disse: “Três pessoas não terão suas súplicas rejeitadas: O jejuador até que quebre o jejum, o governante justo e a pessoa oprimida”.

 

4-Abster-se de realizar ações que afetem o jejum:

O jejum é uma adoração que aproxima o indivíduo junto de Allah. Allah ordenou-nos a jejuar para purificar a nossa alma e habituá-la a fazer obras virtuosas.

O jejuador deve tomar toda precaução para que não caia em obras que farão com que perca os benefícios do seu jejum. Assim, o seu jejum fortalecerá e alcançará o temor a Allah, que diz: “Ó fiéis, está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito a vossos antepassados, para que temais a Allah” (Alcorão 2:183).

O jejum não consiste somente em abster-se de comer e beber, mas também de tudo o que é proibido. O Profeta (SAW) disse: “O jejum não é apenas abster-se de comer e beber , mas também abster-se da conversa afiada, evitar discussão e palavras agressivas. Se um de vós for insultado ou incomodado, deverá responder: Estou em jejum, estou em jejum”.

Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Aquele que não abster-se de mentir e de praticar atos indecentes, Allah não deseja que se abstenha de comer e beber”. Relatou também que o Profeta (SAW) disse: “Talvez um jejuador não terá nada de seu jejum além da fome e talvez um praticante da oração noturna não terá nada da sua oração além de passar a noite acordado”.

 

5-Usar o Siwak:

Usar o Siwak é um ato recomendado durante o dia de jejum.

At-Tirmizhi disse que Ach-Chafii não vê nada de errado em usar o Siwak no início e no final do dia.

O Profeta (SAW) usava o Siwak durante o jejum.

 

6-Ser generoso, estudar e ler o Alcorão:

Ser generoso, estudar e ler o Alcorão são atos recomendados, especialmente durante o mês do Ramadan.

Ibn Abbas disse que o Profeta (SAW) era a pessoa mais generosa dentre todos os homens, especialmente durante o mês do Ramadan quando se encontrava com o anjo Gabriel. Durante esse mês, Gabriel o visitava todas as noites e recitava-lhe o Alcorão. Nesses dias, a generosidade do Profeta (SAW) aumentava muito mais do que o vento impregnado de chuva.

 

7-Se esforçar durante os últimos dez dias do Ramadan:

Aicha disse que durante os últimos dez dias de Ramadan, o Mensageiro de Allah (SAW) passava as noites acordado em adoração, acordava os seus familiares e se esforçava como nunca.

Ali disse que durante os últimos dez dias de Ramadan, o Mensageiro de Allah (SAW) acordava os seus familiares e se esforçava como nunca.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atos permitidos durante o jejum

 

1-Entrar na água:

Abdurrahman Ibn Abu Bakr relatou que vários companheiros viram o Profeta (SAW) derramar água sobre sua cabeça enquanto estava em jejum devido à sede ou ao calor extremo.

Aicha relatou que, às vezes, o Profeta (SAW) amanhecia em Geneba no dia de jejum e, em seguida, ele se banhava.

Se durante o banho, uma pessoa ingeriu água acidentalmente, o seu jejum ainda é válido.

 

2- Aplicar kohl, colírio ou qualquer outra coisa nos olhos:

Todos esses atos são permitidos, mesmo se a pessoa sentir o gosto do produto na garganta, pois os olhos não são uma passagem para o estômago.

Anas usava Kohl durante o jejum.

Essa também é a opinião de Ach-Chafi'i.

Ibn Al-Munzhir disse que Ataa, Al-Hassan, An-Nakha'i, Al-Auza'i, Abu Hanifah, AbuThaur, Daud e os companheiros Ibn Omar, Anas e Ibn Abu Aufa, têm essa mesma opinião.

 

3-Beijar durante o jejum:

Aicha disse que o Profeta (SAW) beijava e abraçava enquanto estava em jejum, pois tinha controle mais do que todos vocês sobre seus desejos.

Omar disse que, certa vez, beijou sua esposa enquanto estava em jejum. Então, foi até o Profeta (SAW) e disse que havia cometido um ato terrível, pois beijou enquanto estava em jejum. O Profeta (SAW) perguntou: “O que pensa sobre limpar a boca com a água enquanto está em jejum?” Ele respondeu que não havia nada de mal nisto. O Profeta (SAW) disse: “Então, qual é a questão?"

Ibn Al-Munzhir disse que Omar, Ibn Abbas, Abu Hurairah, Aicha, Ataa, Ach-Cha'bi, Al-Hassan, Ahmad e Ishaq permitiram o beijo durante o jejum.

Abu Hanifah e Ach-Chafi'i dizem que esse ato é permitido desde que não excite os desejos, mas é melhor evitá-lo.

Em relação a esse assunto, não há diferença entre um homem velho ou um jovem, pois a questão é se o beijo excita os desejos ou não. Se a pessoa fica excitada, então isso não é permitido. Se a pessoa não fica excitada, então é permitido, embora é melhor evitá-lo.

Essa regra deve ser seguida, independente se o ato foi um beijo na bochecha ou nos lábios, um toque com a mão ou abraço.<--PAGEBREAK-->

 

4-A injeção:

A injeção em geral não quebra o jejum. Não importa se é para alimentação ou para a medicação, se for nas veias ou em baixo da pele.

 

5- Al-Hijamah (Sangria):

O Profeta(SAW) fez este tratamento enquanto estava em jejum. Mas isso não é recomendado, pois pode enfraquecer o corpo do jejuador. O mesmo acontece com a doação de sangue que é melhor fazê-la depois de quebrar o jejum.

 

 

6-Enxaguar a boca e o nariz:

Esses atos são permitidos em geral, mas o jejuador não pode exagerar. Laqit Ibn Sabrah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Exagere ao lavar a boca e as narinas, exceto se estiver em jejum”.

Os sábios não recomendam o uso de gotas nasais durante o jejum e dizem que isso quebra o jejum.

Ibn Qudamah disse que ao enxaguar a boca e o nariz na ablução, se a água atingir a garganta involuntariamente e não devido ao exagero, não há nenhum problema. Al-Auza'i, Ishaq e Ach-Chaf'i são dessa opinião e essa também a opinião de Ibn Abbas.

Malik e Abu Hanifah dizem que isso quebra o jejum, pois a água chega ao estômago e a pessoa estava ciente que estava em jejum, então, isso é como se tivesse bebido intencionalmente.

A primeira opinião é a mais forte, uma vez que a água atingir a garganta sem intenção ou exagero. Esse ato é semelhante a uma mosca que entra na boca e na garganta do jejuador, pois os dois atos aconteceram acidentalmente.

 

7-Os atos inevitáveis:

-Engolir a saliva, poeira e assim por diante são todos negligenciados.

-Ibn Abbas disse que não há nenhum problema em tentar saber o gosto de uma comida líquida ou algo que você deseje comprar.

-Al-Hassan mastigava nozes para seu neto enquanto estava em jejum. Ibrahim também permitiu isso.

-Mastigar goma de mascar é um ato não recomendado, pois se a goma se despedaçar , o jejum será quebrado. Essa é a opinião de Ach-Cha'bi, An-Nakha'i, Abu Hanifah, Ach-Chafi'i e Ahmad. Aicha e Ataa permitiram a mastigação e dizem que isso é como colocar pedra na boca, mas se a goma se despedaçar, o jejum será quebrado.

Ibn Taimiyah disse que sentir o cheiro de perfume não afeta o jejum. Mas em relação ao Kohl, injeções, gotas nasais e outros tratamentos medicinais similares, há alguma controvérsia entre os sábios. Alguns dizem que nenhum destes quebra o jejum. Alguns dizem que todos o quebram, exceto o kohl. Outros dizem que todos o quebram, exceto as gotas. Outros dizem que o kohl e as gotas não quebram o jejum.

Ibn Taimiyah disse que a conclusão mais evidente é que nenhum deles quebra o jejum, pois o jejum é parte da religião islâmica, se esses atos quebrassem o jejum, o Mensageiro de Allah (SAW) iria esclarecer e mencionar isso para seus companheiros e para todos os muçulmanos como mencionou outros atos que quebram o jejum. Se não há nenhum hadith autêntico em relação a esses assuntos, então, podemos falar que nenhum desses atos afeta o jejum.

 

8-A pessoa pode comer, beber e realizar relações sexuais até o Fajr:

Se alguém tem comida em sua boca quando Fajr está começando, deve cuspir para fora. Se ele está tendo relações sexuais com sua esposa, deve parar imediatamente. Se fizer isso, seu jejum ainda será válido, mas se continuar, terá quebrado o seu jejum. Aicha relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quando Bilal faz o Adhan ainda é noite e vocês podem comer e beber até ouvir o Adhan de Ibn Umm Maktum”.

 

9-Amanhecer em Geneba:

Aicha relatou que, às vezes, o Profeta (SAW) amanhecia em Geneba no dia de jejum e, em seguida, se banhava.

Se o sangue de uma mulher menstruada ou de uma mulher com sangramento pós-parto parar durante a noite, ela pode atrasar ghusl até a manhã e fazer o jejum normalmente, mas, deve executar o ghusl para fazer a oração do Fajr.

As ações que anulam o jejum

 

As ações que anulam o jejum são de dois tipos:

1-Aquelas que anulam o jejum e exigem que o dia seja jejuado depois.

2-Aquelas que anulam o jejum, exigem que o dia seja jejuado depois e também necessitam de expiação?.

 

1-As ações que anulam o jejum e exigem que o dia seja jejuado depois:

 

1-Comer e beber intencionalmente:

Se a pessoa comeu ou bebeu devido ao esquecimento, erro ou coação, deve completar o seu jejum normalmente e não precisa jejuar outro dia depois e nem pagar.

Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quem está em jejum e come ou bebe devido ao esquecimento, deve completar o seu jejum normalmente, pois foi Allah Quem alimentou-lhe ou deu-lhe algo de beber”.

At-Tirmizhi disse que a maioria dos sábios segue esse hadith e que essa também é a opinião de Sufian Ath-Thauri, Ach-Chafi'i, Ahmad e Ishaq.

Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quem quebra o seu jejum durante o Ramadan devido ao esquecimento,( que comer ou beber por esquecimento, que continue em jejum) não precisa jejuar um dia depois e nem pagar expiação”.

Ibn Abbas relatou que o Profeta (SAW) disse: “Allah não pedirá contas a minha nação por tudo que for feito por engano, esquecimento ou sob coação”.

 

2-Vomitar intencionalmente:

Se alguém vomitar involuntariamente, não tem que repetir o jejum depois e nem pagar expiação. Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quem sentir-se dominado e forçado a vomitar, não tem que repetir o dia e quem vomitar deliberadamente deve repetir o dia”.

Al-Khattabi disse que todos os sábios concordam que aquele que sentir-se dominado e forçado a vomitar não tem que repetir o dia e quem vomitar deliberadamente deve repetir o dia depois.

 

3-A menstruação e o sangramento pós-parto:

Mesmo se esse sangramento começar pouco antes do pôr do sol, o jejum do dia será invalidado e o dia deverá ser jejuado depois.

 

4-Ejacular:

A ejaculação anula o jejum mesmo se for originada do beijo ou abraço e o dia deve ser jejuado depois.

A ejaculação no sonho, Al-Mazhi e Al-Wadi não nulificam o jejum.<--PAGEBREAK-->

 

5-Comer algo que não é nutritivo tal como o sal:

Esse ato anula o jejum de acordo com todos os sábios.

6-Ter a intenção de quebrar o jejum:

Se uma pessoa tem a intenção de quebrar o jejum, mesmo que ela realmente não tenha comido nada, o seu jejum será considerado nulo, pois a intenção é um dos pilares do jejum e se a pessoa mudar a sua intenção, automaticamente anula o seu jejum.

 

7-Comer, beber ou ter relação sexual, pensando que o sol se pôs ou que o Fajr ainda não ocorreu:

A maioria dos sábios e os quatro Imames dizem que essa pessoa deve repetir o dia depois.

Ishaq, Daud, Ibn Hazm, Ataa, Urwah, Al-Hassan Al-Basri e Mujahid dizem que o jejum está correto e a pessoa não deve repetir o dia depois, pois Allah diz: Porém, se vos equivocardes, não sereis recriminados; (o que conta) são as intenções de vossos corações” (Alcorão 33:5) e o Profeta (SAW) disse: “Allah não pedirá contas a minha nação por tudo que for feito por engano, esquecimento ou sob coação”.

Zaid Ibn Wahb disse que na epoca de Omar Ibn Al-Khattab, o povo quebrou o jejum e derepente o sol reapareceu de trás das nuvens. As pessoas disseram: Temos que jejuar esse dia depois. Omar disse: Por que? Por Allah, nós não fizemos nenhum pecado. Ou seja, não fizeram isso de propósito.

Asma Bint Abu Bakr disse que em um dia nublado durante Ramadan, na epoca do Profeta (SAW), eles quebraram o jejum e derepente o sol reapareceu.

Comentando sobre o assunto, Ibn Taimiyah disse que esses dois fatos apontam para dois pontos:

1-Que não é recomendado adiar ou quebrar o jejum por causa das nuvens ou para ter a certeza do Maghrib.

2-Que não será necessário repetir o dia depois, pois o Profeta (SAW) não ordenou o povo a repetí-lo.

2-As ações que anulam o jejum, e exigem que o dia seja jejuado depois, e também necessitam de expiação:

 

De acordo com a maioria dos sábios, a única ação que exige que o dia seja jejuado depois e também necessita de expiação, é ter relações sexuais durante um dia do Ramadan.

Abu Hurairah relatou que um homem veio ao Mensageiro de Allah (SAW) e lhe disse que estava aniquilado. O Profeta (SAW) perguntou lhe o que havia lhe aniquilou e ele disse que teve relações sexuais com a esposa durante um dia do Ramadan. O Profeta (SAW) perguntou se ele era capaz de libertar um escravo e ele disse que não. O Profeta (SAW) perguntou se seria capaz de jejuar por dois meses consecutivos e ele disse que não. O Profeta (SAW) perguntou se era possível ele alimentar sessenta pessoas pobres e ele disse que não. Então, o Profeta (SAW) pegou uma cesta de tâmaras e disse ao homem: “Dê isto como caridade”. O homem disse que não havia ninguém mais pobre do que eles na cidade, então o Profeta (SAW) riu até que seus dentes molares podiam ser vistos e disse: “Vá e alimente sua família com essas tâmaras”.

A maioria dos sábios disse que o homem e a mulher devem pagar expiação, pois os dois tiveram a intenção de jejuar, tiveram relações sexuais durante um dia do Ramadan e cometeram o ato intencionalmente.

Se eles tiveram relações sexuais por esquecimento, devido a coação ou eles não tinham a intenção de jejuar, então, nemhum dos dois deve pagar a expiação.

Se a esposa foi forçada a ter relações sexuais pelo marido, a expiação será paga apenas pelo o homem.

Ach-Chafi'i disse que a mulher não é obrigada a pagar expiação, independentemente se ela cometeu o ato voluntariamente ou foi forçada a fazer isso. Ela deve apenas jejuar esse dia depois.

An-Nawawi disse que a opinião mais autêntica, em geral, é que a expiação deve ser paga apenas pelo homem. Isso é semelhante ao caso do dote.

Abu Daud disse que Ahmad foi perguntado se a mulher que teve relação sexual durante Ramadan deve pagar alguma expiação e ele disse que nunca ouviu falar que a mulher paga expiação.

No livro Al-Mughni o autor disse que o Profeta (SAW) ordenou ao homem, que tinha tido relações sexuais, libertar um escravo e não ordenou a mulher fazer coisa alguma, embora ele obviamente sabia que ela é a parceira no ato.

A maioria dos sábios disse que os atos de expiação devem ser feitos na seguinte ordem: Libertar um escravo, se isso não for possível, deve jejuar dois meses consecutivos, se isso não for possível, deve alimentar sessenta pessoas pobres e as refeições devem ser semelhantes às refeições servidas em sua casa.

Malik e Ahmad dizem que a pessoa pode escolher qualquer um dos três atos e isso lhe será suficiente.

Abu Hurairah relatou que um homem quebrou o jejum durante o Ramadan e o Profeta (SAW) lhe ordenou libertar um escravo, jejuar dois meses consecutivos ou alimentar sessenta pessoas pobres. Portanto, a pessoa pode escolher, como no caso da expiação para quebrar um juramento.

A pessoa que teve relação sexual com sua esposa em um dia do Ramadan e antes que ele realize o ato de expiação, teve outra relação sexual em outro dia do Ramadan, precisa apenas realizar um ato de expiação de acordo com uma narração de Ahmad e Abu Hanifah.

De acordo com Malik, Ach-Chafi'i e Ahmad, a pessoa deve pagar duas expiações, sendo uma expiação para cada dia desjejuado.

Todos os sábios concordam que se a pessoa intencionalmente tiver relação durante um dia do Ramadan e pagou a expiação e depois teve outra relação em mais um dia de Ramadan, deve pagar outra expiação.

Da mesma forma, todos os sábios concordam que a pessoa que teve relação durante um dia do Ramadan e antes de pagar a expiação, teve outra relação, deve pagar apenas uma expiação.

Se a pessoa teve duas relações no mesmo dia, a maioria dos sábios disse que deve pagar apenas uma expiação. Ahmad disse que essa pessoa deve pagar duas expiações.

 

Repor os dias que foram desjejuados durante o Ramadan

 

Jejuar os dias perdidos do Ramadan é uma obrigação que não precisa ser cumprida imediatamente, pois esses dias desjejuados podem ser jejuados em quaisquer dias depois do Ramadan. Este também é o caso de expiação. Aicha jejuava os dias perdidos durante o mês de Chaaban (o mês anterior ao Ramadan).

A pessoa deve repor o mesmo número de dias que foram perdidos e não há nenhuma penalidade adicional. Allah diz: “Porém, quem se achar enfermo ou em viagem jejuará, depois, o mesmo número de dias” (Alcorão 2:185). Isto é, quando a pessoa quebra o jejum por estar doente ou viajando, deve jejuar o mesmo número de dias que perdeu, consecutivamente ou separadamente.

Em relação aos dias perdidos durante Ramadan, Ibn Omar relatou que o Profeta (SAW) disse: “A pessoa pode jejuá-los consecutivamente ou separadamente”.<--PAGEBREAK-->

Se o Ramadan chegar e a pessoa atrasou a reposição dos dias perdidos do Ramadan passado, deve jejuar o Ramadan atual e jejuar o que deve imediatamente depois do Ramadan. Não há expiação nesse caso independentemente do fato da pessoa ter atrasado o jejum devido alguma desculpa aceitável ou não. Esta é a opinião de Abu Hanifah e Al-Hassan Al-Basri. Malik, Ach-Chaf'i, Ahmad e Ishaq concordam que não há expiação se o jejum foi atrasado devido alguma desculpa, mas diferem quando o jejum foi adiado sem qualquer desculpa aceitável. Nesse caso, de acordo com eles, a pessoa deve jejuar o Ramadan presente e, em seguida, jejuar os dias perdidos do Ramadan anterior e pagar um resgate de um Mudd de alimentos como caridade por cada dia.

Essa opinião está sem provas e, aparentemente, a opinião correta é de Abu Hanifah, pois os atos da Charia se baseam no Alcorão e na Sunnah.

 

Morrer devendo alguns dias de Ramadan

 

Os sábios concordam que, se um indivíduo morre e não executou algumas orações durante a sua vida, o seu tutor ou herdeiro não pode realizá-las em seu nome. Da mesma forma, se uma pessoa é incapaz de jejuar, ninguém pode jejuar em seu nome enquanto estiver vivo.

Há uma diferença de opinião sobre o caso da pessoa que é capaz de jejuar, mas morreu sem jejuar alguns dias de Ramadan.

A maioria dos sábios, incluindo Abu Hanifa, Malik e Ach-Chafi'i, dizem que o tutor ou o herdeiro não podem jejuar em seu nome, mas podem oferecer um Mudd de alimento para uma pessoa pobre por cada dia não jejuado.

Ach-Chafi'i disse que o preferido é o parente ou herdeiro jejuar em nome do falecido, assim, o dever será cumprindo e não há necessidade de oferecer alimentos.

O jejum em nome do falecido não pode ser feito por uma pessoa que não é da sua familia, a menos que essa pessoa obteve a permissão dos herdeiros ou dos familiares para fazer isso. Aicha relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Se alguém morrer e tiver alguns dias de jejum para jejuar, neste caso o seu herdeiro deverá jejuar no seu lugar”.

Ibn Abbas relatou que um homem veio ao Mensageiro de Allah (SAW) e disse que sua mãe morreu devendo um mês de jejum e queria saber se ele deveria jejuar por ela. O Profeta (SAW) disse: “Se houvesse qualquer outra dívida de sua mãe, você a pagaria por ela?” O homem respondeu que sim e o Profeta (SAW), então, disse: “Allah é mais merecedor, portanto dívida com Ele deve ser paga”.

An-Nawawi disse que esta é a opinião mais autêntica.

 

O jejum onde o dia é muito longo e a noite é curta

 

Em relação aos países onde o dia é longo e a noite é curta, ou o dia é curto e a noite é longa, os sábios divergem sobre esse ponto. Alguns dizem que os jejuadores devem seguir o horário de Meca ou Medina. Outros dizem que eles devem seguir o horário do país mais próximo a eles que tem dias e noites normais.

 

 

 

 

 

 

 

A noite do decreto

(Lailatul-Qadr)

 

1-A sua virtude:

A noite do Qadr é a noite mais virtuosa do ano. Allah diz: “Sabei que o revelamos (o Alcorão), na Noite do Decreto. E o que te fará entender o que é a Noite do Decreto? A Noite do Decreto é melhor do que mil meses” (Alcorão 97:1-3). Qualquer boa ação nela, por exemplo, recitar o Alcorão, recordar Allah e assim por diante, é melhor do qualquer outra ação feita durante mil meses que não contenham a noite de Qadr.

 

2-Buscar a Noite do Qadr é um ato recomendado:

É recomendado buscar a noite do Qadr nas últimas dez noites do Ramadan, pois o Profeta (SAW) a buscava durante esses dias. Aicha disse que durante os últimos dez dias de Ramadan, o Mensageiro de Allah (SAW) passava as noites acordado em adoração, acordava os seus familiares e se esforçava como nunca.

 

3-Qual é a noite do Qadr?

Os sábios têm opiniões diferentes em relação a esse ponto. Eles dizem que ela pode ser na noite vinte e um, vinte e três, vinte e cinco ou vinte e nove. Alguns dizem que varia de ano para ano, mas é sempre entre as últimas dez noites do Ramadan. A maioria dos sábios, no entanto, disse que ela é a noite do dia vinte e sete.

Ibn Omar relatou que o Profeta (SAW) disse: “Aquele que deseja buscar a noite do Qadr, deve buscá-la na noite vinte e sete”.

Ubai Ibn Kaab disse que por Allah, que não há divindade além d’Ele, eu sei que noite ela é, ela é a noite vinte e sete, pois o Profeta (SAW) os ordenou a passar essa noite acordados fazendo orações. Nesse dia, o sol aparece na manhã branco e sem raios.

 

4-Passar a noite do Qadr em adoração e súplicas:

Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quem realizar orações durante a noite do Qadr com fé e com esperança na recompensa de Allah os seus pecados anteriores serão perdoados”.

Aicha disse que perguntou ao Mensageiro de Allah (SAW) o que deveria dizer se descobrisse a noite do Qadr, então, o Profeta (SAW) disse:

 

اللَّهُمَّ إنَّكَ عَفُوٌّ تُحِبُّ العَفْوَ فاعْفُ عَنِّي.

 

Allahumma inaka afuun tuhibul-afua faafu anni

 

(Ó Allah Tu que és o Absolvedor, que amas absolver, absolva-me)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O retiro na mesquita

(Al- I'tikaf)

 

1-O significado:

I'tikaf significa agarrar-se a algo, mal ou bom e abster-se de todas as outras coisas. O significado I'tikaf aqui é ficar em retiro na mesquita com a intenção de se aproximar a Allah.

 

2-Al-I'tikaf na Charia:

Todos os sábios concordam que o I'tikaf faz parte da Charia, pois o Profeta (SAW) costumava ficar dez dias em I'tikaf todo Ramadan. No ano do seu falecimento, ele ficou em I'tikaf por vinte dias. Os companheiros e as esposas do Profeta (SAW) realizavam o I'tikaf com ele e continuaram a fazer isso após a sua morte.

Em relação a virtude do I'tikaf, não há hadith sobre isso.

 

3-Os tipos de I'tikaf:

O I'tikaf é de dois tipos:

1-O I'tikaf que é Sunnah.

2-O I'tikaf que é obrigatório.

 

O I'tikaf que é Sunnah é aquele que o muçulmano executa para se aproximar a Allah e para seguir a Sunnah do Profeta (SAW) especialmente durante os últimos dez dias do Ramadan.

O I'tikaf obrigatório é aquele que deve ser feito por causa de um juramento ou de uma promessa. Por exemplo, a pessoa dizer: Por Allah, eu farei o I'tikaf ou se Allah me curar, farei I'tikaf.

O Profeta (SAW) disse: “Quem faz uma promessa em obediência a Allah, deve cumprir a sua promessa”.

Omar disse ao Profeta (SAW) que havia feito uma promessa de realizar I'tikaf de uma noite na mesquita sagrada de Meca (Al-Masjid Al-Haram) e o Profeta (SAW) disse: “Cumpra a sua promessa”.<--PAGEBREAK-->

 

4-A duração do I'tikaf:

A duração do I'tikaf obrigatório é baseada na promessa ou no juramento que foi feito pela pessoa. Se alguém faz um juramento ou uma promessa para fazer I'tikaf por um dia ou mais, deve cumprir o que prometeu.

Em relação ao I'tikaf voluntário que é Sunnah, a pessoa pode ficar na mesquita com a intenção de fazer I'tikaf por um tempo longo ou curto. Se uma pessoa interrompeu o seu I'tikaf e saiu da mesquita, mas voltou em seguida, então, deve renovar a sua intenção de realizar um novo I'tikaf.

Ya'la Ibn Umaiyah disse que ficava por algum tempo na mesquita para realizar I'tikaf.

Ataa disse que qualquer pessoa que permanece na mesquita com a intenção de se aproximar a Allah, estará em I'tikaf.

A pessoa que está em I'tikaf voluntário, pode interromper o seu I'tikaf a qualquer momento, mesmo que isso seja antes do fim do período que ela pretendia ficar.

Aicha disse que ao realizar o I'tikaf, o Profeta (SAW) executava a oração do Fajr e iniciava o seu I'tikaf. Certa vez, ele queria ficar em I'tikaf durante as últimas dez noites do Ramadan e ordenou que a sua tenda fosse armada. Aicha relatou que quando viu a tenda do Profeta (SAW), pediu que a sua tenda fosse montada também. Então, algumas das esposas do Profeta (SAW) fizeram o mesmo. Ao realizar a oração do Fajr, ele viu as tendas montadas e disse: “A obediência que vocês buscam”! Então ele ordenou para que a sua tenda e das suas esposas fossem todas desmontadas, cancelou o seu I'tikaf e voltou a executá-lo nos primeiros dez dias de Chauwal.

A maioria dos sábios entre eles Ach-Chafi'i, Ahmad e Daud dizem: Esse fato é uma prova que a pessoa pode interromper ou adiar o seu I'tikaf depois de ter feito a intenção e depois de ter iniciado.

Esse fato também mostra que o homem pode impedir sua esposa de realizar o I'tikaf voluntário.

 

5-As condição para I'tikaf:

Aquele que executa o I'tikaf deve ser um muçulmano, livre da Geneba, a mulher deve ser muçulmana, livre da Geneba, menstruação e pós-parto.

O I'tikaf de um incrédulo, de uma pessoa em Geneba, de uma mulher menstruada ou no pós-parto é inválido.

 

6-Os pilares do I'tikaf:

O I'tikaf é ficar em retiro na mesquita com a intenção de se aproximar de Allah, então, os pilares do I'tikaf são a intenção e a permanência na mesquita.

 

1-A intenção: Allah diz: “E lhes foi ordenado que adorassem sinceramente a Deus, fossem monoteístas” (Alcorão 98:5).

O Profeta (SAW) disse: “As obras vêm determinadas pelas intenções. Assim, cada pessoa alcançará o que busca, de acordo com suas intenções”.

2-Permanecer na mesquita: O I'tikaf deve ser feito na mesquita.

Allah diz: “E não vos acerqueis delas enquanto estiverdes retraídos nas mesquitas” (Alcorão 2:187).

 

7-A opinião dos juristas sobre as mesquitas em que o I'tikaf deve ser realizado:

Há uma diferença de opinião entre os juristas sobre as mesquitas que são aceitáveis ​​para o I'tikaf.

Abu Hanifah, Ahmad, Ishaq e Abu Thaur dizem que o I'tikaf deve ser realizado em qualquer mesquita na qual as cinco orações são feitas em congregação. O Profeta (SAW) disse: “Toda mesquita que tem um Muadhin e um Imam é aceitável para o I'tikaf”.

Malik, Ach-Chafii e Daud dizem que o I'tikaf pode ser feito em qualquer mesquita.

Os Chafi'iyah dizem que é melhor executar o I'tikaf em uma mesquita congregacional, pois se o período de I'tikaf inclui o dia de sexta-feira, assim a pessoa não perde a oração da sexta-feira.

A pessoa que está em I'tikaf pode fazer o Adhan na porta, no pátio ou no telhado da mesquita, pois tudo isso é considerado parte da mesquita. Mas se o lugar para o Adhan estiver fora da mesquita, a pessoa não pode sair para executá-lo, pois o seu I'tikaf será anulado.

O pátio exterior é considerado parte da mesquita de acordo com o Hanafiyah, Chafi'iyah e uma narração de Ahmad.

De acordo com Malik e outra narração de Ahmad, o pátio exterior não é parte da mesquita e a pessoa que está em I'tikaf não deve ir até lá.

A maioria dos sábios disse que a mulher não pode fazer o seu I'tikaf na mesquita em sua casa (o lugar especial da casa onde ela executa suas orações). Não há diferença de opinião sobre este ponto, pois as esposas do Profeta (SAW) sempre realizaram o I'tikaf na mesquita do Profeta (SAW).

 

O jejum durante o I'tikaf

 

A pessoa que está em I'tikaf fora do Ramadan, pode jejuar e pode não jejuar. Ibn Omar relatou que seu pai Omar Ibn Al-Khattab disse para o Profeta (SAW) que havia feito uma promessa de ficar uma noite em I'tikaf na Mesquita Sagrada (Al-Masjid Al-Haram). O Profeta (SAW) lhe disse: “Cumpra a sua promessa”. Baseado nesse hadith, a pessoa não precisa fazer o jejum durante o I'tikaf, pois a promessa de Omar é fazer I'tikaf a noite e a noite não há jejum.

Abu Sahl disse que sua esposa fez uma promessa de ficar em I'tikaf. Ao perguntar isso a Omar Ibn Abdul-Aziz, ele disse que ela não precisava jejuar, a menos que o jejum estivesse incluído na sua promessa. Az-Zuhri disse que não há I'tikaf sem jejum. Omar Ibn Abdul-Aziz perguntou-lhe se o Profeta (SAW) havia dito isso e ele disse que não. Perguntou-lhe se Abu Bakr havia dito isso e ele disse que não. Perguntou-lhe se Omar havia dito isso e ele disse que não. Perguntou-lhe se Uthman havia dito isso e ele disse que não. Abu Sahl disse, então, que foi até Ataa e Tawus e eles disseram que ela não precisava jejuar, a menos que o jejum estivesse incluído na sua promessa.

Al-Khattabi disse que Al-Hassan e Ach-Chafii dizem que a pessoa pode fazer o I'tikaf sem jejum. Ali e Ibn Massud dizem que a pessoa pode jejuar e pode não jejuar. Al-Auzaii e Malik dizem que não há I'tikaf sem jejum. Essa é, também, a opinião de Ibn Omar, Ibn Abbas, Aicha, Said Ibn Al-Mussaiyab, Urwah Ibn Az-Zubair e Az-Zuhri.<--PAGEBREAK-->

 

 

O início e o fim do I'tikaf

 

A duração do I'tikaf obrigatório é baseado na promessa ou no juramento que foi feito pela pessoa. Se alguém faz um juramento ou uma promessa para fazer I'tikaf por um dia ou mais, deve cumprir o que prometeu.

Em relação ao I'tikaf voluntário, se a pessoa tem a intenção de realizar o I'tikaf durante os últimos dez dias do Ramadan, deve começar antes do sol se pôr. Abu Said relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quem quiser fazer o I’tikaf comigo deve fazê-lo durante as dez últimas noites de Ramadan”. Ou seja, começa na noite do dia vinte ou vinte e um de Ramadan.

Foi relatado que o Profeta (SAW) iniciava o seu I'tikaf depois da oração do Fajr, mas ele entrava na mesquita no ínicio da noite.

Abu Hanifah e Ach-Chafii dizem que a pessoa que executa o I'tikaf durante os últimos dez dias do Ramadan deve encerrá-lo e sair da mesquita depois do pôr do sol no último dia do mês. Malik e Ahmad dizem que a pessoa pode encerrá-lo e sair da mesquita depois do pôr do sol no último dia do mês, mas é melhor permanecer na mesquita até a saída para a oração do Eyd.

Ibrahim disse que os sábios preferem que a pessoa passe a noite do Fitr na mesquita. Disse também que aquele que fez uma promessa ou quer fazer I'tikaf voluntário de alguns dias, deve começar o seu I'tikaf antes de amanhecer e encerrar depois do pôr do sol, independentemente se isso for durante o Ramadan ou em outro período. Aquele que fez uma promessa ou quer fazer I'tikaf voluntário de algumas noites, deve começar o seu I'tikaf antes do pôr do sol e encerrar depois de amanhecer.

Ibn Hazm disse que o início da noite é quando o sol se põe e o seu fim é com o amanhecer. O início do dia é com o amanhecer e o seu fim é o pôr do sol. Se alguém quer fazer voluntariamente um mês de I'tikaf, deve entrar na mesquita antes do pôr de sol do primeiro dia do mês e sair depois do pôr do sol do último dia do mês, independentemente se isso foi no Ramadan ou em qualquer outro mês.

 

Atos recomendados durante o I'tikaf

 

A pessoa, durante o I'tikaf, deve ocupar o seu tempo em:

-Fazer orações voluntárias;

-Ler Alcorão;

-Fazer Tasbih, Tahlil, Takbir e Istighfar;

-Invocar benções sobre o Profeta (SAW);

-Suplicar;

-Estudar e ler livros de Tafsir, Hadith e Charia;

-Ler livros sobre os profetas, os companheiros e assim por diante.

 

Atos não recomendados durante o I'tikaf

 

É detestável engajar-se em assuntos que não lhe diz respeito. O Profeta (SAW) disse: “Afastar-se do que não diz respeito a uma pessoa faz parte da sua boa observância no Islam”.

A pessoa não pode abster-se de falar, pensando que isso faz parte do I'tikaf.

Ibn Abbas disse que certa vez, o Profeta (SAW) estava fazendo um discurso e viu um homem de pé. Ao perguntar sobre esse homem, o povo disse que era Abu Israel, ele prometeu ficar em jejum, sem sentar e sem falar. O Profeta (SAW) disse: “Peçam-lhe para falar, sentar e completar o seu jejum”.

Ali relatou que o Profeta (SAW) disse: “Não há orfandade depois da maturidade e não há abstenção de falar durante um dia até o anoitecer”.

 

Atos Permitidos durante o I'tikaf

 

1-Sair da mesquita para se despedir de sua esposa:

Safiah disse que visitou o Profeta (SAW) a noite durante o seu I'tikaf. Ao levantar para ir embora, ele levantou-se com ela e a acompanhou até sua casa.

Mas isto só deve acontecer quando a pessoa achar que pode ser perigoso sua esposa voltar sozinha.

 

2-Pentear e cortar o cabelo, cortar as unhas, limpar o corpo, trocar as roupas e se perfumar:

Aicha disse que durante o I'tikaf, o Profeta (SAW) colocava a sua cabeça no meu quarto através de uma abertura e eu lavava e penteava o seu cabelo, mesmo estando menstruada.<--PAGEBREAK-->

 

3-Sair devido a alguma necessidade:

Aicha disse que durante o I'tikaf, o Profeta (SAW) colocava a sua cabeça no meu quarto através de uma abertura, eu lavava e penteava o seu cabelo e ele só entrava em casa para fazer as suas necessidades fisiológicas.

Ibn Al-Munzhir disse que os sábios concordam que aquele que estiver em I'tikaf pode deixar a mesquita a fim de atender o chamado da natureza, se purificar do Geneba ou purificar o seu corpo e as suas roupas. Além disso, se não há ninguém para levar alimento ou água para ele, pode deixar a mesquita para obtê-los. Se alguém precisa vomitar, pode deixar a mesquita para fazer isso. Pode sair para fazer qualquer coisa que precisar que não possa ser feita na mesquita e tais atos não anulam o seu I'tikaf, mesmo que isso leve um longo tempo.

Ali disse que durante o I'tikaf, a pessoa deve participar da oração de sexta-feira, pode participar dos funerais, visitar os doentes e ir até a sua casa para pedir as coisas que necessita, mas deve permanecer em pé durante as suas visitas.

Durante o seu I'tikaf, Ali ajudou o seu sobrinho com setecentos Dirhams para comprar um servo.

Qatadah disse quedurante o I'tikaf, Ali permitiu a pessoa acompanhar o funeral e visitar os doentes, mas não pode se sentar.

Aicha disse que durante o I'tikaf, o Profeta (SAW) passava nas casas dos doentes que estavam no seu caminho.

 

4-Comer, beber e dormir na mesquita:

Durante o I'tikaf, a pessoa pode comer, beber e deve limpar a mesquita. Pode fazer contratos de casamento, de compra, de venda e assim por diante, mas sem sair da mesquita.

 

Atos que anulam o I'tikaf

 

1-Sair da mesquita intencionalmente sem necessidade.

2-Abandonar a crença no Islam:

Allah diz: Se idolatrares, certamente tornar-se-á sem efeito a tua obra” (Alcorão 39:65).

 

3- Perder a sanidade mental devido ao enlouquecimento ou embriaguez.

 

4-O início da menstruação.

5-O início do pós-parto.

6-A relação sexual:

Allah diz: “E não vos acerqueis delas enquanto estiverdes retraídos nas mesquitas. Tais são as normas de Deus; não as transgridais de modo algum” (Alcorão 2:187).

No entanto, pode-se tocar a sua esposa sem que haja quaisquer desejos. Uma das esposas do Profeta (SAW) penteava o seu cabelo enquanto ele estava realizando I'tikaf.

Em relação a beijar ou tocar devido ao desejo, Ahmad e Abu Hanifah dizem que a pessoa que faz isso comete um ato proibido, mas o seu I'tikaf ainda é valido, a menos que haja ejaculação.

Malik disse que isso anula o I'tikaf, pois é um toque ilegal, independente da ejaculação.

Ach-Chafii comentou os dois relatórios anteriores.

 

 

 

Repor o I'tikaf

 

Se a pessoa tem a intenção de realizar um I'tikaf voluntário e depois precisou interrompê-lo, pode executá-lo mais tarde. Alguns dizem que deve fazê-lo novamente.

Malik disse que a pessoa deve executá-lo novamente, pois quando o Profeta (SAW) interrompeu o seu I'tikaf no Ramadan, ele o executou em Chauwal.

Ach-Chafi'i disse que se o I'tikaf for voluntário, a pessoa não precisa executá-lo mais tarde, a menos que queira.

Todos os sábios dizem que se a pessoa fez uma promessa de realizar um I'tikaf por um dia ou um número de dias e depois o interrompeu, deve realizá-lo novamente mais tarde.

Se uma pessoa prometeu fazer um I'tikaf e morreu antes de executá-lo, a maioria dos sábios disse que os herdeiros não podem fazer isso por ele.

Ahmad disse que os herdeiros devem fazer o I'tikaf por ele.

Abdullah Ibn Abdullah Ibn Utbah disse: Nossa mãe morreu devendo um I'tikaf e eu perguntei para Ibn Abbas que disse para que eu fizesse o I'tikaf e jejuasse em seu nome.

Said Ibn Mansur disse que Aicha realizou I'tikaf em nome de seu irmão após sua morte.

 

Ficar em um lugar dentro da mesquita e montar uma tenda

 

Ibn Omar relatou que o Profeta (SAW) executava I'tikaf durante os últimos dez dias do Ramadan. Nafi' disse que Ibn Omar lhe mostrou o lugar onde o Profeta (SAW) realizava seu I'tikaf.

Foi relatado também que o Profeta (SAW), ao realizar o I'tikaf, dormia em uma cama colocada atrás da coluna de Al-Taubah.

Abu Said relatou que o Profeta (SAW), ao realizar o I'tikaf, montava uma tenda turca dentro da mesquita.

 

Fazer promessa para executar I'tikaf em uma mesquita específica

 

Se alguém faz uma promessa para realizar I'tikaf no Al-Masjid Al-Haram em Meca, no Al-Masjid An-Nabawi em Medina ou no Al-Masjd Al-Aqsa em Jerusalém, deve cumprir sua promessa.

O Profeta (SAW) disse: “Não viajai senão para três Mesquitas: Al-Masjid Al-Haram, Al-Masjid Al-Aqsa e para esta minha mesquita”.

Se alguém faz promessa para realizar I'tikaf em outra mesquita especifica que não seja uma dessas três, pode realizá-lo em qualquer mesquita.

O Profeta (SAW) disse: “A oração realizada na minha mesquita é melhor do que mil orações feitas em outra mesquita, com exceção do Al-Masjid Al-Haram e a oração realizada no Al-Masjid Al-Haram é melhor do que cem orações feitas na minha Mesquita”.

Assim, se alguém faz uma promessa de realizar I'tikaf na mesquita do Profeta (SAW), pode cumpri-lo no Al-Masjid Al-Haram já que a recompensa é maior.

 

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