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Livro: Fiqh Al Sunnah (Parte VI) - Os Funerais

OS FUNERAIS

 

A doença expia os maus atos e apaga os pecados

1-Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Àquele a quem Allah quiser favorecer fá-lo-á sofrer”.

2-Abu Hurairah também relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Sempre que o muçulmano for acometido de uma fadiga, enfermidade, preocupação, tristeza, lesão ou angústia, ou até espetado por espinho que lhe perfure, Allah, por isso, perdoará alguns de seus pecados”.

3-Ibn Massud visitou o Mensageiro de Allah (SAW) quando ele estava com febre. Quando ele indagou que a febre seria alta, o Mensageiro de Allah (SAW) disse que a intensidade da febre era equivalente a de duas pessoas. Ibn Massud, então, lhe perguntou se por isso ele teria uma recompensa em dobro e o Profeta (SAW) respondeu: “É isso mesmo, quando um muçulmano se fere, por exemplo, com um espinho ou com menos do que isso, Allah perdoa-lhe os pecados, os quais saem dele como caem as folhas de uma árvore”.

4-Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “O crente é como uma planta tenra fresca, a partir de qualquer direção que o vento sopra, ela se curva, mas quando o vento diminui, ela se endireita novamente. O descrente é como um cedro que permanece duro e rígido, até que Allah o quebre quando quiser”.

 

A paciência durante a doença

A pessoa doente deve ser paciente, pois um servo de Allah não recebe um dom maior do que a paciência.

1-Suhaib Ibn Sinan relatou que o Profeta (SAW) disse: “É admirável o caso do crente, pois tudo é bom para ele; e isso não ocorre com ninguém mais a não ser com o crente. Se for objeto de um bem agradece e isto é um bem para ele e se sofre uma desgraça se arma de paciência e isto também é um benefício para ele”.

2-Anas disse que ouviu o Profeta (SAW) dizer que Allah disse: “Caso submetesse a um servo Meu a uma provação com a perda da visão e ele se armasse de paciência, recompensá-lo-ia por isso com o Paraíso”.

3-Ataa Ibn Abi Rabah disse que Ibn Abbas lhe perguntou se queria conhecer uma mulher dentre as moradoras do paraíso e lhe contou sobre uma mulher negra que se dirigiu ao Profeta (SAW) dizendo que sofria de epilepsia, e que isso lhe fazia com que se descobrisse, e lhe pediu para que rogasse a Allah para que Ele lhe curasse. O Profeta lhe disse: “Se quiseres, seja paciente e terás o Paraíso e se quiseres rogarei a Allah para que te cure”. Então, a mulher preferiu ter paciência, mas pediu que o Profeta (SAW) rogasse a Allah para que ela não se descobrisse e então o Mensageiro de Allah (SAW) rogou por ela.

 

Queixar-se da doença

O doente pode se queixar da sua dor e da sua doença a um médico ou a um amigo, desde que não faça isso para expressar a sua raiva ou impaciência.

O Profeta (SAW) disse: “A intensidade da minha febre é equivalente a de duas pessoas”.

Aicha reclamou para o Mensageiro de Allah (SAW) da sua dor de cabeça, lamentando: “Oh, minha dor de cabeça”.

Abdullah Ibn Az-Zubair perguntou a sua mãe doente, Asmaa Bint Abi Bakr como você ela estava se sentindo e ela respondeu que estava com dor.

O doente deve agradecer e louvar Allah, antes de falar ou reclamar de sua angústia.

Ibn Massud disse que as pessoas devem agradecer a Allah antes de reclamar da sua dor.

O profeta Jacob (AS) disse: “Só exponho perante Allah o meu pesar e a minha angústia” (Alcorão 12:86).

O Profeta Muhammad (SAW) disse: “Ó Allah, perante Ti eu exponho a minha fraqueza!”

 

O doente receberá as mesmas recompensas por seus atos como quando era saudável

Abu Mussa Al-Achaari relatou que o Profeta (SAW) disse: “Se uma pessoa estiver doente ou em viagem, receberá as mesmas recompensas por seus atos como quando era saudável e residente”.<--PAGEBREAK-->

 

Visita aos enfermos

Visitar a pessoa doente para prestar-lhe apoio, faz parte da educação islâmica. Ibn Abbas disse que a primeira visita a um doente é uma Sunnah, e as demais são atos voluntários.

Abu Mussa relatou que o Profeta (SAW) disse: “Alimentai os famintos, visitai os doentes e libertai os cativos”.

Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “O muçulmano tem seis deveres para com outro muçulmano. Retribuir a sua saudação, aceitar o seu convite, dar bom conselho, rogar a Allah por ele quando espirra, visitá-lo quando doente e acompanhar o seu funeral”.

 

1-A virtude de visitar os doentes:

1-Abu Hurairah relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Quando uma pessoa visita um enfermo, um anjo do céu dirá: Abençoado seja você e abençoados sejam os seus passos. Você terá um lugar no paraíso”.

2-Abu Hurairah relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse que no Dia da Ressurreição, Allah dirá: “Ó filho de Adão, encontrei-Me doente, e não Me visitaste!” Dirá o filho de Adão: Ó Senhor, como poderia visitar-Te, sendo Tu o Senhor do Universo? Dirá Allah: “Acaso não tiveste conhecimento de que fulano, Meu servo, ficou doente e não o visitaste? Acaso não tinhas conhecimento de que se o tivesses visitado, encontrar-Me-ias com ele? Ó filho de Adão, pedi que Me desses de comer, e não Me destes!” Dirá o filho de Adão: Ó Senhor, como poderia dar-Te de comer, se Tu és o Senhor de Universo? Dirá Allah: “Acaso, fulano, Meu servo, não pediu que lhe desses de comer e não lhe deste? Acaso não tinhas conhecimento de que se lhe houvesses dado de comer, encontrarias recompensa em Mim? Ó filho de Adão, pedi que Me desses de beber, e não Me deste!” Dirá o filho de Adão: Ó Senhor, como poderia dar-Te de beber, se Tu és o Senhor do Universo? Dirá Allah: “Fulano, Meu servo, te pediu que lhe desses de beber, e não lhe deste! Acaso não sabias que se lhe tivesses dado de beber, encontrarias recompensa em Mim?”

3-Thauban relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quando um muçulmano visitar o seu irmão muçulmano, que se encontrar doente, permanecerá no limiar do Paraíso até que regresse da sua visita”. Foi perguntado então o que é o limiar do Paraíso e ele (SAW) respondeu: “É um lugar em que as frutas estão maduras”.

4-Ali disse que ouviu o Mensageiro de Allah (SAW) dizer: “Quando um muçulmano visitar outro muçulmano enfermo, pela manhã, haverá setenta mil anjos que implorarão a Allah por ele, até que anoiteça e, quando o visitar à noite, haverá setenta mil anjos que implorarão a Allah por ele, até que amanheça. Além disso, terá um horto de frutas maduras no Paraíso”.

 

2-Normas ao visitar os doentes:

Ao visitar o enfermo, o visitante deve suplicar pela saúde do doente e pedir a Allah para lhe curar. Ele deve também aconselhá-lo a se armar de paciência e dizer belas palavras para animá-lo e aliviá-lo. O Profeta (SAW) disse: “Ao visitar o enfermo e dar-lhe esperança para uma vida longa não impedirá nada, mas irá aliviá-lo e dar-lhe conforto”.

Ao visitar um doente, o Profeta (SAW) costumava dizer-lhe:

 

لا بَأسَ، طَهورٌ إنْ شاءَ الله

 

La ba’as, tahurun in chaa Allah

 

“Não se preocupe, é um meio de purificação dos pecados, se Allah quiser”.

 

As visitas ao enfermo devem ser curtas e menos frequentes, tanto quanto possível, para que essas não se tornem um peso para o doente, a menos que ele peça para que a pessoa fique ou venha com mais frequência.

 

3-As mulheres visitam os homens enfermos:

Al-Bukhari disse que Umm Ad-Dardaa visitou um homem do Ansar que estava doente.

Aicha disse que quando o Mensageiro de Allah (SAW) migrou para Medina, Abu Bakr e Bilal ficaram doentes, e então ela os visitou. Ao vê-los, disse: Ó querido pai, como você está agora? Ó Bilal, como você está agora?

 

4-Visitar o doente não muçulmano:

O muçulmano pode visitar o doente não muçulmano.

Anas disse que certa vez, um garoto judeu, que costumava servir o Profeta (SAW), ficou doente. O Profeta (SAW) visitou-o e convidou-o para o Islam, e ele aceitou.

Said Ibn Al-Mussaiyab relatou que seu pai disse que quando Abu Talib (Tio idólatra do Profeta – SAW) estava em seu leito de morte, o Profeta (SAW) visitou-o.

 

5-Visitar um pessoa com conjuntivite:

Zaid Ibn Al-Arqam disse que sofria de conjuntivite e o Mensageiro de Allah (SAW) lhe visitou.

 

6-Pedir ao enfermo rogar para ti:

Omar relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse que ao visitar uma pessoa doente, você deve pedir-lhe para rogar para ti, pois a súplica de uma pessoa doente é como a súplica dos anjos.<--PAGEBREAK-->

 

Procurar tratamento médico

A pessoa doente deve procurar tratamento médico.

1-Ussamah Ibn Churaik disse que certa vez foi até o Profeta (SAW) que estava reunido com os seus companheiros. Ao chegar, eles estavam todos quietos e calmos, então, os cumprimentou e se sentou. Alguns beduínos chegaram e perguntaram ao Mensageiro de Allah (SAW), se deveriam procurar tratamento médico para suas doenças e ele (SAW) respondeu: “Sim, vocês devem procurar tratamento médico, pois Allah não deixou nenhuma doença sem prever a sua cura, exceto uma, que é a velhice”.

2-Ibn Massud relatou que o Profeta (SAW) disse: “Em verdade, Allah não deixou nenhuma doença existir sem prever o seu remédio. Então, procurem tratamento médico para suas doenças”.

3-Jaber relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Cada doença tem o seu remédio. Se o enfermo for tratado com o remédio certo, ele será curado com a permissão de Allah”.

 

1-Se medicar com substâncias ilícitas:

A maioria dos sábios disse que se medicar com substâncias ilícitas como bebidas inebriantes é um ato proibido.

1-Wa'il Ibn Hujr relatou que Tariq Ibn Suaid perguntou ao Profeta (SAW) se ele poderia usar uma bebida inebriante como remédio. O Profeta (SAW) respondeu: “Essa não é um remédio, essa é uma doença”.

2-Umm Salamah relatou que Profeta (SAW) disse: “Allah não colocou as curas das vossas doenças em substâncias que são proibidas para vós”.

3-Abu Ad-Dardaa relatou que o Profeta (SAW) disse: “Allah criou a doença e o remédio, e cada doença tem o seu remédio, então não tratai as suas doenças com substâncias proibidas”.

4-Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) proibiu o uso de medicamento prejudicial, ou seja, o veneno.

No livro Al-Manar, o autor diz que é permitido usar algumas gotas imperceptíveis, que não podem causar embriaguez ou intoxicação, desde que isso seja uma parte de um medicamento composto. Por exemplo, o uso de um pequeno pedaço de seda natural pura, no meio de uma veste.

 

2-Tratamento com médico não muçulmano:

Em seu livro, Al-Adaab Ach-Char'iyah, Ibn Muflih escreveu que o Sheikh Taqei Al-Din Ibn Taimiyah disse que um judeu ou cristão confiável, que tem conhecimento da medicina pode tratar um doente muçulmano, e podemos negociar financeiramente com eles. Allah diz: “Entre os adeptos do Livro há alguns a quem podes confiar um quintal de ouro, que te devolverão intacto; também há os que, se lhes confiares um só dinar, não te restituirão, a menos que a isso os obrigues” (Alcorão 3:75).

O Profeta (SAW) contratou um politeísta como guia durante a sua migração para Medina, então ele confiou-lhe sua vida e seus bens. As pessoas da tribo de Khuza'ah, que não eram todas muçulmanas, atuaram como escolta para o Mensageiro de Allah (SAW). Também é relatado que o Profeta (SAW) ordenou aos muçulmanos procurarem tratamento médico com Kaldah Ibn Al-Harith, que era um descrente. Mas na presença de um médico muçulmano, a pessoa doente deve se tratar com ele.

 

3-O tratamento médico das mulheres:

Em caso de necessidade, é permitido a um homem tratar uma mulher e uma mulher tratar um homem.

Al-Rubayie Bint Mu'awwizh disse: Nós (as mulheres) participamos em batalhas com o Mensageiro de Allah (SAW), damos água para os combatentes, cuidamos os feridos e dos mortos e os levamos de volta para Medina.

Al-Hafiz no seu livro Al-Fath, escreveu que quando for necessário, é permitido um homem tratar uma mulher e uma mulher tratar um homem. Em tal caso, a pessoa pode olhar ou tocar somente o que é necessário.

Ibn Muflih no seu livro Al-Adaab Ach-Char'iyah escreveu que se uma mulher estiver doente e nenhuma médica estiver disponível, um médico poderá tratá-la. Em tal caso, o médico pode examinar até os seus órgãos genitais se for necessário.

Ibn Hamdan disse que se um homem estiver doente e nenhum médico estiver disponível, uma médica poderá tratá-lo. Em tal caso, a médica pode examinar até seus órgãos genitais se for necessário.

Al-Qadi disse que o médico pode olhar a Aurah da mulher em caso de necessidade. Da mesma forma, se for necessário, a mulher e o homem podem olhar as partes íntimas de um homem.<--PAGEBREAK-->

 

4-O uso de Súplicas e recordações no tratamento (Al-Ruqiah):

A pessoa pode usar súplicas e recordações no tratamento, mas devem ser em árabe compreensível para que seus conteúdos não contenham declarações politeístas. Auf Ibn Malik relatou que praticávamos Al-Ruqiah antes do Islam, por isso perguntamos ao Mensageiro de Allah (SAW) sua opinião e ele (SAW) disse, após ver o conteúdo dessas Ruqiah que não havia nada de errado com a Ruqiah, pois não continha quaisquer declarações politeístas.

Ar-Rabi disse que perguntou para Ach-Chafi'i sobre Al-Ruqiah e ele respondeu que não havia nada de errado desde que o seu conteúdo viesse do Alcorão ou fosse Zikr.

 

Algumas Ruqiah encontradas no Hadith:

1-Aicha disse que o Profeta (SAW) pedia refúgio em Allah por alguns dos seus familiares, os tocando com a mão direita, dizendo:

أللَّهُمَّ رَبَّ النَّاس أَذْهِبِ الْبَأْسَ ، وَاشْفِ أَنْتَ الشَّافِي ، لا شِفَاءَ إِلا شِفَاؤُكَ ، شِفَاءً لا يُغَادِرُ سَقَمًا

 

Allahumma Rabban-nas, azhhibil-ba'sa, wachfi anta al-chafi, la chifaa illa chifa-uka, chifa-an la yughadiru saqama

 

Ó Allah, o Senhor dos humanos, remove este mal e cure essa doença, pois Tu és o Curador e não há outro curador além de Ti. Dá-lhe uma cura que deixa a doença para trás.

 

2-Uthman Ibn Abu Al-Ass se queixou de dor em seu corpo para o Mensageiro de Allah (SAW). O Profeta (SAW) lhe disse: "Coloque sua mão sobre a parte de seu corpo onde há a dor, e diga:

بِسْمِ الله.

أعُوذُ بِعِزَّةِ اللهِ وَقُدْرَتِهِ مِنْ شَرِّ ما أجِدُ وَ أُحاذِرُ.(سَبْعُ مَرَّاتٍ)

 

Bismillah. Auzhu bi-izzatillah wa qudratihi min charri ma ajidu wa uhazhiru

 

Em nome de Allah. Eu me amparo em Allah e em sua Onipotência do mal que eu sinto e temo,( sete vezes).

 

Uthman disse que fez isso algumas vezes e Allah lhe tirou a dor e que ele sempre aconselha sua minha família e as outras pessoas a fazerem o mesmo.

3-Ibn Abbas relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quando alguém visita um doente, e diz sete vezes:

 

أسْألُ اللهَ العَظيم، رَبَّ العَرْشِ العَظيم، أنْ يَشْفيكَ.

 

As-alu Allaha Al-Azim, rabba al-archi Al-azim, an yachfik

 

Eu imploro a Allah o Poderosíssimo, o Senhor do Trono poderoso que te cure.

O doente será curado”.

 

 

4-Ibn Abbas disse que o Profeta (SAW) implorava a proteção de Allah sobre os seus netos Hassan e Hussein dizendo:

 

أعِيذُكُما بِكَلِماتِ اللهِ التَّامَّةِ مِنْ كُلِّ شَيْطانٍ وَهَامَّةٍ وَمِنْ كُلِّ عَيْنٍ لامَّةٍ.

 

A'izhukuma bi kalimatil-lahi at-tammah, min Kulli chaitanin wa hammah wa min Kulli ainin lammah

 

Eu protejo-os com as palavras perfeitas de Allah contra todos os demônios, animais peçonhentos e de todo olhar maldoso.

 

O Profeta (SAW) dizia para os seus netos: “O vosso pai Ibrahim implorava a proteção de Allah sobre Ismael e Ishaq com essas mesmas palavras”.

5-Saad Ibn Abu Al-Ass disse que o Profeta (SAW) lhe visitou durante a doença e disse: “Ó Allah, concede a cura ao Saad! Ó Allah, concede a cura ao Saad! Ó Allah, concede a cura ao Saad!"

 

5-O uso de amuletos é um ato proibido:

O Mensageiro de Allah (SAW) proibiu o uso de amuletos. Uqbah Ibn Amer relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Aquele que pendurar um amuleto, Allah não vai ajudá-lo e aquele que pendurar uma concha do mar, Allah não vai lhe dar paz”.

Os árabes usavam vários tipos de amuleto, como pérolas azuis, pérolas brancas e conchas do mar, acreditando que esses objetos iriam protegê-los do perigo, das doenças e do mau-olhado. O Islam aboliu essa prática e o Mensageiro de Allah (SAW) amaldiçoou aqueles que usam qualquer amuleto.

Ibn Massud relatou que certa vez, entrou em sua casa e viu a sua esposa usando um objeto amarrado no pescoço. Ele pegou o objeto, quebrou-o e disse que a família de Abdullah havia se tornado tão arrogante que agora estava atribuindo parceiros a Allah, a qual Ele não concedeu autoridade alguma. Em seguida, acrescentou que ouviu o Mensageiro de Allah (SAW) dizer: “Em verdade, encantamentos, amuletos e os encantos do amor são atos de politeísmo”. Como as pessoas sabiam o que eram os encantamentos e os amuletos, lhe perguntaram o que era um encanto de amor e ele respondeu: É um tipo de mágica pela qual as mulheres procuraram conquistar o amor de seus maridos.

Imran Ibn Hussain relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) viu um homem usando uma pulseira de cobre no braço e lhe perguntou: “Ai de ti, o que é isto?” O homem respondeu que estava com uma doença no braço. Então o Profeta (SAW) disse: “Ela fará a sua doença piorar. Jogue-a fora, pois se você tivesse morrido com essa pulseira no braço, você nunca seria bem-aventurado”.

Issa Ibn Hamzah disse que tinha ido visitar Abdullah Ibn Hakim e seu rosto estava vermelho devido à febre alta e lhe perguntou por que ele não usava um amuleto. Ele respondeu que se protegia em Allah desse tipo de coisa, pois o Mensageiro de Allah (SAW) disse que aquele que pendurar um objeto como um amuleto, estará sobre a proteção desse objeto. <--PAGEBREAK-->

 

5-Pendurar súplicas do Alcorão e do hadith:

Amr Ibn Chuaib narrou que seu avô Abdullah Ibn Amr Ibn Al-Aas relatou que o Profeta (SAW) disse: “Ao sentir medo durante o sono, a pessoa deve dizer:

 

أعُوذُ بِكَلِماتِ اللهِ الَّتَّامَّاتِ مِنْ غَضَبِهِ وَعِقابِهِ وَشَرِّ عِبادِهِ وَمِنْ هَمَزاتِ الشَّيْطان وَأنْ يَحْضُرون.

 

Auzhu bikalimatil-lahi at-tammati min ghadhabihi wa iqabihi wa charri ibadihi, wa min hamazati al-chaitani wa an yahdhurun

 

Eu busco proteção nas perfeitas palavras de Allah, de Sua fúria e de Seu castigo, da maldade de Seus servos, das insinuações dos demônios e suas presenças

 

Amr Ibn Chuaib disse que Abdullah Ibn Amr ensinava isso para seus filhos adultos e escrevia essa súplica e a pendurava ao redor dos pescoços dos seus filhos pequenos.

Aicha, Malik e a maioria dos Ach-Chafiyah e um dos relatos de Ahmad concordam com essa opinião, no entanto, Ibn Abbas, Ibn Massud, Huzhaifah, os Hanafiyah e alguns sábios dos Ach-Chafiyah e um dos relatos de Ahmad dizem que isso é um tipo de amuleto, portanto é proibido.

 

6-As doenças contagiosas:

A pessoa com uma doença contagiosa pode ser proibida de viver entre as pessoas saudáveis.

O Profeta (SAW) disse que uma pessoa doente não deve se misturar com as saudáveis.

O Profeta (SAW) proibiu de misturar os camelos doentes com os saudáveis e disse: “Não há doença contagiosa e nem mau agouro”. Também foi relatado que o Profeta (SAW) aceitou o juramento de fidelidade de um leproso, mas não permitiu que ele entrasse em Medina.

 

7-A proibição de entrar ou sair de uma área de epidemia:

O Mensageiro de Allah (SAW) proibiu as pessoas a sairem ou entrarem numa terra onde há uma epidemia, a fim de evitar o perigo e confinar a doença contagiosa a uma área limitada. Ussamah Ibn Zaid relatou que o Profeta (SAW) disse: “A epidemia é um resquício de um castigo que foi infligido sobre um grupo dos filhos de Israel, portanto se a epidemia acometer o lugar onde vocês estão, então não saiam fugindo desse lugar e se ela acometer outro lugar, vocês não devem ir para lá”.

Ibn Abbas relatou que durante uma viagem para Ach-Cham, chegando a um lugar chamado Sargh, Omar Ibn Al-Khattab foi informado por Abu Ubaidah Ibn Al-Jarrah e outros companheiros que Ach-Cham foi atingida por uma epidemia. Omar reuniu os líderes dos Emigrantes para saber suas opiniões. Alguns diziam que deveriam continuar a viagem, embora outros diziam que deveriam interrompê-la e retornar. Em seguida, Omar reuniu os Socorredores e pediram as suas opiniões. Todos eles tiveram a mesma opinião de que deveriam retornar com as pessoas e não deviam expô-las a peste. Em seguida, Omar se dirigiu ao povo anunciando que iria voltar na manhã seguinte. De manhã, Abu Ubaidah Ibn Al-Jarrah disse a Omar que estavam fugindo do decreto de Allah! Omar respondeu: Ó Abu Ubaidah, eu não esperava isso de você. Sim, estamos fugindo de um decreto de Allah para outro decreto de Allah. Se você tem um rebanho de camelos e os leva a um vale que tem duas áreas, uma pastagem verde e outra seca e estéril. Se você deixar o seu rebanho pastar no pasto verde, você não estará cumprindo o decreto de Allah? E se você deixar o seu rebanho pastar na terra seca estéril, você não estará cumprindo o decreto de Allah? Ao chegar Abdurrahman Ibn Auf, que estava ausente, ele disse: Tenho algum conhecimento sobre esse assunto, pois eu ouvi o Mensageiro de Allah (SAW) dizer: “Se a epidemia atingir o lugar onde vocês estão, então não saiam fugindo desse lugar. Se a epidemia atingir outro lugar, vocês não devem ir para lá”. Ao ouvir isso, Omar disse: Louvado seja Allah! E depois partiu.

 

Lembrar-se da morte e se preparar para isso com boas ações

Ibn Omar relatou que um homem do Ansar disse ao Profeta (SAW): Ó Profeta de Allah! Quem é o mais sagaz e mais prudente dentre as pessoas. Ele (SAW) respondeu: “São aqueles que se lembram da morte e se preparam para ela. Eles são os mais sábios dentre as pessoas e terão a honra neste mundo e uma generosa recompensa na derradeira vida”.

Ibn Omar também relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Lembrai sempre da destruidora dos prazeres”, ou seja, a morte.

Ibn Massud relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) explicou o versículo “Então, a quem Allah deseja guiar, Ele lhe dilatará o peito para o Islam” (Alcorão 6:125) e disse: “Isto significa que, quando a luz da verdade entrar no coração, o coração se expandirá e se abrirá”. Os companheiros perguntaram se havia alguma evidência disso no muçulmano e ele respondeu: “A dedicação a vida eterna, o desinteresse por essa vida de ilusão e a preparação para a morte antes que ela aconteça”.<--PAGEBREAK-->

 

A pessoa não pode desejar a morte

A pessoa não pode desejar a morte devido à pobreza, sofrimento, doença, ou similar. Anas relatou que o Profeta (SAW) disse: “Nenhum de vós deve desejar a morte devido a uma dificuldade que a atingiu, mas se alguém não tiver outra escolha, deve dizer:

 

اللَّهُمَّ احْيِني ما كانَتِ الحَياة خَيْرا لي، وَتَوَفَّني إذا كانَتِ الوَفاةَ خَيْرا لي.

 

Allahumma ahiini ma kanatil-hayatu khairan li, wa tawafani izha kanatil-wafatu khairan li

 

Ó Allah, Concede-me a vida, enquanto a vida é melhor para mim e me faça morrer se a morte é melhor para mim.

 

Umm Al-Fadhl relatou que o Profeta (SAW) foi visitar o seu tio Al-Abbas que estava doente e o encontrou desejando a morte. Então, o Profeta (SAW) disse: “Ó Abbas, tio do Mensageiro de Allah! Não deseje a morte. Se você é um benfeitor e viver muito, as suas boas obras irão se multiplicar e isso é melhor para ti. Se você é um malfeitor e viver mais, você pode buscar o perdão de Allah, o que também é melhor para ti. Portanto, não deseja a morte”.

A pessoa, no entanto, pode desejar a morte para evitar ou caso tema que a sua fé seja colocada em risco. O Mensageiro de Allah (SAW) disse em uma das suas súplicas:

 

اللَّهُمّ إنيَ أسْإلُكَ فِعْلَ الخَيْرات، وَتَرْكَ المُنْكَرات، وَحُبَّ المَساكين، وَأنْ تَغْفِرَ لي وَتَرْحَمَني، وَإذا أرَدْتَ فِتْنَةً في قَوْمي فَتَوَفَّني غَيْرَ مَفْتون، وَأسْألُكَ حُبَّكَ وَحُبَّ مَنْ يُحِبُّكَ وَحُبَّ عَمَلٍ يُقَرِّبُ إلى حُبِّكَ.

 

Allahumma Inni as'aluka fi'lal Khairat, wa tarkal munkarat, wa hubbal massakin, wa an taghfira li wa tarhamani, wa izha aradata fitnatan fi Qaumi fatawafani ghaira maftunin, wa as'aluka hubbaka wa hubba man yuhibbuka wa hubba amalin yuqarribu ila hubbika

 

Ó Allah, eu imploro para Ti me guiar para o bem, me afastar do mal e amar os necessitados. Eu imploro pelo o Seu perdão e por Sua misericórdia. Se Tu submeter o meu povo a uma tentação, me faça morrer sem ser afetado por ela. Ó Allah, imploro pelo seu amor, pelo amor de quem Te ama e pelo amor da boa ação que me faz aproximar do Seu amor.

 

Omar suplicava dizendo:

 

اللَّهُمَّ كَبُرَتْ سِنِّي، وَضَعُفَتْ قُوَّتي، وانْتَشَرَتْ رَعِيَّتي، فاقْبِضْني إلَيْكَ غَيْرَ مُضَيِّعٍ ولا مُفَرِّط

 

Allahumma kaburat Sinni, wa dha'ufat quwwati wa antachrat Ra'iyati faqbidhni ilaika ghaira mudhayi' Wa la mufarri

 

Ó Allah, eu envelheci, tornei-me fraco e minha nação se aumentou. Ó Allah, me leve até Ti antes de falhar ao fazer meus deveres ou ultrapassar os meus limites.

 

A virtude de uma vida longa com boas obras

Abdurrahman Ibn Abu Bakrah relatou que seu pai disse que um homem perguntou ao Mensageiro de Allah (SAW) qual seria o melhor dos homens e ele (SAW) disse: “Aquele que teve uma vida longa e repleta de boas obras”. E o homem ainda perguntou quem seria o pior e o Profeta (SAW) respondeu: “Aquele que teve uma vida longa e repleta de más obras”.

Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Os melhores dentre vós são aqueles que tiveram uma vida longa e repleta de boas obras”.

 

Fazer boas obras antes da morte é sinal de um bom final

Anas relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quando Allah quer favorecer um servo, Ele o usa”. Os companheiros perguntaram como Allah usa as pessoas e o Profeta (SAW) respondeu: “Ele lhe guia para fazer boas obras antes de levá-lo”.

 

Confiar em Allah durante a doença

O doente deve confiar em Allah e na Sua infinita misericórdia. Jaber disse que ouviu o Mensageiro de Allah (SAW) dizer, três noites antes de sua morte: “A pessoa deve morrer confiante em Allah”. Este hadith significa que a pessoa deve ter a esperança do perdão quando se encontrar com Allah, o Clemente, o Misericordioso, o Generoso e o Perdoador. O Profeta (SAW) disse: “Todo servo será ressuscitado de acordo com o estado (da fé) em que ele morreu”.

Anas relatou que o Profeta (SAW) foi visitar um jovem que estava em seu leito de morte e o Profeta (SAW) perguntou-lhe: “Como você está?” O jovem disse: Eu espero o perdão de Allah, mas estou com medo por meus pecados. O Profeta (SAW) disse: “Quando estas duas características se reúnem no coração de uma pessoa que está nesse estado, Allah concede-lhe o que ela espera e a proteje do que ela teme”.

 

Aquele que presencia a morte de uma pessoa deve fazer súplicas e recordação

Umm Salamah relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Ao visitar um doente ou uma pessoa que está no leito de morte, vocês devem dizer o que é bom, pois os anjos estão presentes e tudo o que vocês falarem, eles dirão: Amém”. Ela acrescentou que quando Abu Salamah faleceu, foi para o Profeta (SAW) e disse: Ó Mensageiro de Allah, Abu Salamah morreu! O Profeta (SAW) disse: “Diga: Ó Allah, perdoa-me e perdoe a ele, e recompensa-me em seu lugar, com o melhor”. Então, ela fez assim e Allah lhe deu alguém melhor do que ele. Lhe deu Muhammad (SAW).

Umm Salamah também disse que quando Abu Salamah faleceu, o Profeta (SAW) fechou os olhos de Abu Salamah e disse: “Quando a alma deixa o corpo, as vistas a seguirão”. Alguns da família de Abu Salamah começaram a chorar e se lamentar. O Profeta (SAW) disse: “Vocês devem suplicar e dizer o que é bom, pois os anjos estão presentes e tudo o que vocês falarem, eles dirão: Amém. Então, digam: Ó Allah, perdoe Abu Salamah e eleve-o nos degraus junto aos retamente guiados, e que Tu sucedas àqueles que ele deixou e perdoe a nós e a ele, Ó Senhor dos Mundos. Torna seu túmulo espaçoso e coloca luz dentro dele”.<--PAGEBREAK-->

 

O que devemos fazer pela pessoa na hora da sua morte?

É de a Sunnah fazer os seguintes atos:

1-Exortar o moribundo a pronunciar o testemunho da fé: “La ilaha illallah” (Não há outra divindade além de Allah).

Abu Said Al-Khudri relatou que o Profeta (SAW) disse: “Exortai os vossos moribundos a pronunciarem o testemunho da fé: “La ilaha illallah” (Não há outra divindade além de Allah)”.

Muazh Ibn Jabal relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Aquele cujas últimas palavras foram a afirmação do testemunho da fé: “La ilaha illallah” (Não há outra divindade além de Allah) entrará no Paraíso”.

Esse ato deve ser feito apenas quando o moribundo não estiver pronunciando o testemunho, pois se ele o estiver fazendo não há necessidade de tentar convencê-lo a fazer.

A pessoa que estiver em coma ou for incapaz de falar pode dizer estas palavras no seu coração.

Os sábios dizem que não se pode forçá-lo a pronunciar o testemunho, pois ele pode ficar irritado e dizer algo impróprio.

Se ele pronunciar o testemunho uma vez, não deve ser exortado a fazê-lo novamente, a menos se disser algumas palavras depois. Em tal caso, deve ser exortado a fazê-lo novamente para que o testemunho da fé seja as últimas palavras ditas por ele.

A maioria dos sábios disse que o moribundo deve ser exortado a dizer apenas “La ilaha illallah”. Outros dizem que ele deve ser exortado a dizer os dois testemunhos “La ilaha illallah wa Muhammad rassulullah”.

 

2-Voltá-lo para a Qiblah deitado sobre seu lado direito:

Abu Qatadah disse que quando o Profeta (SAW) chegou em Medina, perguntou sobre uma pessoa chamada Al-Baraa Ibn Ma'rur. O povo lhe disse que ele havia falecido e que na hora da sua morte, ele doou um terço da sua propriedade ao Profeta (SAW) e pediu para ser colocado voltado em direção à Qiblah. O Profeta (SAW) disse: “Ele seguiu a natureza inata e eu devolvo o terço de sua propriedade para seus filhos”. Então, o Profeta (SAW) suplicou por ele e disse: “Ó Allah, perdoe-o, tenha misericórdia dele e leve-o para o Seu Paraíso”.

Ahmad relatou que Fátima, a filha do Profeta (SAW), na hora da sua morte, virou-se para a Qiblah e colocou sua cabeça sobre a sua mão direita. Esta é a posição recomendada pelo Profeta (SAW) para dormir e para o túmulo, por isso o cadáver deve ser colocado nessa posição.

Ach-Chafi'i disseram que o corpo do falecido deve ser colocado de costas, com os pés em direção a Caaba e seu rosto um pouco levantado, de frente para a Qiblah, entretanto, a maioria dos sábios prefere a primeira posição.

 

3-Recitar a Surata Ya-Sin (Sura 36 do Alcorão):

Ma'aqil Ibn Yassar relatou que o Profeta (SAW) disse: “A Surata Ya-Sin é o coração do Alcorão. Aquele que a recitar buscando a satisfação de Allah e Seu perdão na derradeira vida, Allah irá perdoá-lo. Então a recitai sobre os vossos mortos”.

Ibn Hibban disse que este hadith refere-se à recitação de Ya-Sin sobre aqueles que estão prestes a morrer e não sobre quem já está morto.

Safuan relatou que os sábios dizem que a recitação de Ya-Sin sobre um moribundo, facilita a sua morte.

Abu Ad-Dardaa e Abu Zharr relataram que o Profeta (SAW) disse: “Quando a Surata Ya-Sin é recitada sobre o moribundo, Allah facilitará a sua morte”.

 

4-Fechar os olhos do falecido:

Umm Salamah relatou que quando Abu Salamah morreu e o Profeta (SAW) foi vê-lo, ele estava com olhos abertos, então o Profeta (SAW) fechou os olhos do falecido e disse: “Quando a alma deixa o corpo, as vistas a seguirão”.

 

5-Cobrir o falecido:

Aicha disse que quando o Mensageiro de Allah (SAW) faleceu, ele foi coberto com um manto listrado do Iêmen.

Todos os sábios dizem que a pessoa pode beijar o falecido.

O Profeta (SAW) beijou Uthman Ibn Madh'un após sua morte.

Abu Bakr se inclinou sobre o Profeta (SAW) após a sua morte e beijou-o entre os olhos, dizendo: Ó meu Profeta. O meu melhor amigo!

 

6-Preparar o corpo para o enterro imediatamente:

Depois da confirmação da morte por um médico, o responsável pelo falecido deve lavá-lo imediatamente e prepará-lo para ser enterrado após a oração fúnebre, pois o corpo pode se deteriorar se o enterro atrasar.

Al-Hussain Ibn Wahwuh relatou que quando Talhah Ibn Al-Baraa adoeceu, o Profeta (SAW) disse: “Eu vejo que Talhah está à beira da morte. Quando ele morrer, avisai-me e começai a fazer os preparativos imediatos para o seu enterro, pois o cadáver de um muçulmano não deve ser deixado muito tempo entre seus familiares”.

O enterro pode ser adiado apenas para esperar o parente responsável, desde que não haja perigo de deterioração do corpo.

Ali Ibn Abu Talib relatou que o Profeta (SAW) lhe disse: “Ó Ali, três atos não podem ser adiados: A oração quando chega o seu devido tempo, o funeral quando a morte é confirmada e o casamento de uma mulher quando encontra um homem conveniente para ela”.

 

7-Pagar a dívida do falecido

A dívida do falecido deve ser paga da propriedade que ele deixou. Abu Hurairah relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “A alma do crente permanecerá suspensa (sem entrar no paraíso) até que todas as suas dívidas sejam pagas”.

Isso se aplica a uma pessoa que deixa alguma propriedade após a sua morte.

Em relação à pessoa que morre em dívida e ele sinceramente tem intenção de pagá-la, mas não teve condição, a sua dívida será quitada por Allah, o Altíssimo. Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Se alguém pegar dinheiro emprestado com a intenção de pagar, mas morrer sem o fazer, Allah quitará a sua dívida. E se alguém pegar dinheiro emprestado só com a intenção de gastá-lo, Allah irá destruí-lo”.

Ahmad, Abu Nu'aim, Al-Bazzar e At-Tabarani relataram que o Profeta (SAW) disse: “No dia do Juízo, o devedor será convocado perante Allah. Então, Allah vai lhe perguntar: Ó Filho de Adão, por que você se endividou e não pagou os direitos das pessoas? Dirá o filho de Adão: Meu Senhor, Tu sabes que eu peguei esse dinheiro, mas não gastei com comida, nem com bebida e nem gastei desnecessariamente, pois tive um prejuízo com roubo, incêndio ou outro problema. Dirá Allah: Meu servo disse a verdade e eu tenho mais direito para liquidar sua dívida. Então, Allah irá ordenar que um algo fosse colocado em sua balança onde estão suas boas obras. Assim as suas boas obras superarão as suas más obras e com a misericórdia de Allah, ele entrará no paraíso”.

No início do Islam, o Profeta (SAW) não realizava orações fúnebres para as pessoas que haviam morrido com dívida, mas quando a população muçulmana aumentou e novas terras foram conquistadas, cresceu o numero dos endividados, então, o Profeta (SAW) começou a realizar a oração fúnebre para o endividado e pagar as suas dívidas.

Al-Bukhari narrou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Eu sou o mais próximo aos fiéis. Então, se alguém morrer endividado, sem deixar um meio para pagar a sua dívida, nós devemos pagar por ele. E se alguém morrer e deixar alguma propriedade, os seus herdeiros devem pagar a sua dívida”.

Este hadith mostra que a dívida de um muçulmano falecido pode ser paga do erário público através da parte do zakat que é direcionada aos endividados e que o endividado tem esse direito mesmo depois da sua morte.

 

8-Suplicar e dizer: Inna lillah wa inna ilaihi raji'um

Na morte de um parente ou amigo, o crente deve suplicar e dizer:

 

إنَّا لله وَإنَّا إلَيْهِ راجِعون

 

Inna lillah wa inna ilaihi raji'un

 

Somos de Allah e a Ele retornaremos

 

Umm Salamah disse que ouviu o Profeta (SAW) dizer: “O servo de Allah que sofre com uma desgraça e diz:

 

إنَّا لله وَإنَّا إلَيْهِ راجِعون، اللهُمَّ أجِرْني في مُصِيبَتي واخْلِف لي خَيْراً مِنْها

Inna lillahi wa inna ilaihi raji'un, Allahumma ajirni fi mussibati wa akhlif li Khairan minha

 

Somos de Allah, e a Ele retornaremos. Ó Allah recompensa-me por minha aflição, e troque-a para mim por algo melhor”

 

Ao dizer isso, Allah o recompensará e trocará a sua desgraça por algo melhor. Umm Salamah acrescentou que quando Abu Salamah morreu, ela disse isso e Allah concedeu-lhe alguém melhor. Allah lhe deu o Mensageiro de Allah (SAW) como marido.

Abu Mussa Al-Ach'ari relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quando morre o filho de alguém. Allah dirá aos Seus anjos: Recolheram a alma do filho do meu servo? E eles responderão: Sim, Ó Allah. Allah dirá: Recolheram a semente de seu coração? Eles responderão: Sim, Ó Allah. Allah dirá: O que disse Meu servo? Eles responderão: Te louvou e disse: Somos de Allah e a Ele retornaremos. Allah dirá: Então, construam uma casa no Paraíso para Meu fiel servo e lhe de o nome de: A casa do Louvor”.

Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Allah disse: Não há nada melhor do que o Paraíso para um servo crente como recompensa por sua paciência ao perder um ente querido”.

Allah diz: “Aqueles que, quando os aflige uma desgraça, dizem: Somos de Allah e a Ele retornaremos. Estes são os cobertos pelas bênçãos e pela misericórdia de seu Senhor, e estes são os bem encaminhados” (Alcorão 2:156-157). Comentando sobre estes versículos do Alcorão, Ibn Abbas disse: Nesses versículos, Allah nos informa que quando um crente se entrega a vontade d’Ele, e diz: Somos de Allah e a Ele retornaremos. Allah lhe concederá três bons méritos: a Sua bênção, a Sua misericórdia e Sua orientação para a senda reta.<--PAGEBREAK-->

 

9-Avisar os familiares e amigos do falecido:

Os sábios recomendam que a família do falecido, amigos e as pessoas virtuosas sejam avisadas sobre a sua morte, para que possam compartilhar a recompensa de participar do funeral.

Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) avisou seus companheiros sobre a morte de Al-Najachi, o rei da Absínia, chamou-os e realizaram a oração fúnebre com quatro takbir.

Anas relatou que o Profeta (SAW) informou ao povo sobre a morte de seus companheiros, Zaid, Jaafar e Ibn Rauahah, os comandantes do exército muçulmano na batalha de Mu'tah, quando eles ainda estavam no campo da batalha.

At-Tirmizhi disse que os parentes e os amigos do falecido devem ser avisados.

Malik Ibn Anas disse que anunciar em voz alta a morte de alguém nas portas da mesquita é um ato não recomendado. Melhor seria anunciar isso dentro da mesquita.

Huzhaifah disse: Quando morrer, não quero que minha morte seja anunciada, pois o Profeta (SAW) proibiu anunciar a morte de uma pessoa como se fosse um convite ao luto. Isso se refere a uma prática do período pré-islâmico. Naqueles dias, quando um nobre morria, costumavam enviar um cavaleiro a várias tribos para informá-las sobre a sua morte dizendo: Os árabes estão devastados pela morte de fulano. Então as pessoas começavam a chorar e lamentar escandalosamente.

 

Chorar pelo falecido

 

Os sábios dizem que as pessoas podem chorar pelo falecido, silenciosamente, sem gritos. O Profeta (SAW) disse: “Allah não punirá uma pessoa por derramar lágrimas ou sentir dor em seu coração, mas Ele punirá por essa, ou perdoará” e indicou a sua língua.

O Profeta (SAW) chorou a morte de seu filho, Ibrahim, e disse: “O olho chora, o coração está triste e não dizemos a não ser o que agrada ao nosso Senhor. Estamos tristes por tua partida ó Ibrahim”. Ele também chorou quando sua neta, Umaimah, filha de Zainab, morreu. Saad Ibn Ubadah disse: Ó Mensageiro de Allah, você está chorando e proibiu Zainab de chorar! O Profeta (SAW) respondeu: “O choro é a misericórdia que Allah colocou nos corações dos seus servos e Allah tem misericórdia de Seus servos que são misericordiosos”.

Abdullah Ibn Zaid disse que o choro é permitido, mas sem grito.

Chorar e lamentar em voz alta causa dor e sofrimento ao falecido. Ibn Omar relatou que quando Omar foi esfaqueado, ficou inconsciente e as pessoas começaram a chorar alto. Quando recuperou a consciência, ele disse-lhes: Vocês não sabem que o Mensageiro de Allah (SAW) disse que a pessoa morta sofre com choro dos vivos.

Abu Mussa relatou que, quando Omar foi ferido, Suhaib gritou: Ó meu querido irmão. Omar disse: Ó Suhaib, você não sabe que o Mensageiro de Allah (SAW) disse que a pessoa morta sofre com choro dos vivos.

Estes Hadices significam que a pessoa morta sente dor e sofre quando ouve os gemidos da sua família, pois ele ouve seus choros e as suas atitudes são apresentadas a ele. Isso não significa que os mortos são punidos e atormentados por causa do choro e grito de suas famílias, pois Allah diz: “E nenhuma alma pecadora arca com o pecado de outra” (Alcorão 39:7).

Abu Hurairah disse que vossas obras serão mostradas aos vossos parentes mortos. Então, se estas foram boas, eles ficarão contentes e se estas foram más, eles ficarão tristes.

Anas relatou que o Profeta (SAW) disse: “As vossas obras são mostradas aos vossos parentes e as pessoas das vossas tribos. Então, se estas foram boas, eles ficarão contentes e se estas foram más, eles dirão: Ó Allah, não deixe-lhes morrer até que Tu os guie para o caminho certo como Tu vos guiou antes”.

An-Nu'man Ibn Bachir disse, que certa vez, Abdullah Ibn Rawahah desmaiou, então, sua irmã, Amrah, começou chorar e dizer: Ó minha perda é monumental! Ó meu isso! Ó meu aquilo! Quando Abdullah recuperou a consciência, ele disse a ela: Toda vez que você falava alguma coisa sobre mim, os anjos me perguntavam: Você é realmente o que ela está dizendo?

 

Lamentar e chorar de voz alta

 

O Profeta (SAW) proibiu as pessoas de chorarem e lamentarem em voz alta pelo falecimento de alguém.

Abu Malik Al-Ach'ari relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quatro práticas dos dias pré-islâmicos continuam sendo praticadas por minha nação: Orgulhar-se da sua filiação, zombar da filiação dos outros, acreditar que a chuva é causada por algumas estrelas e lamentar a morte de alguém”.

O Profeta (SAW) disse: “A carpideira que não se arrepender antes de sua morte, será apresentada no Dia do Juízo vestindo uma roupa de alcatrão e uma armadura de sarna”.

Umm Atiyah disse que ela e as mulheres prometeram para o Mensageiro de Allah (SAW) que não mais lamentariam ou chorariam em voz alta sobre os mortos.

Al-Bazzar narrou que o Profeta (SAW) disse: “Dois sons são malditos, nessa vida e na outra: o som de instrumentos musicais por uma benção e a lamentação e o choro alto por uma desgraça”.

Abu Mussa disse que detestava o que o Mensageiro de Allah (SAW) detestava: A mulher que lamentava em voz alta, que raspava a cabeça e que rasgava suas roupas pela morte de alguém.

 

O luto

 

Com a permissão do marido, a mulher pode ficar de luto por um período de três dias pela morte de um parente próximo.

No caso do falecimento do marido, a mulher deve ficar de luto por um período de quatro meses e dez dias, o que é o prazo legal da Iddah.

Umm Atiyah relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “A mulher não deve ficar de luto por mais de três dias, exceto no caso da morte de seu marido, que ela deve ficar por um período de quatro meses e dez dias. Durante esse período, ela não pode usar qualquer vestido colorido, deve usar um vestido simples. Também não deve usar nenhum adorno ou maquiagem nos olhos, nem usar qualquer perfume, tingir suas mãos e pés com henna ou pentear o cabelo, exceto no final de seu período menstrual, quando pode usar um perfume para se livrar de qualquer odor desagradável deixado por seu período”.

Durante o luto, a viúva não deve usar qualquer adorno, como jóias, Kohl, seda, perfume ou tingir henna nas mãos e nos pés.

 

Preparar comida para a família do falecido

 

Abdullah Ibn Jaafar relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Preparem um pouco de comida para a família de Jaafar, pois eles estão muito abalados”.

Os sábios dizem que esta prática é recomendada, pois é um ato de virtude, bondade e fortalece os laços entre as pessoas.

Ach-Chafii disse: Recomenda-se que os parentes do falecido preparem comida suficiente para alimentar toda a família do falecido por um dia e uma noite, pois, isso é Sunnah e prática de pessoas bondosas.

Os sábios dizem que as pessoas devem convencer a família do falecido a comer, pois a tristeza e a dor os deixam sem vontade de se alimentar e assim, se tornam fracos.

Os sábios também dizem que não pode oferecer alimentos para as mulheres que estão chorando e lamentando em voz alta para não ajudá-las a cometer esse ato pecaminoso.

Todos os sábios afirmam que a família do falecido não deve preparar comida para as pessoas que estão no enterro, pois, isso é um costume dos árabes antes do Islam. Jarir disse que naquela época, a preparação da comida pela família do falecido e a reunião das pessoas depois do enterro para comer, era considerada uma parte do luto. Alguns sábios dizem que esse ato é pecado.

Ibn Qudamah disse que é permitido, no entanto, quando há necessidade real para isso, pois, às vezes as pessoas que presenciaram o funeral vieram de lugares distantes e têm de ficar com a família do falecido e eles não podem ficar sem comer. <--PAGEBREAK-->

 

Preparar a mortalha e a sepultura antes da morte

 

Sahl Ibn Saad disse que uma mulher veio ao Profeta (SAW) com um manto que tinha costura em suas bordas. Ela disse que havia tecido com suas próprias mãos, a fim de dá-lo ao Profeta (SAW). O Profeta (SAW) levou-o porque precisava e o envolveu em torno de sua cintura e veio em sua direção. Um homem elogiou-o dizendo que isso era muito agradável e lhe pediu para vestir. Então, o Profeta (SAW) lhe deu o manto, pois, nunca negou o pedido de alguém. Algumas pessoas disseram para o homem: Porque você fez isso? O Profeta necessita desse manto. O homem respondeu: Por Allah, eu não pedi o manto para usá-lo, mas para guardá-lo e usá-lo como minha mortalha. Sahl disse que algum tempo depois, quando o homem morreu, esse manto realmente foi a sua mortalha.

Al-Hafiz disse que baseado nesse hadith, a pessoa pode preparar a sua mortalha e a sua sepultura antes da morte.

Ibn Battal disse que é permitido preparar algo antes que seja realmente necessário.

Além disso, Al-Hafiz disse que alguns virtuosos prepararam as suas sepulturas durante suas vidas.

Al-Zain Ibn Al-Munir criticou Al-Hafiz e disse que nenhum dos companheiros do Profeta (SAW) fez isso, porém Ahmad disse que não há nada de errado se uma pessoa comprar um lugar para ser enterrado e disse que Uthman, Aicha e Omar Ibn Abdul-Aziz fizeram isso.

 

O desejo de morrer no Al-Haramain (Al-Masjid Al-Haram e Al-Masjid An-Nabawi)

 

Hafsah relatou que Omar disse: Ó Allah, conceda-me o martírio em Sua causa e faça-me a morrer na cidade do Seu Profeta (SAW). Então Hafsah lhe perguntou o porque ele estava pedindo isso e ele disse: Se Allah quiser, vou conseguir o que eu roguei.

Jaber relatou que o Profeta (SAW) disse: “Aquele que morrer em uma das duas Sagradas Mesquitas será ressuscitado em paz no Dia da Ressurreição”.

 

A recompensa da perda de um filho
 

Anas relatou que o Profeta (SAW) disse: “O muçulmano que perde três de seus filhos que não tenham alcançado a puberdade, Allah o fará entrar no paraíso como recompensa pela misericórdia que teve para com eles”.

Abu Said Al-Khudri disse que algumas mulheres pediram ao Profeta (SAW) reservar um dia para ensiná-las e orientá-las. Ele disse-lhes: “Cada mulher que perder três filhos em vida, terá uma proteção que lhe afastará do inferno”. Uma mulher perguntou e se perdesse apenas dois, e então Ele (SAW) disse: “Também”.

 

O tempo de vida dos muçulmanos
 

Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “O tempo de vida das pessoas do meu povo é entre sessenta e setenta anos e poucas ultrapassarão essa idade”.

 

A morte é um descanso

 

Abu Qatadah disse que certa vez, o Profeta (SAW) passou por um funeral e disse: “Ele descansou e deixou os outros descansarem”. As pessoas perguntaram como ele havia descansado e deixado os outros descansarem também, e Ele (SAW) disse: “Com a morte, o crente descansa das aflições deste mundo e com a morte do ímpio, descansam as pessoas, as terras, as árvores e os animais”.

 

A preparação do cadáver

 

A preparação do corpo do falecido é lavá-lo, amortalhá-lo e em seguida, fazer a oração fúnebre sobre ele e enterrá-lo.

 

1-Lavar o defunto: A maioria dos juristas disse que a lavagem do defunto é uma obrigação religiosa (Fardh Kifayah) e a exceção desta obrigação é um compromisso coletivo, isto é, desde que alguém a execute, os outros estão isentos.

2-Quem deve ser lavado: Todo muçulmano que morre, deve ter seu corpo lavado, exceto aquele que morreu em um campo de batalha contra os infiéis.

3-Lavar um pedaço de um corpo humano: Há uma diferença de opinião entre os juristas muçulmanos em relação a lavagem de um pedaço cortado de um corpo.

Ach-Chafi'i, Ahmad e Ibn Hazm dizem que o pedaço deve ser lavado e amortalhado e a oração fúnebre deve ser feita sobre a alma que partiu.

Ach-Chafi disse que foram informados de que um pássaro deixou cair uma mão humana em Meca após a Batalha do Camelo. O povo a identificou por um anel que estava nos dedos (a mão é de Abdurrahman Ibn Itab Ibn Ussaid), então, a mão foi lavada, amortalhada e a oração fúnebre foi feita na presença de muitos companheiros.

Ahmad disse que Abu Ayub ofereceu oração fúnebre sobre um pé e que Omar ofereceu oração sobre ossos.

Ibn Hazm disse que a oração fúnebre pode ser feita sobre qualquer órgão de muçulmano encontrado morto. O órgão deve ser lavado e amortalhado, exceto quando for parte do corpo de um mártir. Disse que nesse caso, a oração fúnebre deve ser feita com intenção de que essa seja sobre a pessoa falecida de corpo e alma.

Abu Hanifah e Malik dizem que se mais da metade do corpo de um muçulmano for encontrado, então, deve ser lavado e a oração fúnebre deve ser feita, mas se o que foi encontrado é menos do que a metade do corpo, nesse caso, não há lavagem e nem oração fúnebre”.

4-O mártir não precisa ser lavado: O corpo de um mártir que morre em uma batalha contra os descrentes, não pode ser lavado mesmo que tenha morrido em estado de impureza (Genebah). Seu corpo deve ser amortalhado com as roupas que usava no momento em que morreu e se essas roupas não forem suficientes para cobri-lo, alguns panos podem ser usados para encobrir seu corpo de acordo com a Sunnah. O corpo do mártir deve ser enterrado em seu estado e o sangue não deve ser lavado.

O Profeta (SAW)disse: “Não lavem os mártires, pois a cada ferida ou cada gota de sangue exala um perfume no Dia do Juízo”.

O Profeta (SAW) ordenou que os mártires da batalha de Uhud fossem enterrados com suas roupas manchadas de sangue, sem que fossem lavados os seus corpos e nem que fosse feita a oração fúnebre sobre eles.

5-Os mártires que devem ser lavados e a oração fúnebre deve ser realizada sobre eles: Aqueles que não foram mortos em uma batalha contra os descrentes, embora possam ser considerados como mártires na lei islâmica, devem ser lavados e a oração fúnebre deve ser feita sobre eles. Durante a vida do Profeta (SAW) os corpos dessa categoria de mártires, foram lavados.

Mais tarde, os muçulmanos lavaram os corpos de Omar, Uthman e Ali, pois todos eles são considerados mártires. Jaber Ibn Utaik relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Existem sete tipos de mártires, além dos mortos pela causa de Allah:

-Aquele que morre pela epidemia;

-Aquele que morre afogado;

-Aquele que morre pelo derrame pleural;

-Aquele que morre de uma enfermidade estomacal;

-Aquele que morre em um incêndio;

- Aquele que morre esmagado em baixo de escombros;

-A mulher que morre durante o parto”.

Abu Hurairah relatou que o Mensageiro de Allah (SAW) perguntou aos seus companheiros: “Quem vocês consideram ser um mártir?” Eles disseram: Ó profeta de Allah, é aquele que morre pela causa de Allah. O Profeta (SAW) disse: “Então, na minha nação haverá poucos mártires!” Eles perguntaram: Então, quais são os mártires, ó mensageiro de Allah? Ele (SAW) disse: “Aquele que morre pela causa de Allah é um mártir, aquele que morre naturalmente na causa de Deus é um mártir, aquele que morre pela epidemia é um mártir, aquele que morre de uma enfermidade estomacal é um mártir e aquele que morre afogado é também um mártir”.

Said Ibn Zaid relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quem morre defendendo sua propriedade é um mártir, quem morre em sua própria defesa é um mártir, quem morre defendendo a sua religião é um mártir e quem morre enquanto protege a sua família é também um mártir”.<--PAGEBREAK-->

6-O descrente não deve ser lavado: O muçulmano não deve lavar o corpo de um descrente, mas alguns sábios permitiram isso. Ahmad e Malik dizem que o muçulmano não pode lavar o corpo de um parente descrente, nem amortalhá-lo e nem enterrá-lo, a menos que se tema que o corpo se decomponha por causa das condições climáticas ou que atraia animais predadores, etc. Esta opinião é baseada no que Ahmad, Abu Daud, Nasa'i e Al-Baihaqi relataram que Ali disse: Quando meu pai Abu Talib morreu, eu disse ao Mensageiro de Allah (SAW): Seu tio, o velho iludido, já morreu e o Profeta (SAW) disse: “Vai, enterre o seu pai e volte para mim”. Ali disse que fez o que ele mandou e voltou, então, o Profeta (SAW) lhe mandou tomar um banho e orou por Ali.

7-Como lavar o corpo: Todo corpo deve ser lavado com água pelo menos uma vez, independentemente se o falecido é um homem em Genebah ou uma mulher menstruada.

Na lavagem, devem permanecer apenas as pessoas cuja presença for necessária.

O lavador do corpo deve ser uma pessoa confiável e piedosa que não fale nada sobre que o viu do falecido, exceto o que é bom.
Ibn Majah narrou que o Profeta (SAW) disse:
“As pessoas confiáveis que devem lavar vossos mortos”.

A lavagem deve ser de seguinte forma:

1-O lavador deve ter a intenção de lavar o falecido,

2- Colocar o corpo sobre um lugar elevado,

3-Remover as roupas do falecido, deixando as partes íntimas cobertas,

4-Inclinar seu tórax levemente para frente, massageando suavemente o seu abdômen, para expelir qualquer impureza que esteja nos canais,

5-Lavar suas partes íntimas, usando qualquer pano enrolado na mão, para que não haja toque direto com essas partes, como também, evitar olhá-las,

6-Fazer a ablução (Wudhu) para o falecido. O Profeta (SAW) disse: “Começem a lavar o lado direito do corpo e as partes que são lavados na ablução”,

7-Lavar todo o corpo começando pelo lado direito, depois o lado esquerdo da cabeça aos pés, ensaboando e enxaguando-o três vezes ou mais se necessário. O Profeta (SAW) disse: “Lavem-na três, cinco, sete ou mais vezes se houver necessidade”.

Ibn Al-Munzhir disse que se o falecido for uma mulher, o seu cabelo deve ser solto, lavado e colocado atrás das costas. Umm Atiyah disse que quando lavaram Zainab, a filha do Profeta (SAW), o seu cabelo foi feito em três tranças. Ibn Hibban disse que o Profeta (SAW) lhes ordenou a fazer isso e disse: “Façam seu cabelo em três tranças”,

8-Secar o corpo com uma toalha limpa para não molhar a mortalha e perfumá-lo se possível. O Profeta (SAW) disse: “Perfumai o corpo do falecido em um número ímpar de vezes depois de lavá-lo”.

Abu Wa'il disse que Ali tinha um pouco de almíscar que foi aplicado ao corpo do Profeta (SAW) quando faleceu e ele, Ali, pediu que fosse aplicado ao seu corpo após a sua morte. A maioria dos sábios disse que cortar as unhas de um falecido, cortar seu bigode, raspar o cabelo em seus braços ou de suas partes íntimas é um ato não recomendado. Ibn Hazm, no entanto, disse que isso é permitido.

Alguns sábios dizem que, se o corpo do falecido estiver excretando algo (como urina ou fezes), após ter sido lavado e antes de ser amortalhado, deve-se lavar apenas a parte atingida. Outros dizem que, em tal caso, o corpo deve ser lavado de novo. Uns dizem que deve fazer a ablução para o falecido novamente. Alguns outros sustentam que em tal caso, a lavagem completa deve ser repetida.

Em relação a lavagem do falecido, as opiniões da maioria dos sábios são baseadas no hadith de Umm Aliyah que disse: Quando faleceu a sua filha Zainab, o Mensageiro de Allah (SAW) disse: “Lavem-na três, cinco ou mais vezes com água e folhas de arvore (Assidr) e na lavagem final, misturem a água com cânfora e quando terminarem, informem-me”. Ao terminar a lavagem, o Profeta (SAW) deu para as mulheres uma peça de roupa dele e disse-lhes para embrulhar Zainab nela. A razão para usar cânfora, como mencionado por alguns sábios, é o seu cheiro agradável, pois durante o enterro os anjos estão presentes. Além disso, é refrescante e relaxante para o corpo e ajuda a manter os insetos longe do corpo, impedindo assim a sua decomposição precoce. Se a cânfora não estiver disponível, qualquer outra substância que possua estas características pode ser utilizada.

8-Purificar o morto com o Tayammum: Se não houver água para lavar o corpo de um falecido, ele pode ser purificado com Tayammum.

Allah diz: Sem encontrardes água, servi-los do tayamum com terra limpa” (Alcorão 5:6).

O Profeta (SAW) disse: “Toda terra foi feita para mim e para minha nação, como um lugar para a oração e para a purificação”.

Nesse caso, o Tayammum é permitido:

1-Quando não há água;

2-Quando o corpo pode deteriorar-se se for lavado com água;

3-Quando uma mulher morre em um lugar que só tem homens estranhos dela e não houver outra mulher presente para lavá-la;

4-Quando um homem morre em um lugar que só tem mulheres estranhas dele e não houver outro homem presente para lavá-lo.

Makhul relatou que o Profeta (SAW) disse: “Se uma mulher morrer em um lugar que só tem homens e não houver outra mulher presente para lavá-la, ela deve ser purificada com tayammum e enterrada. Se um homem morre em um lugar que só tem mulheres e não houver outro homem presente para lavá-lo, ele deve ser purificado com tayammum e enterrado. Ambos serão considerados como aqueles que morreram quando não havia água disponível para a lavagem”.

Abu Hanifah e Ahmad dizem que, nesse caso, quem deve fazer o Tayammum para a mulher falecida é um de seus parentes consanguíneos (Mahram). Se não houver Mahram, então qualquer outro homem pode dar a ela um tayammum usando qualquer pano enrolado na mão.

Malik e Ach-Chafi'i dizem que se um Mahram dela estiver presente, ele pode lavá-la normalmente.

Malik disse que ouviu os sábios dizerem que se uma mulher morrer e não houver mulher presente, nem um Mahram e nem seu marido, ela deve ser purificada com tayammum, passando o seu rosto e as suas mãos com o solo seco. E que o mesmo deve ser feito no caso de um homem que morre e não há outro homem para lavá-lo.

Ibn Hazm sustenta que, se um homem morrer e não houver nenhum homem para lavá-lo e se uma mulher morrer e não houver nenhuma mulher para lavá-la, então as mulheres podem lavar o corpo do homem e os homens o corpo da mulher cobrindo-o com um pano grosso, derramando água sobre o corpo inteiro sem qualquer contato físico. Ele disse também que o tayammum deve ser feito somente quando a água não estiver disponível.

9-O marido lava a sua esposa e a esposa lava seu marido: Os juristas estão de acordo que a mulher pode lavar o corpo de seu marido morto. Aicha disse que se soubesse disso, não teria deixado ninguém lavar o corpo do profeta a não serem as suas esposas.

A maioria dos sábios disseram que o marido pode lavar a sua esposa morta. Ad-Daraqutni e Al-Baihaqi relataram que quando Fatima faleceu, Ali lavou o seu corpo. Isso também é apoiado por um hadith do Profeta (SAW) que disse a Aicha: “Se você morrer antes de mim, vou te lavar e te amortalhar”.

Al-Hanafi disse que o marido não pode lavar o corpo da sua esposa morta, mas se não houver mulher presente, ele pode purificá-la com tayammum. No entanto, o hadith acima prova o contrário dessa visão.

10-Uma mulher pode lavar um menino: Ibn Al-Munzhir disse que todos os sábios estão de acordo de que uma mulher pode lavar o corpo de um menino pequeno.<--PAGEBREAK-->

 

A Mortalha

 

O corpo da pessoa falecida deve ser amortalhado, mesmo que seja apenas com um pedaço de pano.

Khabbab disse que quando Mus'ab Ibn Umair foi morto como mártir na batalha de Uhud, não encontraram nada para amortalhá-lo exceto o seu manto. Se cobríamos a sua cabeça, os seus pés ficavam descobertos, e se cobríamos os seus pés, a sua cabeça ficava descoberta. Então o Profeta (SAW) os ordenou a cobrir a sua cabeça com o manto e cobrir os seus pés com grama.

1-Recomendações em relação a mortalha:

- A mortalha deve ser agradável, limpa e grande o suficiente para cobrir todo o corpo: Abu Qatadah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Aquele que amortalhar um irmão muçulmano, deve amortalhá-lo com perfeição”.

 

- A mortalha deve ser branca: Ibn Abbas relatou que o Profeta (SAW) disse: “Usem as roupas brancas e amortalhem os seus mortos nelas, pois estas são as melhores roupas”.

 

- Perfumar a mortalha: Jaber relatou que o Profeta (SAW) disse: “Perfumem o corpo do morto, três vezes”.

Abu Said, Ibn Omar e Ibn Abbas pediram para que suas mortalhas fossem perfumadas com ramo de uma árvore.

 

- Amortalhar o corpo do homem com três pedaços de tecidos: Aicha disse que o Mensageiro de Allah (SAW) foi amortalhado com três pedaços de tecido branco do Iêmen, sem camisa e sem turbante. At-Tirmizhi disse que a maioria dos sábios entre os companheiros do Profeta (SAW) concordam com isso.

Sufian Al-Thauri disse que o homem deve ser amortalhado com três pedaços de pano ou uma camisa e dois panos. Se não houver três pedaços de tecido, o corpo pode ser amortalhado com dois ou apenas um pedaço de tecido, mas o melhor é três.

 

- Amortalhar o corpo da mulher com cinco pedaços de tecido: Umm Atiyah disse que Zainab filha do Profeta (SAW) foi amortalhada em uma saia, uma camisa, um véu e dois pedaços de tecido.

Ibn Al-Munzhir disse que a maioria dos sábios concordam que a mulher deve ser amortalhada com cinco pedaços de tecido.

2-O amortalhamento de uma pessoa que morre durante a peregrinação ou na Umrah: Se um peregrino morre, deve ser lavado e amortalhado com as roupas do Ihram, sem ter sua cabeça coberta e sem perfume, pois ele continua em Ihram. Ibn Abbas disse que durante a peregrinação, um homem caiu da sua montaria e morreu e o Profeta (SAW) disse: “Lavem-no com água e folhas da árvore de Assidr, em seguida, amortalhem-no em suas roupas do Ihram e não o perfumem e nem lhe cubram a cabeça, pois ele será ressuscitado, por Allah, dizendo: Labbaik allahumma labbaik! (Eis-me aqui, ó Allah)”.

Abu Hanifah e Malik dizem que aquele que morre durante a peregrinação pode ser lavado, amortalhado, perfumado e ter sua cabeça coberta. Eles dizem que o caso do homem que morreu durante a peregrinação do Profeta (SAW) é um caso especial e não pode ser generalizado.

3-A extravagância na mortalha é um ato rejeitado: A mortalha deve ser boa, mas não deve haver um exagero ao comprá-la pagando preço alto. Ali disse para que a preparação da mortalha não seja extravagante, pois ouviu o Mensageiro de Allah (SAW) dizer: “Não sejam extravagantes na preparação da mortalha, pois em breve ela se exaurirá”.

Huzhaifah disse: Não sejam extravagantes na preparação da minha mortalha, comprem para mim dois pedaços de tecido branco.

Abu Bakr disse: Lavem a roupa que eu estiver usando, acrescentem mais dois pedaços de tecido e me amortalham neles. Aicha disse que a roupa que ele estava usando era velha e desgastada e ele disse: As roupas novas são para os vivos e não para os mortos. Esta coberta é apenas para absorver as secreções do corpo.

4-Usar mortalha de seda: O uso de mortalha de seda é proibido para os homens, mas é permitido para as mulheres. O Mensageiro de Allah (SAW) disse: “O ouro e a seda são proibidos para os homens da minha nação e permitidos para as mulheres”.

Muitos sábios não permitem o uso da seda em mortalha nem para as mulheres, porque isso é uma extravagância e um desperdício de dinheiro. A seda é para a mulher se embelezar durante a sua vida e não para embelezar a sua mortalha.

Ahmad, Al-Hassan, Ibn Al-Mubarak e Ishaq desaprovam o uso de seda em mortalha para a mulher.

Ibn Al-Munzhir disse que a maioria dos sábios são dessa opinião.

5-A mortalha deve ser comprada com dinheiro do falecido: A mortalha deve ser comprada com dinheiro do falecido. Se o falecido não deixou nenhum dinheiro, então, o seu responsável deve comprar a sua mortalha. No caso do falecido não deixar dinheiro e não houver ninguém reponsável por ele, então a sua mortalha deve ser comprada do cofre público dos muçulmanos ou com o dinheiro dos muçulmanos. Essa regra é valida para os homens e para as mulheres.

Ibn Hazm disse que a mulher deve comprar a sua mortalha ou o seu túmulo de seu próprio dinheiro, pois seu marido não é obrigado a comprar isso para ela. O marido deve fornecer a sua esposa alimentação, vestuário e habitação, mas a mortalha não é um vestido e o túmulo não é uma habitação.<--PAGEBREAK-->

 

A oração fúnebre

 

Todos os sábios estão de acordo de que a oração fúnebre é uma obrigação (Fardh kifayah). Isso é baseado na ordem do Profeta (SAW).

Abu Hurairah disse que quando o Profeta (SAW) era informado da morte de uma pessoa, ele perguntava se ele havia deixado algum dinheiro para pagar a sua dívida. Se ele tivesse deixado alguma coisa, o Profeta (SAW) realizava a oração fúnebre sobre ele. Caso contrário, dizia aos muçulmanos: “Façam oração fúnebre para vosso irmão”.

1-A sua virtude: Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quem presenciar o funeral até a oração terá um quilate. Quem presenciar até o sepultamento terá dois quilates e cada um deles é do tamanho da montanha de Uhud”.

Khabbab perguntou a Abdullah Ibn Omar se havia ouvido o que Abu Hurairah tinha dito, pois ele disse que ouviu o Mensageiro de Allah (SAW) dizer: “Quem presenciar o funeral, oferecer oração fúnebre e ficar até sepultamento terá dois quilates de recompensas, cada um do tamanho da montanha de Uhud. E quem presenciar o funeral até a oração terá um quilate do tamanho da montanha de Uhud”. Ibn Omar enviou Khabbab para perguntar a Aicha sobre o relato de Abu Hurairah e ela disse que o que Abu Hurairah disse era verdade. Ao saber a resposta, Ibn Omar disse: Nós realmente perdemos muitos quilates.

2-Condições necessárias para a oração fúnebre: As condições necessárias para a oração fúnebre são as mesmas que para as orações obrigatórias. Qualquer pessoa com a intenção de oferecer oração fúnebre deve estar em um estado de pureza, livre de todas as impurezas maiores e menores, deve cobrir a sua Aurah e ficar de frente para a Qiblah.

Abdullah Ibn Omar disse que para oferecer uma oração fúnebre, a pessoa deve estar em estado de pureza.

A oração fúnebre difere das orações prescritas pois não há tempo fixo para oferecê-la. Ela pode ser oferecida a qualquer momento, mesmo nos tempos em que as orações não são permitidas. Esta é a opinião de Abu Hanifah e Ach-Chafi'i.

Ahmad, Ibn Al-Mubarak e Ishaq desaprovam a oração fúnebre quando o sol nascer, quando estiver se pondo e quando está no seu meridiano, a menos que haja medo de alteração ou deterioração do cadáver.

3-Os pilares da Oração Fúnebre: A oração Fúnebre possui certos atos obrigatórios que, se não forem cumpridos corretamente, a oração torna-se inválida dentro da Charia. Esses atos são:

- A Intenção: Allah diz: “E lhes foi ordenado que adorassem sinceramente a Deus” (Alcorão 98:5).

O Profeta (SAW) disse: “As obras vêm determinadas pelas intenções. Assim, cada pessoa alcançará o que busca, de acordo com suas intenções”.

Falamos anteriormente que o lugar da intenção é o coração e não a língua.

 

- Executá-la em pé: A maioria dos sábios disse que a oração fúnebre deve ser realizada em pé e a pessoa que for capaz de rezar em pé e a executa sentado ou em cima de uma montaria, tem sua oração invalidada.

No livro de Al-Mughni o autor disse que não se pode oferecer a oração fúnebre em cima da montaria, pois executá-la em pé é obrigatório. Esta é a opinião de Abu Hanifah, Ach-Chafii e Abu Thaur Abu. Não há nenhuma diferença de opinião entre os sábios sobre este ponto. É preferível colocar a mão direita sobre esquerda, como é feito na oração prescrita.

 

- Fazer quatro Takbirah: Jaber disse que ao realizar a oração fúnebre para Najachi (Negus), o Pofeta (SAW) realizou quatro Takbirah.

At-Tirmizhi disse que a maioria dos companheiros do Profeta (SAW) e os seguidores estão de acordo que deve ser feito quatro Takbirah. Essa também é a opinião de Sufian, Malik, Ibn Al-Mubarak, Ach-Chafii, Ahmad e Ishaq.

4-Levantar as mãos ao fazer Takbir: A Sunnah é levantar as mãos somente ao pronunciar o primeiro Takbir, pois durante a oração fúnebre, o Profeta (SAW) levantava as suas mãos somente ao fazer o primeiro Takbir.

Ach-Chaukani disse que não há nenhum hadith do Profeta (SAW) que prova que ele levantava as mãos nas quatro Takbirah. Portanto, se deve levantar as mãos só na primeira Takbirah que é Takbirat Al-Ihram, pois na oração fúnebre não há mudança de posição, por isso não há necessidade de elevar as mãos nas outras três Takbirah.

5-Recitar Al-Fatiha em silêncio: Abu Umamah Ibn Sahl disse que um dos Companheiros do Profeta (SAW) disse-lhe que, a Sunnah na oração fúnebre é o Imam dizer em voz alta Allahu Akbar, recitar Al-Fatiha silenciosamente, invocar a bênção para o Profeta (SAW) e depois suplicar para o falecido. Nada, além disso, deve ser recitado entre as Takbirah. Finalmente, ele deve terminar a oração com o Taslim.

Talhah Ibn Abdullah disse que executou uma oração fúnebre com Ibn Abbas. Ele recitou Al-Fatiha e disse que essa era uma sunnah do Profeta (SAW). At-Tirmizhi disse essa é a prática de alguns dos sábios entre os Companheiros do Profeta (SAW) que recitavam Al-Fatiha após o primeiro Takbir. Esta também é a opinião de Ach-Chafi'i, Ahmad e Ishaq.

Al-Thauri e o povo de Kufah dizem que não é para recitar Al-Fatiha, pois a oração fúnebre deve consistir em louvor para Allah, invocar a bênção para o Profeta (SAW) e suplicar para o falecido. Aqueles que defendem a recitação da Al-Fatiha na oração fúnebre argumentam que o Profeta (SAW) disse aos companheiros: “Façam oração sobre vosso irmão”. Então, ele chamou esse ato de oração e nenhuma oração pode ser completa sem Al-Fatiha, pois o Profeta (SAW) também disse: “Não há oração para quem não recitar Al-Fatiha”.

6-Invocar bênçãos sobre o Profeta de (SAW): Para invocar bênçãos sobre o Profeta (SAW) pode ser feito o seguinte:

 

اللّهُـمَّ صَلِّ عَلـى مُحمَّـد، وَعَلـى آلِ مُحمَّد، كَمـا صَلَّيـتَ عَلـى إبْراهـيمَ وَعَلـى آلِ إبْراهـيم، إِنَّكَ حَمـيدٌ مَجـيد ، اللّهُـمَّ بارِكْ عَلـى مُحمَّـد، وَعَلـى آلِ مُحمَّـد، كَمـا بارِكْتَ عَلـى إبْراهـيمَ وَعَلـى آلِ إبْراهيم، إِنَّكَ حَمـيدٌ مَجـيد

 

Allahumma salli ala Muhammad wa ala aali Muhammad, kama sallaita ala Ibrahim wa ala aali Ibrahim, innaka hamiidun majiid. Allahumma baarik ala Muhammad wa ala aali Muhammad, kama baarakta ala Ibrahim wa ala aali Ibrahim, innaka hamiidun majiid

 

Ó Allah exalta Muhammad e sua família assim como Tu exaltaste Abraão e a família de Abraão, em verdade Tu és o Laudabilíssimo, o Munificente. Ó Allah abençoa Muhammad e sua família assim como Tu abençoaste Abraão e a família de Abraão, em verdade Tu és o Laudabilíssimo, o Munificente

 

Isso deve ser dito após o segundo Takbir.

7-Súplicas para o falecido: O Profeta (SAW) disse: “Quando oferecerdes a oração fúnebre a um falecido, sejam sinceros ao suplicardes por ele”. Algumas súplicas recomendadas:

- Abu Hurairah disse que, ao suplicar por um falecido, o Profeta (SAW) disse:

 

اللَّهُمَّ أنْتَ رَبُّهَا ، وَأنْتَ خَلَقْتَهَا ، وَأنتَ هَدَيْتَهَا للإسْلاَمِ ، وَأنتَ قَبَضْتَ رُوحَهَا ، وَأنْتَ أعْلَمُ بِسرِّهَا وَعَلاَنِيَتِهَا ، وَقَدْ جِئنَاكَ شُفَعَاءَ لَهُ ، فَاغْفِرْ لَهُ

 

Allahumma anta Rubbuha, wa anta khalaqtaha, wa anta hadaitaha lil lslam, wa anta qabadhata ruhaha, wa anta A’lamu bi-sirriha wa alaniyatiha, qad ji’naka chufaa lahu, fachfir lahu.

 

Ó Allah, Tu és o seu Senhor, Tu és o seu Criador, que o guiou para o Islam, Tu foste Quem extinguiu sua vida e Tu és o Conhecedor dos seus segredos e seus manifestos. E nós Te suplicamos, como intercessores por ele, que o perdoes.

 

- Wa'ilah Ibn Al-Asqa relatou que, ao suplicar por um falecido, o Profeta (SAW) disse:

 

اللَّهُمَّ إنَّ فُلانَ ابْنَ فُلانٍ في ذِمَتِّكَ وَحَبْلِ جِوَارِكَ ، فَقِهِ فِتْنَةَ القَبْرِ ، وَعذَابَ النَّار ، وَأنْتَ أهْلُ الوَفَاءِ وَالحَمْدِ ؛ اللَّهُمَّ فَاغْفِرْ لَهُ وَارْحَمْهُ ، إنَّكَ أنْتَ الغَفُورُ الرَّحيمُ

Allahumma inna Fulan ibn Fulan fi zhimmatika wa habli jiwarika. fa-Qihi fitnatal-qabri wa azhaban-nar, anta ahlul Wafa wal Hamd, Allahumma afaghfir lahu wa arahmhu innaka antal ghafur al-rahim

 

Ó Allah, fulano filho de fulano está sob Sua custódia e nos laços de Tua companhia, proteja-o das tribulações do túmulo e do castigo do fogo. Tu és o Senhor da fidelidade e da verdade. Então, perdoe-o, tenha misericórdia dele, pois só Tu és o Perdoador e o Misericordioso

 

- Auf Ibn Malik disse que, durante uma oração fúnebre, ouviu o Profeta (SAW) dizer:

 

اللَّهُمَّ اغْفِرْ لَهُ وَارْحَمْهُ ، وَعَافِهِ وَاعْفُ عَنْهُ ، وَأكْرِمْ نُزُلَهُ ، وَوَسِّعْ مُدْخَلَهُ ، وَاغْسِلْهُ بِالمَاءِ وَالثَّلْجِ وَالبَرَدِ ، وَنَقِّه مِن الخَطَايَا كَمَا يُنَقَّى الثَّوْبَ الأَبْيَضَ مِنَ الدَّنَس ، وَأبدلْهُ دَاراً خَيْراً مِنْ دَارِهِ ، وَأهْلاً خَيراً مِنْ أهْلِهِ ، وَزَوْجَاً خَيْراً مِنْ زَوْجِهِ ، وَأدْخِلهُ الجَنَّةَ ، وَأعِذْهُ مِنْ عَذَابِ القَبْرِ ، وَمنْ عَذَابِ النَّارِ

 

Allahumma aghfir Lahu wa arhamhu, wa afihi wa aafu anhu, wa akrim nuzulahu wa wassi' mudkhalahu, wa aghsilhu bil ma'i wath-thalji wal-barad, wa naqihi minal khataya kama yunaqa ath-thaubu al-abiadhu minad-danas, wa abdilhu daran Khairan min darihi wa ahlan Khairan min ahlihi wa zaujan Khairan min zaujihi wa adkhilhu al-jannata wa aizhhu min azhabil-qabri wa azhabin-nar

 

Ó Allah, perdoe-lhe e tenha misericórdia dele. Desculpe-o e perdoe-lhe. Faça honrável sua recepção, expanda sua entrada e lave-o com água, neve e gelo. Purifique-o de seus pecados assim como Tu purificas a roupa branca da sujeira. Troca sua casa por uma casa melhor, sua família por uma família melhor, sua esposa por uma esposa melhor e faça com que entre no paraíso. Proteja-o do castigo do túmulo e do castigo infernal

 

- Abu Hurairah disse que, ao suplicar por um falecido, o Profeta (SAW) disse:

 

اللَّهُمَّ اغْفِرْ لِحَيِّنَا وَمَيِّتِنَا ، وَصَغِيرنَا وَكَبيرنَا ، وَذَكَرِنَا وَأُنْثَانَا ، وشَاهِدنَا وَغَائِبِنَا ، اللَّهُمَّ مَنْ أحْيَيْتَهُ مِنَّا فَأحْيِهِ عَلَى الإسْلاَمِ ، وَمَنْ تَوَفَّيْتَهُ مِنَّا فَتَوفَّهُ عَلَى الإيمَان ، اللَّهُمَّ لاَ تَحْرِمْنَا أجْرَهُ ، وَلاَ تَفْتِنَّا بَعدَهُ

 

Allahumma aghfir lihaiina wa maitina, wa saghírina wa kabírina,wa zhákarina wa unthána, wa cháhidina wa gha‘íbina. Allahumma man ahiaitahu minna fa‘ahihi ³alaal Islam, wa man tawaffaitahu minna fatawafahu ³alaal-iman, Allahumma la tahrimna ajrah, wa la taftinna bá³dah

 

Ó Allah, perdoe os nossos vivos e os nossos mortos, os nossos pequenos e os nossos idosos, os nossos homens e as nossas mulheres, os presentes e os ausentes. Ó Allah, quem Tu mantiveres vivo dos nossos, mantenha-o vivo no Islam e quem Tu levardes dos nossos, deixe-o morrer na fé (Al-Iman). Ó Allah, não nos prive de Tua recompensa e não nos desvie depois dele

 

- An-Nawawi disse que, se o falecido é uma criança, um menino ou uma menina, devemos fazer a seguinte súplica:

 

اللَّهُمَّ اغْفِرْ لِحَيِّنَا وَمَيِّتِنَا ، وَصَغِيرنَا وَكَبيرنَا ، وَذَكَرِنَا وَأُنْثَانَا ، وشَاهِدنَا وَغَائِبِنَا ، اللَّهُمَّ مَنْ أحْيَيْتَهُ مِنَّا فَأحْيِهِ عَلَى الإسْلاَمِ ، وَمَنْ تَوَفَّيْتَهُ مِنَّا فَتَوفَّهُ عَلَى الإيمَان ، اللَّهُمَّ لاَ تَحْرِمْنَا أجْرَهُ ، وَلاَ تَفْتِنَّا بَعدَهُ

اللهُمَّ اجْعَلْهُ فَرَطًا وذُخْراً لِوالِدَيْهِ، وشَفيعاً مُجاباً. اللَّهُمَّ ثَقِّلْ بِهِ مَوازينَهُما وأعْظِمْ بِهِ أجورَهُما وافْرِغِ الصَّبْرَ عَلى قُلوبِهِما ولا تَفْتِنْهُما بَعْدَهُ ولا تَحْرِمْهُما أجْرَهُ.

 

Allahumma aghfir lihaiina wa maitina, wa saghírina wa kabírina,wa zhákarina wa unthána, wa cháhidina wa gha‘íbina. Allahumma man ahiaitahu minna fa‘ahihi ³alaal Islam, wa man tawaffaitahu minna fatawafahu ³alaal-iman, Allahumma la tahrimna ajrah, wa la taftinna bá³dah. Allahumma ij'alhu faratan wa zhukhran liwalidaihi wa chafi'an mujaba. Allahumma thaqqil bihi mawazinahuma wa aadhim bihi ujurahuma, wa afrigh as-sabra ala qulubihima, wala taftinhuma baadah, wala tahrimhuma ajrah

 

Ó Allah, perdoe os nossos vivos e os nossos mortos, os nossos pequenos e os nossos idosos, os nossos homens e as nossas mulheres, os presentes e os ausentes. Ó Allah, quem Tu mantiveres vivo dos nossos, mantenha-o vivo no Islam e quem Tu levardes dos nossos, deixe-o morrer na fé (Al-Iman). Ó Allah, não nos prive de Tua recompensa e não nos desvie depois dele. Ó Allah, faz dele uma grande recompensa e uma provisão aos seus pais e também um intercessor que seja aceito. Ó Allah, através dele faça a balança de seus pais pesar para o lado do bem, aumente através dele as suas recompensas, coloque a paciência em seus corações, não os prive de Tua recompensa e não os desvie depois dele

 

- Ach-Chaukani disse que, durante a oração fúnebre, a pessoa pode fazer essas súplicas após todos os takbirs ou após o primeiro, segundo ou terceiro takbir, pois não há momento especifico para fazê-las.<--PAGEBREAK-->

8-Súplicas após o quarto Takbir: É preferível suplicar para o falecido após o quarto Takbir, mesmo que a pessoa tenha feito isso após o terceiro Takbir.

Ahmad narrou que quando a filha de Abdullah Ibn Abi Aufa faleceu, ele liderou a oração fúnebre da própria filha, fez quatro Takbirah, suplicou após o quarto Takbir e disse que o Profeta (SAW) fez isso.

Ach-chafii disse que depois do quarto Takbir, a pessoa pode dizer:

 

اللَّهُمَّ لاَ تَحْرِمْنَا أجْرَهُ ، وَلاَ تَفْتِنَّا بَعدَهُ

 

Allahumma la tahrimna ajrah wala taftinna baadah

 

Ó Allah, não nos prive de Tua recompensa e não nos desvie depois dele

 

Ibn Abu Hurairah disse que os primeiros muçulmanos costumavam dizer, depois do quarto Takbir:

 

رَبَّنا آتِنا في الدُّنْيا حَسَنَة وفي الآخِرَةِ حَسَنَة وقِنا عَذابَ النَّار.

 

Rabbana atina fid-dunia hassanah, wafil-akhirati hassanah wa qina azhaban-nar

 

“Ó Senhor nosso, concede-nos na vida terrena, benefício, e, na derradeira vida, benefício; e quarda-nos do castigo do Fogo” (Alcorão 2:201)

 

9-O Taslim: Todos os sábios com exceção de Abu Hanifah estão de acordo que os dois Taslim, no final da oração fúnebre, são obrigatórios. Abu Hanifah, no entanto, é da opinião de que esse ato é necessário, mas não é um pilar.

Ibn Massud disse que o Taslim no final de uma oração fúnebre é semelhante ao Taslim no final de qualquer oração formal. Deve-se dizer no mínimo: As-Salamu Alaikum ou Salamun Alaikum.

Ahmad disse que a Sunnah é fazer um Taslim para a direita, mas pode ser feito para frente. Isto é baseado na prática do Profeta (SAW) e de seus companheiros, que terminavam a oração fúnebre com um Taslim.

Ach-Chafi'i disse que é melhor fazer dois Taslimah, um para a direita e outro para a esquerda.

Ibn Hazm disse que o segundo Taslim é recordação e um ato de virtude.

 

Como executar a oração fúnebre

 

1-Ficar em pé e se preparar para executar a oração;

2-A intenção de executar a oração fúnebre para o falecido;

3-Levantar as duas mãos e fazer o primeiro Takbir (Takbirat Al-Ihram);

4-Colocar a mão direita sobre a mão esquerda;

5-Recitar Al-Fatiha em silêncio;

6-Fazer o segundo Takbir;

7-Invocar benções sobre o profeta (SAW);

8-Fazer o terceiro Takbir;

9-Suplicar pelo falecido;

10-Fazer o quarto Takbir;

11-Suplicar para os muçulmanos em geral;

12-Terminar a oração com o Taslim.

 

A posição do Imam na oração fúnebre

 

O Imam deve ficar próximo a cabeça do corpo, quando o falecido é um homem e ficar ao meio do corpo quando o falecido é uma mulher.

Anas executou uma oração fúnebre por um homem ficando próximo a sua cabeça. Assim que o corpo do homem foi levado para ser enterrado, um corpo de uma mulher foi trazido para a oração fúnebre. Então, ele liderou a oração ficando ao meio de seu corpo. Ao ser perguntado sobre o seu ato, ele disse que essa era a prática do Profeta (SAW).

Al-Tahawi disse que esta é a posição preferida, pois os relatos afirmam que o Mensageiro de Allah (SAW) fazia isso.

 

A oração fúnebre por vários mortos

 

Se há vários homens mortos, eles devem ser colocados em linhas separadas entre o Imam e a Qiblah. O mais virtuoso dentre eles, deve ser colocado mais perto do Imam. Uma oração fúnebre única pode ser oferecida por todos eles.

Se os falecidos são homens e mulheres, o Imam pode executar duas orações, uma pelos homens e uma pelas mulheres. Mas também é permitido oferecer uma oração única por todos. Nesse caso, os homens devem ser colocados diretamente na frente do Imam, seguidos pelas mulheres em direção da Qiblah.

Nafi’ relatou que Ibn Omar realizou uma oração fúnebre por nove pessoas, homens e mulheres. Ele os colocou em uma fileira sendo os homens mais próximos do Imam e as mulheres na direção da Qiblah.

No funeral de Umm Kulthum, filha de Ali e esposa de Omar e seu filho Zaid, Said Ibn Al-Ass liderou a oração fúnebre na presença de Ibn Abbas, Abu Hurairah, Abu Said e Abu Qatadah, o menino foi colocado próximo ao Imam. Um homem disse que não havia gostado deste arranjo, então, olhou para Ibn Abbas, Abu Hurairah, Abu Said e Abu Qatadah, e perguntou: O que é isso? Eles responderam: Esta é a Sunnah do Profeta (SAW).

Baseado nesse Hadith, se os falecidos são homens, mulheres e crianças, as crianças devem ser colocadas depois dos homens e as mulheres depois das crianças em direção da Qiblah.

 

Dividir os oradores em três fileiras

 

Dividir os oradores em três linhas retas é um ato recomendado. Malik Ibn Hubairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “O crente que participa no seu funeral um grupo de três fileiras de muçulmanos, terá os seus pecados perdoados”.

Baseando-se nisso, Malik Ibn Hubairah sempre dividia as pessoas na oração fúnebre em três fileiras.

Ahmad disse que mesmo se os participantes em uma oração fúnebre forem poucos, ainda prefere que eles se dividam em três linhas. Ele foi perguntado se houvesse apenas quatro pessoas presentes e respondeu que eles poderiam fazer duas linhas, com duas pessoas em cada.

 

A participação do maior número possível de pessoas na oração fúnebre

 

A participação do maior número possível de pessoas na oração fúnebre é um ato recomendado.

Aicha relatou que Profeta (SAW) disse: “O falecido que tem participando do seu funeral um grupo de cem muçulmanos e todos intercederem por ele, a intercessão deles será concedida”.

Ibn Abbas relatou que ouviu o Profeta (SAW) dizer: “O muçulmano que tem participando do seu funeral um grupo de quarenta muçulmanos, que não associam parceiro algum a Allah, Allah lhes permitirá interceder por ele”.

 

Chegar atrasado para a oração fúnebre

 

A pessoa que chega atrasado e perde uma parte de uma oração fúnebre, pode repor o Takbir perdido. Mas se ele não repor, também não há problema.

Ibn Omar, Al-Hassan, Ayyub Al-Sukhtiani e Al-Auza'i dizem que a pessoa não deve repor o Takbir perdido, mas deve terminar a sua oração fazendo o Taslim junto com o Imam.

Ahmad disse que alguém não repor, não há problema.

O autor do livro Al-Mughni é da opinião de Ibn Omar.

Aicha disse ao profeta (SAW) que, às vezes, ao participar da oração fúnebre, não conseguia ouvir alguns dos takbirs do Imam e ele (SAW) respondeu: “Se você ouvir o Imam, faça o Takbir e o que você perder, não precisa repor”.

O caso do Takbir na oração fúnebre é semelhante ao Takbir do Eyd, se perder não precisa repor.

 

Para quem deve ser feita a oração fúnebre

 

Todos sábios estão de acordo que a oração fúnebre deve ser feita para todos os muçulmanos, homens, mulheres, jovens e velhos.

Ibn Al-Munzhir disse que os sábios estão de acordo de que, se uma criança nasce viva, a oração fúnebre deve ser feita para ela.

Al-Mughirah Ibn Chu'bah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Aquele que estiver sobre sua montaria, deve ficar atrás do funeral, e aquele que estiver a pé, deve ficar a frente, a direita ou a esquerda. A oração fúnebre deve ser feita para o bebê e se deve implorar o perdão e a misericórdia para os seus pais”.

 

A oração fúnebre para uma criança abortada

 

Todos os sábios dizem que o feto abortado, com menos de quatro meses de idade, não pode ser lavado, nem se pode oferecer oração fúnebre para ele. Ele deve ser amortalhado em um pedaço de pano e enterrado. Mas se o feto abortado é com quatro meses de idade ou mais e nasceu vivo, deve ser lavado e a oração fúnebre deve ser oferecida para ele.

Abu Hanifah, Malik, Al-Auza'i e Al-Hassan dizem que se ele não nasceu vivo, não deve ser lavado e nem a oração deve ser oferecida por ele.

Jabir relatou que o Profeta (SAW) disse: “Se o feto abortado nasceu vivo, a oração fúnebre deve ser oferecida para ele e terá a sua parte na herança”.

Ahmad, Said, Ibn Sirin e Ishaq dizem que o feto abortado, com quatro meses de idade ou mais, deve ser lavado e a oração fúnebre deve ser feita para ele, pois já tem alma. O Profeta (SAW) disse que o feto com quatro meses já tem alma.

 

A oração Fúnebre para o mártir

 

O mártir é aquele que morre em um campo de batalha lutando contra os inimigos do Islam.

Há vários hadiths que afirmam que a oração fúnebre não pode ser oferecida para o mártir.

Jabir disse que o Profeta (SAW) ordenou que os mártires da batalha de Uhud fossem enterrados enquanto eles ainda estavam sangrando. Ele não os lavou e nem executou uma oração fúnebre para eles.

Anas disse que os mártires de Uhud não foram lavados. Eles foram enterrados manchados de sangue e nenhuma oração fúnebre foi feita para eles.

Há alguns hadiths que afirmam que a oração fúnebre deve ser oferecido para os mártires.

Uqbah Ibn Amer disse que o Profeta (SAW) executou uma oração fúnebre para os mártires de Uhud, oito anos depois, como se estivesse se despedindo tanto dos vivos quanto dos mortos.

Abu Malik Al-Ghafari disse que os corpos dos mártires de Uhud foram divididos em grupos. Cada grupo de nove pessoas foi colocada com o corpo de Hamzah, que serviu como o décimo. O Profeta (SAW) executava uma oração fúnebre para cada grupo separadamente e o corpo de Hamzah permaneceu durante todas as orações que foram oferecidas.

Os sábios divergem sobre este assunto.

Ibn Hazm, Ibn Al-Qayim e Ahmad dizem que a oração fúnebre pode ser oferecida para o mártir e também pode não ser oferecida, e que as pessoas podem escolher.

Ahmad disse que aparentemente, nenhuma oração fúnebre foi oferecida para os mártires de Uhud antes de serem enterrados, pois foram setenta mártires na batalha e qualquer oração fúnebre para eles não poderia ter ocorrido em segredo.

Jaber Ibn Abdullah disse que o Profeta (SAW) não ofereceu oração fúnebre para estes mártires, e seu hadith é forte, pois, o pai de Jaber morreu nessa batalha e estava entre os mártires.

Abu Hanifah, Al-Thauri, Al-Hassan e Ibn Al-Mussaiyab dizem que a oração fúnebre deve ser oferecida para o mártir.

Malik, Ach-Chafi'i, Ishaq e um relato de Ahmad dizem que nenhuma oração fúnebre deve ser oferecida para os mártires.

Ach-Chafi'i no seu livro Al-Umm disse que todos os relatos afirmam que o Profeta (SAW) não ofereceu oração fúnebre para os mártires de Uhud. Aqueles que relataram que ele ofereceu oração fúnebre para eles e executou setenta Takbir durante a oração fúnebre de Hamzah não estão corretos e deveriam ter vergonha de si mesmos. O Hadith relatado por Amir Ibn Uqbah afirma que o Profeta (SAW) fez a oração fúnebre para os mártires de Uhud depois de oito anos, como se estivesse se despedindo deles.

Se alguém ficou ferido em uma batalha e sobreviveu, mas depois de um tempo morreu, deve ser lavado e a oração fúnebre deve ser oferecida para ele, mesmo que seja considerado um mártir. O Profeta (SAW) lavou Saad Ibn Mu'azh e ofereceu uma oração fúnebre por ele depois que ele morreu por conta dos ferimentos. Saad foi ferido em uma batalha e os companheiros o levaram para a mesquita, onde permaneceu por alguns dias e depois morreu como mártir por conta de sua ferida infectada.

O ferido que sobrevive em condição instável, que só falou ou bebeu água e depois morreu, não deve ser lavado e nem a oração fúnebre deve ser oferecida por ele.

No livro Al-Mughni, o autor disse que no livro Futuh Al-Cham , um homem disse que pegou um pouco de água para dar a seu primo se ele ainda estivesse vivo após alguns ferimentos na batalha. No caminho, passou por Hicham Ibn Al-Harith, que também foi ferido na mesma batalha. Ele queria dar-lhe para beber, mas percebeu que outro homem ferido estava olhando para ele querendo água. Então, Al-Harith lhe deu sinal que deveria primeiro dar água a este homem. Enquanto ia na direção para dar-lhe de beber, também encontrou outro homem olhando para ele. Então, ele também fez um gesto que deveria primeiro dar água a esse outro homem. Assim, todos eles morreram. Nenhum deles foi lavado e a oração fúnebre não foi oferecida para nenhum deles, embora todos eles morreram após a batalha.<--PAGEBREAK-->

 

A oração Funeral para um condenado à morte por um crime

 

A pessoa condenada à morte por um tribunal islâmico deve ser lavada e a oração fúnebre deve ser feita para ele.

Jaber disse que um homem da tribo de Aslam veio ao Profeta (SAW) e confessou a fornicação. O Profeta (SAW) o ignorou por quatro vezes, mas o homem insistiu na sua confissão. Então, o Profeta (SAW) perguntou-lhe se estava louco e o homem disse que não. O Profeta (SAW) perguntou-lhe se era casado e ele disse que sim. Então, o Profeta (SAW) ordenou que o homem fosse apedrejado até a morte. Ao ser apedrejado, o homem tentou fugir, mas foi alcançado e apedrejado até a morte. O Profeta (SAW) elogiou o homem e ofereceu a oração fúnebre para ele.

Ahmad disse que não sabia de nenhum caso onde o Profeta (SAW) tenha se recusado a oferecer oração fúnebre, exceto para quem comete o peculato (ladrão do zakat) e suicídio.

 

A oração fúnebre para o peculato e suicídio

 

A maioria dos sábios disse que a oração fúnebre pode ser oferecida para quem comete o peculato, suicídio e outras pessoas que cometeram alguns atos semelhantes.

An-Nawawi narrou que Al-Qadhi disse que todos os sábios muçulmanos dizem que a oração fúnebre deve ser oferecida para todos os muçulmanos: os condenados à morte, os apedrejados, aqueles que cometeram suicídio e para os filhos de adultério. Os relatos que dizem que o Profeta (SAW) não executou oração fúnebre para quem cometeu o peculato ou o suicídio, talvez sejam para mostrar a gravidade desses atos. Isso é semelhante ao caso da pessoa que morre com dívida, pois o Profeta (SAW) se recusou a oferecer oração fúnebre para essa pessoa, embora tenha pedido aos muçulmanos para oferecê-la.

Ibn Hazm disse que a oração fúnebre deve ser oferecida para todo muçulmano, seja bom ou mau, condenado à morte ou morrido em combate, para o inovador desde que sua inovação não seja blasfêmia, para aquele que comete suicídio ou mata outra pessoa.

O Profeta (SAW) disse: “Façam oração fúnebre para o vosso irmão”. Todos os muçulmanos são irmãos.

Allah diz: “Sabe que os fiéis são irmãos uns dos outros” (Alcorão 49:10). E diz: “Os fiéis e as fiéis são protetores uns dos outros” (Alcorão 9:71).

Aquele que impede os outros a oferecer uma oração fúnebre para um muçulmano, está cometendo um ato grave, pois o muçulmano pecador necessita mais das orações de seus irmãos muçulmanos do que uma pessoa virtuosa e piedosa.

Foi relatado que quando um homem morreu no Khaibar, o Profeta (SAW) disse: “Oferecem uma oração fúnebre para o vosso amigo, pois ele roubou algo do butim da guerra”. Os companheiros procuraram nas bagagens do falecido e encontraram algo que valia menos de dois dirham.

Ataa disse que a oração fúnebre pode ser oferecida para um filho de adultério e sua mãe, para o apedrejado e para a pessoa que foge do campo de batalha. Disse que nunca iria se abster de oferecer uma oração fúnebre para uma pessoa que tenha dito: La ilaha ilallah! (Eu testemunho que não há divindade além de Allah). Allah diz: “É inadmissível que o Profeta e os fiéis implorem perdão para os idólatras, ainda que estes sejam seus parentes carnais, ao descobrirem que são companheiros do fogo” (Alcorão 9-113).

Ibrahim An-Nakh'i disse que os nossos antecessores nunca recusaram a participar de uma oração fúnebre para qualquer muçulmano. Eles ofereceram a oração fúnebre para aquele que cometeu suicídio e é uma sunnah oferecer oração fúnebre para o apedrejado.

Qatadah disse que não conhecia nenhum sábio que tenha se recusado a oferecer uma oração fúnebre para qualquer pessoa que tenha dito: La ilaha ilallah! (Não há divindade além de Allah).

Ibn Sirin disse que não conhecia ninguém que considerasse o ato de oferecer uma oração fúnebre, para qualquer outro muçulmano, um pecado.

Abu Ghalib relatou que perguntou a Abu Amamah Al-Bahili se a oração fúnebre podia ser oferecida para o homem que bebe bebidas alcoolicas e ele disse que sim, pois, talvez uma vez na sua vida, ele tenha dito La ilaha ilallah e Allah o tenha perdoado.

Al-Hassan disse que a oração fúnebre poderá ser oferecida a toda pessoa que tenha dito La ilaha ilallah e rezado de frente para Qiblah, pois essa oração é um ato de intercessão.

 

A oração Funeral para o descrente

 

O muçulmano não pode fazer oração fúnebre para um descrente.

Allah diz: “Se morrer algum deles, não ores jamais em sua intenção, nem te detenhas ante sua tumba. Eles renegaram a Deus e o Seu Mensageiro e morreram na depravação” (Alcorão 9:84). E diz também: “É inadmissível que o Profeta e os fiéis implorem perdão para os idólatras, ainda que estes sejam seus parentes carnais, ao descobrirem que são companheiros do fogo. Abraão implorava perdão para seu pai, somente devido a uma promessa que lhe havia feito; mas, quando se certificou de que este era inimigo de Deus, renegou-o. Sabei que Abraão era sentimental, tolerante” (Alcorão 9:113-114).

Da mesma forma, nenhuma oração pode ser oferecida para seus filhos, pois o que se aplica aos pais se aplica aos filhos também, exceto quando a criança aceitou o Islam, um de seus pais seja muçulmano, morreu separada dos pais ou for prisioneira nas mãos dos muçulmanos.<--PAGEBREAK-->

 

A oração fúnebre sobre o túmulo

 

A oração fúnebre pode ser oferecida para o falecido depois de seu enterro, mesmo que uma oração foi oferecida para ele antes de seu enterro.

O Profeta (SAW) ofereceu uma oração fúnebre para os mártires de Uhud, depois de oito anos.

Zaid Ibn Thabit relatou que, certa vez, foram com o Profeta (SAW) para o cemitério de Al-Baqi’ e ao verem uma sepultura recém cavada, o Profeta (SAW) perguntou de quem era. Os companheiros disseram que era de tal mulher e ele perguntou porque não lhe informaram de sua morte. Eles responderam que ele estava de jejum e não queriam incomodar. Então ele (SAW) disse: “Enquanto eu estiver vivo, não façam mais isso, pois minha oração é uma misericórdia para os falecidos”. Então, o Profeta (SAW) foi até o túmulo, organizou lhes em fileiras atrás dele e ofereceu uma oração fúnebre para a falecida com quatro Takbir.

At-Tirmizhi disse que essa é a prática da maioria dos companheiros, e dos sábios, dentre eles: Ach-Chafi'i, Ahmad e Ishaq. Este hadith mostra que o Profeta (SAW) ofereceu a oração fúnebre para um falecido que já tinha a oração feita para ele antes de seu enterro, oferida pelos companheiros, pois não poderia ser enterrado sem uma oração fúnebre. A participação dos companheiros nas duas orações fúnebres antes e depois do enterro, mostra que essa pratica não se limita apenas ao Profeta (SAW).

Ibn Al-Qayim disse que o Profeta (SAW) disse: “Não orem diante dos túmulos e nem sentem sobre eles”. Nesse hadith o que é proibido é executar a oração formal (as-salat) diante de um túmulo e não a oração fúnebre.

A oração fúnebre é oferecida para o falecido, seu corpo e sua alma, e não há diferença se ela é oferecida ao lado do caixão ou ao lado do túmulo.

O Profeta (SAW) amaldiçoou aqueles que tomam os túmulos como lugar para oração e disse: “Os piores humanos são aqueles que estarão vivos quando a Hora chegar e aqueles que tomam os túmulos como lugar para oração”.

 

A oração fúnebre para o ausente

 

A oração fúnebre pode ser oferecida para a pessoa que morre em outra cidade ou outro país, longe ou perto. Em tal caso, o orador deve ficar de frente para a Qiblah, fazer a intenção de orar para o ausente e executar a oração fúnebre normalmente como se fosse para um falecido presente. Abu Hurairah relatou que quando Negus (An-Najachi) morreu, o Profeta (SAW) informou as pessoas sobre a sua morte, organizou-as e realizou a oração fúnebre fazendo quatro takbir.

Ibn Hazm disse que a oração fúnebre para um ausente pode ser oferecida por um grupo de pessoas lideradas por um Imam, pois o Profeta (SAW) liderou os companheiros na oração fúnebre que foi oferecida para Negus, que morreu na Etiópia, com seus companheiros de pé em filas atrás dele. Há um consenso entre os companheiros sobre este assunto.

Abu Hanifah e Malik discordam desta visão, mas a opinião deles não tem fundamentos aceitáveis.

 

Oração fúnebre dentro de uma mesquita

 

A oração fúnebre pode ser oferecida na mesquita, desde que não tenha nenhum risco de haver uma impureza.

Aicha disse que o Profeta (SAW) ofereceu uma oração fúnebre para Suhail Ibn Baidhaa na mesquita e os companheiros também ofereceram a oração fúnebre para Abu Bakr e Omar na mesquita e ninguém se opôs a isso, pois a oração fúnebre é semelhante à qualquer outra oração.

Abu Hanifah e Malik não aprovam esse ato e dizem que o Profeta (SAW) disse: “Quem oferece uma oração fúnebre na mesquita, não terá nenhuma recompensa”. Mas este hadith é considerado fraco e contradiz a prática do Profeta (SAW) e seus companheiros.

Ahmad Ibn Hanbal disse que este é um hadith fraco.

Ibn Al-Qayim disse que executar a oração fúnebre na mesquita não era uma prática habitual do Profeta (SAW). Ao contrário, geralmente ele oferecia as orações fúnebres fora da mesquita, exceto quando havia motivo para isso. Talvez o caso de Ibn Baidhaa é para mostrar que essa oração pode ser feita dentro e fora da mesquita, mas o melhor é oferecê-la fora da mesquita.

 

A oração fúnebre no Cemitério

 

A maioria dos sábios desaprova o ato de oferecer oração fúnebre em um cemitério. Esta é a opinião de Ali, Abdullah Ibn Amr, Ibn Abbas, Ataa, An-Nakh'i, Ach-Chafi'i, Ishaq e Ibn Al-Munzhir. Eles citam o hadith do Profeta (SAW) de que toda terra foi feita como um lugar para a oração, exceto o cemitério e o banheiro.

Ahmad disse que não há mal nenhum em oferecer uma oração fúnebre em um cemitério, pois o Profeta (SAW) ofereceu uma oração fúnebre sobre um túmulo que estava em um cemitério. Abu Hurairah também ofereceu uma oração fúnebre sobre o túmulo de Aicha no meio do cemitério de Al-Baqi’ e Ibn Omar estava presente. Omar Ibn Abdul-Aziz também praticou o mesmo ato.

 

A oração fúnebre das mulheres

 

A mulher, assim como o homem, pode oferecer a oração fúnebre individualmente ou em congregação.

Omar esperou Umm Abdallah para ela oferecer oração fúnebre ao Utbah.

Aicha ordenou que trouxessem o corpo de Saad Ibn Abi Waqqas até ela para que pudesse lhe oferecer a oração fúnebre.

An-Nawawi disse que se as mulheres podem participar nas orações congregacionais, então elas podem oferecer oração fúnebre. Al-Hassan Ibn Saleh, Sufian Al-Thawri, Ahmad e Abu Hanifah também possuem a mesma visão. Malik disse que as mulheres devem oferecer a oração fúnebre individualmente.

 

O Líder da oração fúnebre

 

Os juristas divergem em relação à pessoa que deve liderar uma oração fúnebre.

Malik, Ahmad e alguns sábios dizem que a pessoa que deve liderar a oração é a pessoa indicada pelo próprio falecido, senão, o governante, o pai, o filho ou a pessoa mais próxima da família.

Ach-Chafi'i e Abu Yussuf dizem que a melhor pessoa é o pai, o avô, o filho, o neto, o irmão, o sobrinho, o tio paterno e ou o primo.

Abu Hanifah e Muhammad Ibn Al-Hassan dizem que quem deve liderar a oração é o governante, o juiz, o Imam do povo, senão o pai ou uma pessoa dentre os familiares.

 

Carregar o caixão até o cemitério

 

A sunnah ao carregar o caixão até o cemitério, é a seguinte:

1-Carregar o caixão pegando de todos os seus lados:

Ibn Massud disse que ao levar o falecido para o cemitério, a Sunnah é carregar o caixão pegando-o de todos os lados.

Abu Said relatou que o Profeta (SAW)disse: “Visitem os doentes e acompanhem o cortejo fúnebre, para vocês lembarem da outra vida”.

2-Apressar o enterro:

Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Apressai o sepultamento, pois se o falecido for um virtuoso, vocês estarão levando-o para o melhor e se for o contrário, então é um mal que deveis vos livrar dele rapidamente”.

Abu Bakrah disse que ao levar um falecido para o cemitério, o levaram quase correndo.

Bukhari em seu livro sobre a história, disse que quando Saad Ibn Mua'zh morreu, o Profeta (SAW) andou tão rápido no sepultamento, que quase os seus sapatos se descolaram.

Al-Qurtubi disse que este hadith significa que as pessoas não devem atrasar o enterro, pois essa demora, muitas vezes leva à vaidade e à arrogância.<--PAGEBREAK-->

3-Andar na frente, atrás, do lado direito ou lado esquerdo do funeral:

Há uma diferença de opinião entre os sábios sobre este ponto. A maioria disse que o melhor é andar na frente do funeral , pois o Profeta (SAW), Abu Bakr e Omar costumavam andar na frente.

Abu Hanifah disse que o melhor é andar atrás de um funeral.

Anas Ibn Malik disse que a pessoa pode andar na frente, atrás ou em qualquer lado do funeral, pois o Profeta (SAW) disse: “Aquele que está em cima da sua montaria, deve andar atrás do funeral e aquele que está a pé, deve andar atrás, na frente, pelo lado direito ou esquerdo, ou seja, o lugar mais próximo ao funeral”.

Abdurrahman Ibn Abza disse que Abu Bakr e Omar andavam na frente do funeral, enquanto Ali andava atrás. Quando foi dito para Ali que Abu Bakr e Omar andam na frente do funeral, ele disse: Ambos sabem que andar atrás do funeral é melhor do que andar na frente dele, assim como a oração de uma pessoa na congregação é melhor do que a oração individual. Mas Abu Bakr e Omar querem facilitar para povo.

Acompanhar o funeral montado em cima de uma montaria é um ato odiado na opinião da maioria dos sábios. Mas a pessoa pode fazer isso após o enterro. Thauban disse que em um funeral, o Profeta (SAW) estava com uma montaria e não quis montá-la, mas após o enterro montou sobre ela. Ao ser perguntado sobre o fato, ele (SAW) disse: “Na verdade, os anjos estavam andando com o funeral e eu não queria acompanhar o funeral montado e eles andando. Mas quando os anjos foram embora, eu montei”.

O Profeta (SAW) acompanhou o funeral de Ibn Ad-Dahdah a pé e voltou montado sobre um cavalo.

Este hadith não contradiz o outro em que o Profeta (SAW) disse: “Aquele que está em cima da sua montaria, deve andar atrás do funeral”. Esse ato é odiado, mas é permitido.

Abu Hanifah disse que a pessoa pode acompanhar o funeral montada, mas acompanhá-lo a pé é melhor. A sunnah é que aquele que está em cima da sua montaria, deve andar atrás.

Al-Khattabi disse que não sabe de nenhuma diferença de opinião entre os sábios sobre o ponto em que a pessoa que está montada deve ficar atrás do funeral.

 

Atos não recomendados no funeral

 

1-Recitar ou fazer recordações em voz alta: Ibn Al-Munzhir relatou que Qais Ibn Abbad disse que os companheiros do Profeta (SAW) não gostavam de levantar a voz em três situações: No funeral, nas recordações e no campo de batalha.

Said Ibn Al-Musaib, Said Ibn Jubair, Al-Hassan, An-Nakh'i, Ahmad e Ishaq não gostam quando alguém pede em voz alta que implorem o perdão para o falecido. Al-Awza'i disse que esse ato é uma inovação (Bid’aa). Fudhail Ibn Amr disse que certa vez, Ibn Omar ouviu alguém que estava atrás do funeral fazer isso e disse: Que Allah não te perdoe por isso!

An-Nawawi disse que ao acompanhar o funeral, as pessoas devem permanecer quietas, não podem levantar a voz recitando ou fazendo recordações. Esta é a posição correta. Os sábios dizem que a maneira como as pessoas ignorantes recitam no funeral, prolongando os sons das palavras e misturando-as, é proibida. "

Mohammad Abdu disse que, em relação ao ato de fazer recordações de voz alta no funeral, o autor do livro Al-Fath disse que esse é um ato odiado. Se uma pessoa quer fazer recordações, deve fazer em seu coração, pois fazer isso em voz alta é uma inovação recente e esse ato não era praticado durante a vida do Profeta (SAW), nem dos seus companheiros e nem dos seguidores. Por isso esse ato deve ser proibido.

 

2-Acompanhar o funeral com tochas de fogo: Essa é uma prática dos dias da ignorância (Al-Jahiliyah).

Ibn Al-Munzhir disse que esta prática é odiada por todos os sábios.

Al-Baihaqi disse que Aicha, Ubadah Ibn Al-Samit, Abu Hurairah, Abu Said Al-Khudri e Asmaa filha de Abu Bakr, pediram para que nos seus funerais ninguém carregue tochas de fogo.

Abu Mussa Al-Ach'ari, em seu leito de morte, dirigiu aos seus herdeiros, dizendo: Não sigam meu funeral carregando quaisquer incensários. O povo lhe perguntou se ele havia ouvido alguma coisa do Profeta (SAW) sobre este assunto e ele disse: Sim, eu ouvi isso do Profeta (SAW).

Se o enterro é feito durante a noite, as pessoas podem utilizar um fogo ou uma lamparina. Ibn Abbas disse que certa vez, a noite, o Profeta (SAW) entrou em uma sepultura para enterrar um morto e usou uma lamparina.

 

3-Sentar-se antes que o caixão seja colocado no chão: Al-Bukhari disse que a pessoa que acompanha o funeral não deve sentar-se até que o caixão seja colocado no chão e se uma pessoa se sentar, ela deve ser ordenada a se levantar.

Abu Said Al-Khudri relatou que o Profeta (SAW) disse que ao ver um funeral, devem se levantar e aquele que o acompanha não deve sentar-se até que o caixão seja colocado no chão.

Said Al-Maqbari narrou que seu pai disse que durante um funeral, Abu Hurairah estava segurando a mão de Maruan e os dois se sentaram antes da colocação do caixão no chão. Então, Abu Said se aproximou dos dois e pegou na mão de Maruan e lhe disse: Levanta-te. Por Allah, este homem (ou seja, Abu Hurairah) sabe que o Profeta (SAW) proibiu-nos de fazer isso. Ao ouvir isso, Abu Hurairah disse: Ele está certo!

Maruan levantou-se e perguntou a Abu Hurairah: Por que você não me disse que isso é proibido? Abu Hurairah respondeu: Você é meu Imam, então, quando você sentou, eu sentei também.

A maioria dos companheiros, dos seguidores, Abu Hanifah, Ahmad, Al-Awza'i e Ishaq todos eles são dessa opinião.

Ach-Chafi'i disse que a pessoa que acompanha um funeral pode sentar-se antes que o caixão seja colocado no chão.

Há um consenso entre os sábios que, aqueles que andam na frente do funeral e chegam cedo ao local do enterro, podem sentar antes da chegada do caixão.

Tirmizhi refere que Ach-Chafi'i disse que foi relatado que alguns companheiros do Profeta (SAW) chegavam cedo ao enterro e sentavam antes da chegada do caixão e ao chegar o funeral, eles não levantavam.

Ahmad disse que a pessoa pode escolher, sentar ou levantar.<--PAGEBREAK-->

 

4-Levantar ao ver o funeral: Waqid Ibn Amr Ibn Saad Ibn Mu'azh disse que, certa vez, estava sentado com Nafi’ Ibn Jubair e ao passar o funeral de uma pessoa de Banu Salamah, se levantou. Então, Nafi’ lhe disse para se sentar e que lhe daria prova para isso. Massud Ibn Al-Hakim Az-Zurrqi havia lhe informado que ouviu Ali Ibn Abi Talib dizendo: O Profeta ordenou-nos a levantar-se ao ver um funeral, mas após algum tempo ele parou de fazer essa prática, começou a sentar e ordenou-nos a fazer o mesmo.

At-Tirmizhi disse que este hadith de Ali é verdadeiro, pois foi trasmitido através de quatro seguidores e alguns sábios o seguem.

Ach-Chafii disse que este hadith é o mais autêntico sobre o assunto e ele revoga o outro hadith citado anteriormente, que diz: “Ao ver um funeral, vocês devem levantar”.

Ahmad disse que a pessoa pode sentar ou levantar, pois o Profeta (SAW) costumava levantar e após algum tempo começou a sentar.

An-Nawawi disse que se a pessoa se levantar é melhor.

Ibn Hazm disse que levantar-se ao ver um funeral é um ato recomendado, mesmo se for o funeral de um incrédulo ou pagão, até que o caixão seja colocado no chão ou desapareça de vista. Mas se alguém permanecer sentado não há nenhum problema.

Aqueles que dizem que esse ato é desejável narram que Ibn Omar relatou que o Profeta (SAW) disse: “Ao ver um funeral, vocês devem ficar em pé até que o caixão desapareça de vista ou seja colocado no chão”.

Ahmad disse que ao ver um funeral, Ibn Omar ficava em pé e esperava até o funeral passar.

Al-Bukhari e Muslim relataram que Sahl Ibn Hunaif e Qais Ibn Saad estavam sentados no Al-Qadissiyah e ao ver um funeral, os dois se levantaram. As pessoas lhes disseram que o funeral era de uma pessoa não muçulmana e eles disseram que, certa vez, um funeral passou pelo Profeta (SAW) e o mensageiro de Allah (SAW) se levantou. As pessoas disseram que era de um judeu e o Profeta (SAW) disse: “Mas é uma alma”!

Al-Bukhari também relatou que Abu Laila disse que Ibn Masud e Qais se levantavam ao ver o funeral.

Abdullah Ibn Amr relatou que o Profeta (SAW) disse: “Ao ver o funeral, vocês devem se levatar em respeito a Allah, que leva as almas”.

Em suma, há discordância sobre esta questão entre os sábios e cada um sustenta a sua posição com argumentos específicos, então, a pessoa pode seguir o que achar melhor.

 

5-Permitir que as mulheres acompanhem o funeral: Umm Atiyah disse que elas foram proibidas de acompanhar os funerais, mas essa proibição não era obrigatória.

Abdullah Ibn Amr disse que, certa vez, acompanharam um funeral junto com o Profeta (SAW) e na volta, ele viu uma mulher que não reconheceu. Então, ele esperou até ela chegar e viu que era Fátima, sua filha. O Profeta (SAW) lhe perguntou: “O que levou você a deixar a sua casa?” Ela disse: Eu vim para visitar a família do falecido, oferecer minhas condolências e confortá-los em sua dor. Ele (SAW) disse: “Você acompanhou-os até o cemitério?” Ela disse: Eu me amparo em Allah! Como eu poderia fazer isso, sabendo o que você disse a este respeito? O Profeta (SAW) disse: “Se você tivesse acompanhado o funeral até o cemitério, você não iria para o paraíso até que o avô de seu pai o visse”.

Os sábios dizem que esse hadith é fraco, pois entre seus narradores está Rabi'ah Ibn Saif, que não é confiável.

Muhammad Ibn Al-Hanafiyah relatou que Ali disse que, certa vez, o Profeta (SAW) saiu para acompanhar um funeral e viu um grupo de mulheres sentadas. Então, ele lhes perguntou: “Porque vocês estão ai sentadas?” Elas disseram: Estamos aguardando a chegada do funeral. Ele lhes perguntou: “Vocês vão lavar o corpo?” Elas disseram: Não. O Profeta (SAW) perguntou-lhes: “Você vão carregar o caixão?” Elas disseram: Não. Ele lhes perguntou: “Você vão colocar o corpo na sepultura?” Elas disseram: Não. Então, ele disse-lhes: “Voltem para suas casas com seus pecados e sem ganhar nenhuma recompensa".

Um dos narradores desse hadith é Dinar Ibn Omar que não é confiável. Abu Hatim disse que é um narrador que não é bem conhecido.

Al-Azdi disse que esse hadith foi revogado.

Al-Khalili disse que o narrador desse hadith é um mentiroso.

Ibn Massud, Omar, Abu Amamah, Aicha, Masruq, Al-Hassan, An-Nakh'i, Al-Auza'i, Ishaq, Abu Hanifah, Ach-Chafi'i e Ahmad dizem que a mulher não pode participar no funeral.

Malik disse que uma mulher idosa pode participar no funeral e uma jovem pode também acompanhar o funeral, desde que esteja bem coberta e sua presença não cause qualquer tentação.

Ibn Hazm disse que as mulheres podem acompanhar o funeral.

Em relação ao hadith de Umm Atiyah, Ibn Hazm disse que mesmo que fosse um hadith certo, ele não prova a proibição, mas apenas mostra que esse ato é odiado. Abu Hurairah disse que, certa vez, o Profeta (SAW) estava em um funeral junto com Omar e ao ver uma mulher, Omar gritou chamando atenção dela. O Profeta (SAW) disse: “Ó Omar, deixe-a. Os olhos derramam lágrimas, a alma sente as dores e a perda é recente”.

Ibn Abbas permite esse ato.

 

6-Deixar um funeral por causa de alguns atos proibidos: O autor do livro Al-Mughni disse que aquele que vê ou ouve algo proibido no funeral, deve corregir o que está errado. Se for incapaz de corrigir, então pode expressar sua desaprovação e acompanhar o funeral até o seu final, ou senão, abandoná-lo e voltar.<--PAGEBREAK-->

 

O Enterro

 

Há um consenso de que enterrar o corpo do falecido é uma obrigação (Fardh kifayah). Allah diz: “Porventura, não destinamos a terra por abrigo, dos vivos e dos mortos” (Alcorão 77:25-26).

 

1-O enterro a noite: A maioria dos sábios disse que o enterro pode ser feito durante o dia ou durante a noite.

O Profeta (SAW) enterrou, a noite, o homem que fazia recordações em voz alta.

Ali enterrou Fátima à noite.

Abu Bakr, Uthman, Aicha e Ibn Massud foram enterrados durante a noite também.

Ibn Abbas disse que, certa vez, o Profeta (SAW) entrou em um túmulo e usou uma lamparina, ele direcionou o corpo do falecido para Qiblah, e disse: “Que Allah tenha misericórdia de você. Você era sentimental e recitador do Alcorão”. Depois disso, o Profeta (SAW) fez quatro Takbirs.

At-Tirmizhi relatou que a maioria dos sábios disse que o enterro a noite é um ato permitido, desde que os direitos do falecido sejam respeitados. O Profeta (SAW) ordenou aos seus companheiros que não enterrassem o defunto à noite se temessem que algum de seus direitos pudesse ser negligenciado. Enterro noturno, neste caso, é odiado.

Um dia, o Profeta (SAW) fez um sermão e mencionou o caso de um dos companheiros que morreu e foi enterrado a noite com uma mortalha curta e expressou sua desaprovação ao enterrar alguém à noite, a menos que houvesse motivo para isso. Jabir relatou que o Profeta (SAW) disse: “Não enterrem seus mortos durante a noite, a menos que vocês forem obrigados a fazer isso”.

 

2-O enterro quando o sol nasce, quando estiver se pondo e quando estiver no seu meridiano: Há um consenso de que o corpo pode ser enterrado em qualquer um desses três tempos se houver perigo de decomposição. Mesmo que não haja esse perigo, ainda é permitido o enterro nesses períodos, de acordo com a maioria dos sábios, desde que não seja feito isso de propósito. Uqbah disse que há três horários que, neles, o Profeta proibiu-nos de rezar ou enterrar nossos mortos. Quando o sol nasce até que tenha subido, quando estiver no seu meridiano até que decline um pouco e quando estiver se pondo até desaparecer completamente.

Ahmad disse que o enterro durante esses três tempos é um ato odiado.

 

3-Afundar o túmulo: O enterro é para colocar o corpo em uma cova, a fim de evitar o seu mau cheiro e para protejê-lo dos animais e pássaros. Se estas condições forem garantidas, o propósito de enterro será concluido. Afundar o túmulo até a altura de um homem é um ato recomendado. Hicham Ibn Amer disse que ao enterrar os mártires da batalha de Uhud, disseram ao Profeta (SAW): Ó Mensageiro de Allah, cavar uma sepultura separada para cada corpo é um trabalho muito difícil. O Profeta (SAW) disse: “Afundai e aperfeiçoai as sepulturas, e enterrem dois ou três corpos em cada sepultura”. Os companheiros perguntaram-lhe: Quem deve ser colocado na sepultura primeiro? O Profeta (SAW) disse: “Coloquem o mais recitador do Alcorão primeiro”. Hicham disse: Meu pai foi o terceiro dos três que foram colocados em um túmulo.

Ibn Abi Chaibah e Ibn Al-Munzhir narraram que Omar disse: Afundem o túmulo até a altura de um homem e façam-no mais amplo.

Abu Hanifah e Ahmad dizem que deve afundar a sepultura até a metade da altura de um homem, mas cavar mais fundo, é melhor.

 

4-O Lahd é melhor do que uma sepultura regular: O Lahd é uma cova do lado da vala de frente para a qiblah, que é coberta com tijolos como uma casa com telhado.

A sepultura regular é uma cova no meio da vala e o corpo colocado nela e depois selada com tijolos e coberta com a forma de um teto.

Qualquer um destes dois métodos é permitido, mas o melhor é o Lahd. Anas disse que quando o Profeta (SAW) faleceu, havia dois coveiros: Um fazia Lahd e outro fazia sepultura regular. Os Companheiros disseram: Vamos buscar a orientação do nosso Senhor e chamar os dois, aquele que chegar primeiro, fará o túmulo do Profeta (SAW). O coveiro do Lahd chegou primeiro, então o Profeta (SAW) foi enterrado em um Lahd.

Ibn Abbas relatou que o Profeta (SAW) disse: “O Lahd é para nós e a sepultura regular é para os outros”.

 

5-A colocação do corpo na sepultura: A Sunnah é colocar o corpo no túmulo primeiro com os pés se for possível e fácil. Abdallah Ibn Zaid colocou um corpo no túmulo com os pés primeiro, e disse: Esta é a sunnah.

Ibn Hazm disse que o corpo pode ser colocado na sepultura da maneira possível, a partir da direção da qihlah ou a partir de uma direção oposta, com a cabeça ou com os pés primeiro, pois não há nenhuma instrução explícita em relação a este assunto.

 

6-Colocar o corpo de frente para a Qibla, suplicar pelo falecido, e soltar a mortalha: A Sunnah é colocar o corpo sobre o lado direito com rosto voltado para a qiblah. A pessoa que coloca o corpo na sepultura deve dizer:

 

بِسْمِ اللهِ وَعَلَى سُنَّةِ رَسولِ الله.

 

Bismillah wa ala sunnati rassulil-lah

 

Em nome de Allah e de acordo com a Sunnah do Mensageiro de Allah

 

A pessoa deve afrouxar a mortalha.

Ibn Omar relatou que quando o corpo é colocado no túmulo, o Profeta (SAW) costumava dizer:

 

بِسْمِ اللهِ وَعَلَى سُنَّةِ رَسولِ الله.

 

Bismillah wa ala sunnati rassulil-lah

 

Em nome de Allah e de acordo com a Sunnah do Mensageiro de Allah

 

7-Colocar roupas na sepultura é ato odiado: A maioria dos juristas não aprova a colocação de uma peça de roupa, um travesseiro, ou algo semelhante para o defunto na cova.

Ibn Hazm, no entanto, não vê nada de errado em colocar uma peça de roupa por baixo do corpo na sepultura. Ibn Abbas disse que uma coberta de veludo de cor vermelha foi colocada no túmulo do Profeta (SAW).

Ibn Hazm disse que isso foi feito com a permissão de Allah e na presença dos nobres companheros do Profeta (SAW), e nenhum deles se opôs a isso.

Os sábios consideram desejável, no entanto, remover a mortalha do rosto do falecido, apoiar a sua cabeça em um tijolo, uma pedra ou uma terra, com a bochecha direita em cima do que for. Omar disse que ao colocarem seu corpo no túmulo, que deixassem sua face tocar o solo.

Al-Dhahhak disse que ao colocarem seu corpo no túmulo, que deixassem seu rosto descoberto.

É preferível colocar alguns tijolos ou pedras ou terra atrás do corpo para apoiá-lo e não deixá-lo virar, ficando de costas para o chão.

Abu Hanifah, Malik e Ahmad dizem que um pedaço de pano pode ser colocado sobre o corpo de uma mulher ao baixá-lo para a sepultura, mas não sobre o corpo de um homem. Ach-Chafi'i disse que isso é desejável para ambos, homens e mulheres.

 

8-Jogar três punhados de terra em cima da sepultura: É desejável incentivar os participantes do enterro jogar três punhados de terra sobre a sepultura onde está a cabeça do corpo. Ibn Majah disse que, certa vez, o Profeta (SAW) fez uma oração fúnebre e depois foi ao túmulo do falecido e jogou três punhados de terra onde estava a cabeça do falecido.

Abu Hanifah, Ach-Chafii e Ahmad dizem que ao jogar o primeiro punhado de terra, a pessoa deve dizer: Dela vos criamos, ou seja, da terra e no segundo dizer: A ela retornaremos. No terceiro deve dizer: E dela nós iremos surgir outra vez. Isto é baseado em um hadith que o Profeta (SAW) que disse isso quando sua filha Umm Kulthum foi colocada em seu túmulo.

Ahmad disse que não é necessário falar nada ao jogar punhados de terra sobre a sepultura, porque este hadith é fraco.<--PAGEBREAK-->

 

9-Suplicar para o falecido depois de seu enterro: Após o enterro, é desejável suplicar pelo perdão do falecido e orar por sua firmeza, pois neste momento ele está sendo interrogado. Uthman disse que após o enterro, o Profeta (SAW) costumava permanecer perto do túmulo do falecido e dizia para as pessoas: “Implorai o perdão de Allah para o vosso irmão e orai por sua firmeza, pois neste momento ele está sendo interrogado”.

Ruzain relatou que depois do enterro, Ali costumava dizer: Ó Allah, este é o Teu servo, que hoje é Teu convidado e Tu és o melhor hospitaleiro. Perdoe-o e faça com que sua tumba seja ampla.

Ibn Omar gostava de recitar os primeiros e os últimos versículos do Sura de Al-Baqarah junto ao túmulo após o enterro.

 

10-Orientar e ensinar o falecido após o enterro: Ach-Chafii e alguns sábios preferem que o falecido seja orientado após o enterro.

Said Ibn Manssur relatou que Rached Ibn Saad, Dhumrah Ibn Habib e Hakim Ibn Omair disseram que após o enterro e depois que as pessoas voltaram para suas casas, é recomendado uma pessoa ficar perto do túmulo e dizer três vezes para o falecido: Ó fulano, diga que não há divindade além de Allah, que Allah é seu Senhor, que sua religião é o Islam e que seu profeta é Muhammad (SAW).

Abu Amamah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quando um de vossos irmãos morre, após o enterro, uma pessoa deve ficar perto do túmulo, bem próximo a cabeça do falecido, pois ele ouve, mas não pode responder. Quando a pessoa começa a dizer: Ó fulano filho de fulana, o falecido se senta no túmulo e diz orienta-me e que Allah tenha misericórdia de você. Então, a pessoa deve dizer ao falecido: Lembre-se da sua religião enquanto você estava nesse mundo, testemunhe que não há divindade além de Allah e que Muhammad é Seu servo e mensageiro e lembre-se que você aceitou Allah como seu Senhor, o Islam como sua religião, Muhammad como seu profeta e o Alcorão como seu guia. Neste momento, Munkar e Nakir (os dois anjos nomeados para interrogar as pessoas nas sepulturas) pegam um a mão do outro, e dizem: Vamos! Pois já lhe foi ensinado que deveria falar”. Um homem perguntou se o falecido não sabe o nome da sua mãe e o Profeta (SAW) disse: “Nesse caso, deve-se chamá-lo: Ó fulano filho de Eva”.

An-Nawawi disse que o hadith acima, mesmo que seja considerado fraco, é um bom hadith, pois os sábios de hadith e outros concordam que, em assuntos como a exortação da virtude, incentivar o bem e repudiar o mal, mesmo os hadiths fracos são admissíveis.

O Profeta (SAW) disse: “Orai por sua firmeza, porque neste momento ele está sendo interrogado”. O Povo de Ach-Cham pratica esse ato até os dias de hoje.

Malik e Ahmad não aprovam esse ato.

Al-Athram disse que perguntou a Ahmad Ibn Hanbal sobre essa prática e ele disse que nunca viu ninguém fazer isso, exceto o povo de Ach-Cham no enterro de Abu Al-Mughirah.

 

A Sunnah ao fazer a sepultura

 

A sunnah é elevar a sepultura uma palma acima do solo para as pessoas saberem que há um túmulo, mas é proibido elevá-lo mais do que isso. Thumamah Ibn Chufai disse que certa vez estavam com Fudhalah Ibn Ubaid na terra dos romanos e um de seus companheiros morreu. Ao enterrá-lo, Fudhalah ordenou-os a nivelar a sua sepultura dizendo que ouviu o Mensageiro de Allah (SAW) ordenar as pessoas a nivelar os túmulos.

Abu Al-Haiyaj Al-Assadi relatou que Ali Bin Abu Talib disse que iria lhe orientar a fazer o que o Mensageiro de Allah (SAW) o orientou fazer: “Nunca deixe uma estátua de pé sem removê-la e nunca deixe um túmulo elevado sem nivelá-lo”.

At-Tirmizhi disse que alguns sábios desaprovam a elevação do túmulo mais do que o necessário para indicar que se trata de um túmulo e assim as pessoas não vão pisar ou sentar nele.

Os governadores muçulmanos mandavam nivelar os túmulos elevados e destruir o que era adicionado aos túmulos, pois não faz parte da Sunnah.

Ach-Chafii disse: Eu prefiro que o túmulo seja elevado uma palma acima do solo, sem ser ser erguido ou pintado, pois isso é decoração e vaidade, e na morte não há lugar para isso. Eu nunca vi os túmulos dos Muhajirin ou Ansar pintados. Tenho visto as autoridades muçulmanas destruindo estruturas em cemitérios e nenhum dos juristas se opôs a isso.

Ach-Chaukani disse que é evidente que levantar as sepulturas é um pecado, pois os Hanabilah, alguns Chafiyah e Malik são dessa opinião.

Erguer cúpulas, santuários e mesquitas sobre os túmulos são atos proibidos e o Profeta (SAW) amaldiçoou os que fazem isso. Essas pessoas ignorantes fazem desses túmulos um lugar de visita, imitam os incrédulos que adoram os ídolos, pensando que esses monumentos podem trazer benefícios ou evitar danos. Assim, eles viajam para visitar estas sepulturas e pedir o que necessitam. Eles pedem das sepulturas o que eles devem pedir apenas ao seu Senhor. Eles fazem exatamente o que os povos pré-islâmicos (Al-Jahiliyah) costumavam fazer com os seus ídolos. Isso é idolatria clara.

Os sábios emitiram claras decisões judiciais relativas à destruição de mesquitas e cúpulas construídas em cima de túmulos.

Ibn Hajar disse em seu livro Az-Zawajir: Nós devemos destruir as mesquitas e os domos construídos sobre os túmulos, pois estes são piores do que a mesquita de Dhirar, porque foram construidos em desobediência ao Mensageiro de Allah (SAW) que proibiu isso e ordenou a destruição das sepulturas levantadas. Também devemos remover as lâmpadas, lamparinas e velas colocadas sobre túmulos.

 

1-Acorcundar o túmulo ou nivelá-lo: At-Tabari disse que o túmulo deve ser ou nivelado com o solo ou levantado em forma de uma corcunda, mas não mais do que uma palma.

Os Juristas diferem sobre qual dos dois métodos é o melhor.

Al-Qadhi Aiyadh disse que a maioria dos sábios prefere acorcundar o túmulo, pois Sufian An-Nammar disse que o túmulo do Profeta (SAW) é acorcundado. Essa também é a opinião de Abu Hanifah, Malik, Ahmad, al-Mazani e muitos estudiosos de Chafi'iyah.

Ach-Chafi'i disse que é melhor nivelá-los, pois o Profeta (SAW) ordenou o nivelamento dos túmulos.

 

2-Colocar um sinal sobre o túmulo: É admissível colocar um sinal ou uma marca sobre o túmulo como uma pedra ou um pedaço de madeira, de modo que ele possa ser reconhecido.

Anas disse que o Profeta (SAW) colocou uma pedra sobre o túmulo Uthman Ibn Maz'un para que ele pudesse ser reconhecido.

Abu Daud narrou que Al-Muttalib Ibn Abi Wada'ah carregou uma pedra e colocou-a sobre a sepultura e disse que queria marcar o túmulo do seu irmão e enterrar os mortos da sua familia perto dele. Este hadith indica que é preferível que os membros da familia do falecido sejam enterrados em lugares adjacentes, assim, tornando mais fácil para os familiares vistarem seus túmulos e pedirem a misericordia para eles.<--PAGEBREAK-->

 

3-Tirar os sapatos no cemitério: A maioria dos sábios disse que a pessoa pode usar os sapatos no cemitério. Jarir Ibn Hazim disse que viu al-Hassan e Ibn Sirin andando com seus sapatos no cemitério.

Anas relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quando o servo de Allah é colocado em seu túmulo e seus companheiros o deixam, ele ouve o barulho de seus sapatos”. Baseados nesse hadith, os sábios dizem que a pessoa pode andar no cemitério com sapatos.

Ahmad não gostava, no entanto, do uso de Sibtiyah (um tipo de sapato daquela epoca) no cemitério. Bachir disse que, certa vez, o Profeta (SAW) viu um homem que estava andando no cemitério com sapatos. Ele (SAW) disse-lhe: “Ó dono dos dois Sibtiyah, tire os seus Sibtiyah”. Então, o homem tirou os seus sapatos.

Al-Khattabi disse que a ordem do Profeta (SAW) nesse hadith pode indicar que ele não queria que as pessoas usassem esse tipo de sapatos no cemitério, pois são sapatos de luxo. O Profeta (SAW) quer que aqueles que visitam os cemitérios sejam humildes.

Ahmad disse que se há uma verdadeira razão para o uso de sapatos no cemitérios, como, espinhos ou impurezas, a pessoa pode andar com sapatos.

 

4-A proibição de cobrir o túmulo: Cobrir os túmulos é um ato proibido, pois isso é uma despesa desnecessária. Aicha disse que, certa vez, cobriu uma porta com um pedaço de pano e quando o Profeta (SAW) viu o pano, puxou, quase rasgou e disse: “Allah não ordenou-nos a cobrir pedras e barro”.

 

5-A proibição de construir Mesquitas e colocar luzes em cima dos túmulos: Abu Huraira relatou que o Profeta (SAW) disse: “Que Allah amaldiçoe os judeus por terem construído locais de adoração sobre os túmulos de seus profetas”.

Ibn Abbas relatou que o Profeta (SAW) disse: “Que Allah amaldiçoe as visitantes (as mulheres) dos túmulos e aqueles que os tomam como mesquita e ascendem lamparinas sobre eles”.

Abdullah Al-Bujali disse que ouviu o Mensageiro de Allah (SAW) cinco dias antes de sua morte, dizer: “Eu me declaro inocente perante Allah de ter um amigo íntimo do meio de vós. De fato, Allah, o Poderoso e Majestoso, tomou-me como um amigo íntimo, assim como ele tomou Ibrahim como seu amigo íntimo. Se eu tinha de tomar um amigo íntimo, eu teria tomado Abu Bakr como o meu amigo íntimo. Muitos povos antes de vós, construiram locais de adoração sobre os túmulos de seus profetas e seus virtuosos e eu vos proibo de fazer isso”.

Aicha relatou que Umm Salamah contou para o Profeta (SAW) sobre uma igreja que ela viu na Abissínia e as imagens que tem nela. O Mensageiro de Allah (SAW) lhe disse: “Esses são aqueles que, quando um servo piedoso ou homem piedoso entre eles morre, eles constroem uma mesquita sobre seu túmulo e colocam fotos, eles são as piores criaturas perante Allah no Dia da Ressurreição”.

Aicha disse que o túmulo do Mensageiro de Allah (SAW) não foi elevado para impedir que as pessoas o trasformassem em uma mesquita.

Tomar túmulos como locais de orações é semelhante a adoração dos ídolos, pois a adoração dos ídolos começou com a adoração dos mortos, fazendo imagens deles para serem tocados e oferecerem orações em seus túmulos.

 

6-O abate de animais sobre os túmulos: O Profeta (SAW) proibiu o abate de animais sobre os túmulos, pois esse ato era praticado nos dias de ignorância (Al-Jahiliyah) e ele leva a arrogância e a vaidade.

Anas relatou que o Profeta (SAW) disse: “Não há abate de animais em túmulos no Islam”. Abdul Razzaq disse que antes do Islam, os árabes abatiam uma vaca ou uma ovelha junto ao túmulo.

Al-Khattabi disse que durante os dias de ignorância, as pessoas abatiam camelos sobre o túmulo da pessoa generosa. Eles costumavam dizer que o morto costumava abater camelos quando estava vivo para alimentar os seus convidados, portanto eles abateríam estes camelos em seu túmulo para alimentar os leões e as aves, e assim ele possa continuar generoso mesmo após sua morte.

Eles acreditavam na ressurreição após a morte e algumas pessoas acreditavam que, se um camelo foi abatido sobre o túmulo de uma pessoa, essa pessoa será ressuscitada montada em cima do camelo, caso contrário, a pessoa seria ressuscitada andando a pé.

 

7-A proibição de sentar, apoiar-se e andar sobre o túmulo: Não é permitido sentar-se, apoiar-se ou andar sobre um túmulo.

Amr Bin Hazm disse que o Profeta (SAW) me viu apoiando sobre um túmulo e disse: “Não prejudique o morador desta sepultura”.

Abu Hurairah relatou que o Profeta (SAW) disse: “É melhor para a pessoa sentar-se sobre um brasa que queima as suas roupas e atinge a sua pele, do que sentar-se sobre um túmulo”.

Ibn Hazm disse que esse ato é proibido.

A maioria dos sábios disse que esse ato é odiado.

An-Nawawi disse que Ach-Chafi'i no seu livro Al-Umm disse que a maioria dos sábios, dentre eles An-Nakha'i, Al-Laith, Ahmad e Daud dizem que apoiar-se ou sentar-se em cima de um túmulo é um ato odiado.

Ibn Omar, Abu Hanifah e Malik são da opinião de que é permitido sentar-se sobre um túmulo.

No Al-Muttaa o autor disse que acha que a proibição de sentar-se e apoiar-se nos túmulos significa a proibição de usá-los para atender o chamado da natureza.

Ahmad, An-Nawawi e Ibn Hazm dizem essa interpretação é fraca e não é verdadeira.

Todos os sábios dizem que a pessoa pode andar em cima do túmulo se é necessário, por exemplo, para chegar a outro túmulo.

Em relação a sentar sobre o túmulo para atender o chamado da natureza, todos os sábios dizem que esse ato é proibido.<--PAGEBREAK-->

 

8-A Proibição de engessar ou escrever sobre o túmulo: Jabir disse que o Profeta (SAW) proibiu que se engesse o túmulo, escreva, ande ou construa sobre dele.

Engessar é rebocar ou pintar com gesso.

Alguns sábios dizem que essa proibição é para não decorar ou embelezar os túmulos. Outros dizem que é pelo gesso ser tocado pelo fogo. Zaid Bin Arqam disse que uma pessoa queria engessar o túmulo do seu filho e o Profeta (SAW) disse-lhe: Você está errado e está fazendo uma coisa inútil. Nada tocado pelo fogo deve ser trazido para perto do túmulo”.

Em relação a rebocar o túmulo com barro, At-Tirmizhi disse que alguns sábios, dentre eles Al-Hassan e Al-Basri dizem que a pessoa pode rebocar o túmulo com barro. Ach-Chafi'i também é da mesma opinião.

Jaafar Ibn Muhammad relatou que seu pai disse que o túmulo do Profeta (SAW) foi elevado uma palma acima do solo e revestido com argila vermelha e um pouco de cascalho.

Os sábios também desaprovam a construção de sepulturas com tijolos, madeira ou enterrar os mortos em um caixão a menos que o cemitério esteja molhado. Nesse caso, é admissível a utilização de tijolos ou semelhantes e colocar o corpo em um caixão.

Em relação à proibição de escrever sobre os túmulos, que aparentemente inclui até escrever o nome do falecido ou qualquer outra coisa sobre o túmulo. Al-Hakim comentou sobre este hadith e disse que apesar de sua cadeia de narradores ser boa, na prática, no entanto, não foi seguido. Muitos muçulmanos do Oriente e do Ocidente escrevem sobre os túmulos. Esta é uma prática que foi passada de uma geração para outra.

Al-Hanabilah dizem que escrever o nome ou uns versículos do Alcorão sobre o túmulo é um ato odiado.

Ach-Chafiyah dizem que esse ato é odiado, mas se o túmulo é de um sábio ou homem virtuoso, o nome pode ser escrito sobre o túmulo.

Al-Malikiyah dizem que é proibido escrever qualquer parte do Alcorão, mas escrever o nome e data do óbito do falecido é ato odiado.

Al-Hanafiyah dizem que escrever sobre o túmulo é um ato proibido, exceto quando se teme que a sepultura pode desaparecer.

Ibn Hazm disse que não há problema se o nome do falecido for gravado em uma pedra.

É proibido também adicionar terra ao túmulo mais do que foi retirada ao cavar a sepultura. Al-Baihaqi disse que não é para adicionar terra ao túmulo mais do que foi retirada ao cavá-lo. Ach-Chaukani e Ach-Chafii são da mesma opinião.

 

9-Enterrar mais de um corpo na mesma sepultura: A partir das gerações anteriores, aprendemos que cada corpo deve ser enterrado em um túmulo, a menos que haja um grande número de corpos. Nesse caso, é admissível enterrar mais de um corpo em uma mesma cova. Isto é baseado em um hadith relatado por Ahmad e Tirmizhi, que disseram que ao enterrar os mártires da batalha de Uhud, os Ansares vieram até o Profeta (SAW) e disseram que cavar uma sepultura separada para cada corpo seria um trabalho muito difícil. O Profeta (SAW) disse: “Afundai, aperfeiçoai as sepulturas e enterrem dois ou três corpos em cada sepultura”. Eles perguntaram quem deveria ser colocado na sepultura primeiro e o Profeta (SAW) disse: “Coloquem o mais recitador de Alcorão primeiro”.

Abdrrazzaq relatou que Wathilah Ibn Al-Asqa disse que, algumas vezes um homem e uma mulher foram enterrados juntos no mesmo túmulo e que o homem foi colocado primeiro que a mulher.

 

10-O morto no mar: O autor do livro Al-Mughni disse que se uma pessoa morrer em um navio no mar, de acordo com Ahmad, deve ser esperado um ou dois dias para encontrar um lugar para enterrá-la, a menos que haja perigo de decomposição. Se não for encontrado terra para enterrá-la, então, deve ser lavada, amortalhada, uma oração fúnebre deve ser feita e em seguida, ser amarrada a algo pesado e jogado na água. Esta é a opinião de Ataa e Al-Hassan. Al-Hassan disse que pode ser colocado em uma cesta e depois jogada no mar.

Ach-Chafii disse que o corpo pode ser amarrado em duas tábuas e jogado ao mar, de modo que as placas possam levá-lo para a terra, onde algumas pessoas possam encontrá-lo e enterrá-lo, mas se for jogado no mar, não há nenhum pecado.

A opinião de Ataa e Al-Hassan é melhor, pois ao amarrá-lo entre duas tabuas, o corpo pode ficar desfigurado e mutilado, o mar pode jogá-lo na praia nu e desfigurado ou pode cair nas mãos de pagãos.

 

11-Colocar ramos de palmeira e flores dentro ou sobre o túmulo: Não é permitido colocar ramos de palmeira ou flores dentro ou sobre um túmulo.

Em relação ao hadith de Ibn Abbas que disse que o Profeta (SAW) passou por duas sepulturas e disse: “Os moradores desses dois túmulos estão sendo castigados por dois pecados. Um deles não se limpava cuidadosamente depois de urinar e o outro espalhava calúnias”. Então, o Profeta (SAW) pegou um ramo fresco de uma palmeira, partiu-o em duas partes, depois colocou uma parte no lado de cada túmulo, e disse: “Espero que isso possa reduzir sua punição durante o tempo que o ramo permanecer fresco”, Al-Khattabi disse que a redução da punição será pela bênção e pela súplica do Profeta (SAW) e não pelo ramo. Embora em muitos países muçulmanos as pessoas colocquem flores sobre as sepulturas de seus parentes e essa prática não tem qualquer base ou mérito no Islam.

Al-Bukhari disse que nenhum dos companheiros fez essa prática, exceto Buraidah Al-Asalmi, que disse aos seus herdeiros para colocarem dois ramos de palmeira sobre o seu túmulo após a sua morte.

Al-Hafiz disse no seu livro Al-Fath que aparentemente Buraidah generalizou o hadith e não considerou como um caso específico para aqueles dois homens.

Al-Bukhari relatou que Ibn Omar viu uma tenda armada sobre o túmulo de Abdurrahman e disse para um menino: Ó menino, tire-a, pois somente as suas obras poderão protegê-lo.

A declaração de Ibn Omar mostra que nenhum objeto colocado sobre o túmulo vai beneficiar um falecido e que ele será beneficiado somente por suas próprias boas obras.

 

12-A mulher que morre durante a gravidez com um feto vivo: Se uma mulher grávida morre e o feto está vivo, ele deve ser retirado do ventre da mãe por uma cesariana feita por médico confiável.<--PAGEBREAK-->

 

13-A mulher não-muçulmana que está grávida de um muçulmano: Se uma mulher não-muçulmana morre grávida de um muçulmano, ela deve ser enterrada em uma sepultura separada.

Wathilah Bin Al-Asqaa disse que ele enterrou uma mulher cristã grávida de um muçulmano em um cemitério que não pertencia aos muçulmanos e nem aos cristãos.

Ahmad disse que a mulher descrente não pode ser enterrada em um cemitério islâmico para que os muçulmanos não sofram por causa de sua punição e nem pode ser enterrada em um cemitério cristão para que o seu bebe muçulmano não sofra com a punição deles.

 

14-A preferência é que o enterro seja nos cemitérios: Ibn Qudamah disse que enterrar o morto nos cemitérios islâmicos é melhor do que enterrá-lo em casa, pois isso é menos prejudicial para os seus familiares e assim receberá mais suplicas e pedidos de misericórdia por estar entre outros mortos.

Alguém pode perguntar porque então o Profeta (SAW) e seus dois companheiros foram enterrados na sua casa e a resposta é de Aicha que disse que isso foi feito para que o túmulo do Profeta (SAW) não fosse transformado em uma mesquita.

O Profeta (SAW) enterrou seus Companheiros no cemitério de Al-Baqi' em Medina e certamente a sua ação é mais preferível do que as acões das outras pessoas. Os Companheiros do Profeta (SAW) consideraram o sepultamento do Profeta (SAW) um caso especial. O hadith disse que cada profeta deve ser enterrado no lugar que morreu.

Ao ser perguntado sobre um homem que havia pedido em seu testamento que fosse sepultado em sua casa, Ahmad disse ele devia ser enterrado no cemitério com outros muçulmanos.

 

15-A proibição de ofender os mortos: Não é permitido ofender os muçulmanos falecidos ou mencionar seus maus atos.

Aicha relatou que o Profeta (SAW) disse: “Não ofendais os mortos, pois eles estão enfrentando as consequências do que fizeram neste mundo”.

Ibn Omar relatou que o Profeta (SAW) disse: “Mencionem as boas obras de seus mortos e cubram as suas más obras”.

É permitido mencionar as más ações daquele muçulmano depravado ou inovador a fim de desencorajar qualquer um que poderia seguir o seu mau exemplo. Se mencionar as más ações de um falecido não trouxer nenhum benefício, não é permitido mencionar nada sobre esse falecido.

Anas disse que, certa vez, passou um funeral e todas as pessoas elogiaram o falecido. O Profeta (SAW) disse: “Ele mereceu”. Em seguida, outro funeral passou e todas pessoas disseram coisas ruins sobre o falecido e o Profeta (SAW) disse: “Ele mereceu”. Omar perguntou: Ó Mensageiro de Allah, o que quiseste dizer com isso? O Profeta (SAW) disse: “Aquele que vocês elogiaram, mereceu o paraíso e aquele que vocês falaram coisas ruins dele, mereceu o inferno. Vocês são os testemunhos de Allah na terra”.

 

16-É permitido amaldiçoar os descrentes mortos: Allah diz: “Os incrédulos, dentre os israelitas, foram amaldiçoados” (Alcorão 5:78).

Allah diz também: “Que pereça o poder de Abu Láhab e que ele pereça também!” (Alcorão 111:1).

Faraó e os outros iguais a ele, também foram amaldiçoados no Alcorão quando Allah diz: “Que a maldição de Deus caia sobre os iníquos” (Alcorão 11:18).

 

17-Recitar o Alcorão perto do túmulo: Os juristas diferem sobre esse assunto.

Ach-Chafii, Ahmad, Muhammad Bin Al-Hassan e Al-Qadhi Aiyadh consideram desejável.

Malik e Abu Hanifah dizem que esse ato não é desejável porque a Sunnah não menciona essa prática.

 

18-Abrir o túmulo de um falecido: Os sábios muçulmanos concordam que o túmulo de um muçulmano não pode ser violado se a carne, ossos e outras partes do corpo ainda permanece nele. Mas se o corpo inteiro se desintegrou em pó, o túmulo pode ser usado para enterrar outros mortos. Além disso, em tal caso, é permitido usar a terra para plantar, cultivar, construir e para outros fins benéficos. Se os restos mortais de um corpo forem encontrados durante uma escavação, o escavador deve interromper a escavação imediatamente. Se ao terminar a escavação, o escavador achar alguns ossos, ele deve colocá-los de lado na cova e enterrar outro corpo ao lado deles.

Se o morto for enterrado e não for feita a oração fúnebre para ele, e o corpo ainda não tiver sido coberto com terra, então ele deve ser retirado da cova e a oração fúnebre deve ser feita. Mas se o corpo foi enterrado completamente sem fazer nenhuma oração fúnebre, Abu Hanifah, Ach-Chafi'i e um relato de Ahmad dizem que o corpo não pode ser retirado e a oração fúnebre deve ser feita sem abrir o túmulo. No entanto, há um outro relatório de Ahmad que disse que em tal caso, o corpo deve ser desenterrado e uma oração fúnebre deve ser feita.

Ach-Chafii, Ahmad e Malik dizem que o túmulo pode ser aberto em casos especificos, como por exemplo, para recuperar alguma coisa, como dinheiro, que tenha ficado na sepultura, para virar o rosto do falecido para a Qiblah se isso não foi feito, lavar o corpo se foi enterrado sem a lavagem, ou para aperfeiçoar a mortalha. Isso tudo pode ser feito quando não houver perigo de despedaçar do cadáver.

Abu Hanifah disse que não é permitido reabrir a sepultura por qualquer razão.

Ibn Qudamah disse que se o corpo foi enterrado sem mortalha, então há duas alternativas: A primeira, o túmulo não deve se reaberto, pois a mortalha é para cobrir o corpo e o corpo ja foi coberto com a terra. A segunda, o túmulo deve ser reaberto para amortalhar o corpo, pois a mortalha é obrigatória e é tão importante quanto a lavagem do corpo.

Ahmad disse que se o coveiro se esqueceu e deixou suas ferramentas dentro do túmulo, pode desenterrá-las. O mesmo acontece se alguém deixou cair um machado, algum dinheiro ou algo de valor. Ele foi perguntado se os familiares do falecido oferecerem ao proprietário do objeto algo para recompensar o que perdeu e ele disse: Se eles dão-lhe o seu direito, então ele não pode cavar.

Jaber disse que o Profeta (SAW) veio ao enterro de Abdallah Ibn Ubai depois que ele foi colocado no túmulo e ordenou a seus companheiros o tirassem. Então ele colocou o corpo sobre os seus joelhos, o abençoou e em seguida, o vestiu com uma camisa. Jaber também disse que seu pai foi enterrado com outro homem no mesmo túmulo, então, retirou o seu corpo e o enterrou em uma cova separada.

Abdullah Ibn Amr disse que ao ir para Al-Taif, passaram por uma sepultura, e o Profeta (SAW) disse: “Este é o túmulo de Abu Righal. Ele costumava ficar nas dependências da Mesquita Sagrada para se proteger e quando saiu de lá, foi atingido pela ira de Allah junto com seu povo. E a prova disso é que ele foi enterrado com uma bengala de ouro. Se vocês cavarem a sua sepultura, acharão o ouro”. Então, as pessoas cavaram, abriram o túmulo e retiraram o ouro.

Al-Khattabi disse que isso mostra que é permitido cavar os túmulos dos politeístas caso haja algum bem ou benefício para os muçulmanos nisso.<--PAGEBREAK-->

 

19-Transferir o corpo de um lugar para outro: Ach-Chafi'i disse que é proibido transferir o corpo de um falecido de um país para o outro ou de uma cidade para outra a não ser para Meca, Medina ou Jerusalém, que são a três cidades sagradas do Islam. Se alguém deixar um testamento para ser trasferido para uma cidade que não é nenhuma dessas três, o seu pedido não deve ser executado para não atrasar o enterro ou correr risco de decompsição. Transferir o corpo de um túmulo para outro também é proibido a menos que haja uma razão válida para isso, por exemplo, se o falecido foi enterrado sem uma lavagem adequada, se seu rosto não foi direcionado para Qiblah ou se a sepultura foi danificada por inundação ou umidade.

Malik disse que é permitido transferir o corpo de um lugar para outro, antes ou após o enterro, por uma verdadeira razão, como por exemplo, quando se teme que o corpo possa ser afogado no mar, comido por animais silvestres, quando os parentes querem enterrar o defunto nas proximidades para que possam visitá-lo com mais facilidade ou a fim de buscar as bênçãos do lugar para onde o corpo é trasferido. Em todos esses casos, a transferência é permitida, desde que seu corpo seja respeitado.

Abu Hanifah disse que transferir o corpo de um lugar para outro é um ato indesejável, pois o corpo deve ser enterrado no cemitério da cidade em que a pessoa morreu. Antes do enterro, o corpo pode ser levado para uma ou duas milhas. Após o enterro, não é permitido trasferir o corpo a menos que haja uma razão válida para isso. Se um filho morreu longe de sua mãe, foi enterrado sem a sua presença e ela quer transferir o corpo para sua própria cidade, o seu pedido não pode ser atendido.

Abu Hanifah disse também que o mártir deve ser enterrado no lugar onde foi morto.

Ahmad disse que, em relação ao mártir, ele deve ser enterrado no lugar onde foi morto. Jaber relatou que o Profeta (SAW) disse: “Enterrem os mártires no lugar onde eles foram mortos”. Ibn Majah relatou que o Profeta (SAW) ordenou que os mártires da batalha de Uhud fossem trasferidos e enterrados nos locais onde eles tinham morrido.

Ahmad disse também que as pessoas que não morreram em uma batalha, seus corpos não podem ser trasferidos a menos que haja uma razão válida para isso e esta também é a opinião de Al-Auza'i e Ibn Al-Munzhir.

Abdallah Ibn Malikah disse que Abdurrahman Ibn Abu Bakr morreu na Abissínia e seu corpo foi levado e enterrado em Meca. Ao visitar o seu túmulo, Aicha disse: Por Allah, se eu estivesse lá quando você morreu, não deixaria você ser enterrado em qualquer lugar, exceto no lugar onde você morreu.

Ahmad disse que não vê problema em levar o corpo de um falecido para ser enterrado em outra cidade.

Az-Zuhri disse que os corpos de Saad Ibn Abi Waqqas e Said Ibn Zaid foram levados de Al-Aqiq para Medina.

 

As condolências

 

Oferecer as condolências para alguém significa compartilhar o seu pesar, encorajando-o a ser paciente. Isso significa também confortar a pessoa angustiada e aliviar o seu sofrimento.

Ofercer condolências é um ato desejável, mesmo que o falecido não seja um muçulmano.

Amr Ibn Hazm relatou que o Profeta (SAW) disse: “Todo crente que consola seu irmão que foi afligido por um desgraça, Allah o vestirá com vestimentas de honra no Dia da Ressurreição”.

É preferivel que as condolências sejam oferecidas apenas uma vez.

As condolências devem ser oferecidas a toda a família do falecido, ou seja, a todos os familiares, velhos e jovens, homens e mulheres.

As condolências também devem ser oferecidas antes ou após o enterro, até três dias após a morte. Se uma pessoa estava ausente durante esses dias, pode oferecer as condolências após o periodo recomendado. Também se um dos familiares do falecido não estava presente nesses três dias, ele pode receber as condolências depois.

 

O que deve ser falado: Usamah Ibn Zaid disse que uma das filhas do Profeta (SAW) mandou uma pessoa avisar o Mensageiro de Allah (SAW) de que o filho dela tinha morrido. O Profeta (SAW) mandou a pessoa lhe-dizer: “Na verdade, a Allah pertence o que Ele leva e a Allah pertence o que nos dá, e todas as coisas para Ele têm um tempo definido. Então que tenha paciência e que rogue a Allah para que seja recompensada”.

Mu'azh Ibn Jabal disse que quando seu filho morreu, o Profeta (SAW) escreveu para ele, dizendo: “Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso. De Muhammad, o mensageiro de Allah, para Mu'azh Ibn Jabal. Que a paz esteja com você! Louvado seja Allah, que não há divindade além d’Ele! Possa Allah aumentar a sua recompensa, conceder-lhe a paciência e dar-nos e a você a força para oferecer-Lhe nossos agradecimentos, pois em verdade, nossas vidas, nossas riquezas e nossas famílias são presentes de Allah que nos deu por apenas algum tempo. Allah te deu esse filho que te alegrou, agora o levou e te abençou com uma grande recompensa, misericórdia e orientação. Então que tenha paciência e não deixe seu pesar destruir a sua recompensa para não se arrepender mais tarde. Lembre-se que o luto não devolve a vida para o morto e nem remove a dor. O que foi decretado já ocorreu. Que a paz esteja convosco!” <--PAGEBREAK-->

Ach-Chafi'i narrou que Jaafar Ibn Muhammad relatou que seu avô, disse que quando o Profeta (SAW) morreu e durante as condolências ouviram alguém dizer: Allah é o melhor Consolador em todas as desgraças e o Recompensador em todas as perdas. Então, confiem em Allah, busquem a Sua ajuda e implorem por Sua misericórdia, pois o verdadeiro afligido é aquele que perde a recompensa.

Os sábios dizem que quando um muçulmano oferece condolências para outro muçulmano, deve dizer:

 

أعْظَمَ اللهُ أجْرَكَ وَأحْسَنَ عَزاءَكَ وغَفَرَ لِمَيِّتِكَ

 

Aadhama Allah ajraka, wa ahsana aza-aka, wa ghafara li maiyitika

 

Possa Allah aumentar a sua recompensa, melhorar o seu consolo e perdoar o seu falecido.

 

E quando um muçulmano oferece condolências a um outro muçulmano pelo falecimento de um incrédulo, deve dizer:

 

أعْظَمَ اللهُ أجْرَكَ وَأحْسَنَ عَزاءَكَ

 

Aadhama Allah ajraka, wa ahsana aza-aka

 

Possa Allah aumentar a sua recompensa e melhorar o seu consolo.

 

E quando um muçulmano oferece condolências a um incrédulo pela morte de um muçulmano, deve dizer:

 

أحْسَنَ اللهُ عَزاءَكَ وغَفَرَ لِمَيِّتِكَ

 

Ahsana Allah aza-aka, wa ghafara li maiyitika

 

Possa Allah melhorar o seu consolo e perdoar o seu falecido.

 

Quando um muçulmano oferece condolências a um incrédulo pela morte de outro incrédulo, deve dizer:

 

أخْلَفَ اللهُ عَلَيْك

 

Akhlafa Allah alaik

 

Que Allah lhe conceda um substituto.

 

Ao receber à condolências, o muçulmano deve responder:

 

آمين آجَرَكَ الله

 

Amin, ajaraka Allah.

 

Amén, Que Allah te recompense.

 

Ahmad disse que a pessoa pode apertar a mão ao oferecer condolências e pode não apertá-la.

Se ao oferece condolências, um dos familiares do falecido rasgou suas roupas por causa do acontecido, as pessoas devem confortá-lo e orientá-lo, pois não se pode recusar a fazer um bom ato devido a um mal ato.

 

Sentar-se ao oferecer condolências: A sunnah é que as condolências devem ser oferecidas rapidamente e nem o consolador e nem o consolado devem se sentar.

Ach-Chafi'i disse que se sentar para oferecer condolências é um ato não recomendado. Reunir as pessoas na casa do falecido e praticar uma inovação é um ato proibido. O Profeta (SAW) disse: “Toda introdução ( na religião) é uma inovação e toda inovação leva à heresia”. Ahmad é da mesma opinião.

Abu Hanifah disse que as pessoas podem realizar uma reunião em um lugar, que não seja na mesquita, durante os três dias de condolências, mas sem praticar nenhuma inovação.

Nos dias de condolências, hoje, as pessoas praticam atos proibidos como armar tendas, espalhar tapetes, gastar dinheiro por arrogância, recitar o Alcorão de forma melódica desrespeitando as regras de recitação. Ao invés de ficar em silêncio durante a recitação, elas ficam fumando e praticando outras atividades. Todos esses atos são do Jahiliyah e são contraditórios aos ensinamentos do Alcorão e da Sunnah. Isso não é tudo, pois alguns desses escravos de seus desejos não ficam satisfeitos com os três dias previstos pelo Islam e celebram a morte do falecido após quarenta dias, e fazem isso anualmente. Esses atos não são baseados nem no Alcorão, nem na Sunnah e nem na lógica.

 

A visitação dos túmulos

 

Visitar os túmulos é desejável para os homens.

Abdullah Ibn Buraidah narrou que seu pai relatou que o Profeta (SAW) disse: “Eu tinha vos proibido de visitar os túmulos, mas agora vocês podem visitá-los para lembrar da outra vida”.

Abu Hurairah disse que o Profeta (SAW) visitou o túmulo da sua mãe, chorou e todas as pessoas choraram junto, então disse: “Eu pedi a permissão de meu Senhor para buscar o perdão para ela, mas Ele não me permitiu. Então, eu pedi permissão para visitar seu túmulo e Ele me permitiu. Visitem os túmulos para se lembrarem da morte”.

Também é permitido visitar os túmulos dos descrentes, chorar ao passar por eles, expressar a humildade e a necessidade de perdão de Allah. Ibn Omar disse que ao passar por Al-Hijr, pelas habitações do povo de Thamud, o Profeta (SAW) disse aos seus companheiros: “Chorai ao visitar esses atormentados, mas se vocês não puderem chorar, então não entrem nesse lugar para que não aconteça com vocês o que aconteceu com eles”.

 

Regras ao visitar os túmulos

Ao visitar um túmulo, a pessoa deve ficar de frente para o falecido, cumprimentá-lo e suplicar por ele.

Buraidah relatou que o Profeta (SAW) ensinou-nos que, ao visitar os túmulos devemos dizer:

 

السَّلاَمُ عَلَيْكُمْ أهلَ الدِّيَارِ مِنَ المُؤْمِنينَ وَالمُسلمينَ ، وَإنَّا إنْ شَاءَ اللهُ بِكُمْ للاَحِقونَ ، أسْألُ اللهَ لَنَا وَلَكُمُ العَافِيَةَ

 

Assalamu alaikum ahla al-diyari minal-mu’minin wal- muslimin, wa inna in chaa Allah bikum lalahiqun, As-alul-laha lana wa lakum al-afiah

 

Que a paz esteja convosco, ó habitantes dos túmulos, aqueles dentre os crentes e muçulmanos. Em verdade, assim que Allah queira, nós lhes seguiremos, nós imploramos a Allah pelo nosso e vosso bem estar.

 

Ibn Abbas relatou que certa vez que o Profeta (SAW) passou pelo cemitério de Medina e disse:

 

السَّلامُ عَلَيْكُمْ يَا أهْلَ القُبُورِ ، يَغْفِرُ اللهُ لَنَا وَلَكُمْ ، أنْتُمْ سَلَفُنَا وَنَحنُ بالأثَرِ

 

Assalaum alaikum ya ahlal-qubur, yaghfirul-lahu lana wa lakum, antum salafuna wa nahnu bil-athar

 

Que a Paz esteja com vocês, ó moradores dos túmulos, que Allah perdoe a nós e a vós. Sois nossos antecessores e logo seguiremos a vós.

 

Aicha disse que sempre que era a sua vez de ficar com o Profeta (SAW), ele acordava na última parte da noite e ia para o cemitério Al-Baqi' e cumprimentava os habitantes dos túmulos dizendo:

 

السَّلاَمُ عَلَيْكُمْ دَارَ قَوْمٍ مُؤْمِنِينَ ، وَأتَاكُمْ مَا تُوعَدُونَ ، غَداً مُؤَجَّلْونَ ، وَإنَّا إنْ شَاءَ اللهُ بِكُمْ لاَحِقُونَ ، اللَّهُمَّ اغْفِرْ لأهْلِ بَقِيعِ الغَرْقَدِ

 

Assalamu alaikum dara qaumin mu’minin, wa atakum ma tu’adun, ghadan mu’ajjalun, wa inna in chaa Allahu bikum lahiqun. Allahum aghfir li ahli Baqi’ Al-gharqad

 

“A paz esteja convosco, ó crentes moradores desses túmulos. Que Allah vos conceda o que Ele prometeu. Certamente o que Ele prometeu acontecerá em uma hora pré marcada. Em verdade, assim que Allah queira, nós lhes seguiremos. Ó Allah, perdoa os moradores do Baqi’ Al-gharqad”.

 

Aicha também relatou que perguntou ao Profeta (SAW) sobre o que deveria falar ao passar por um cemitério e ele (SAW) respondeu, diga:

 

السَّلاَمُ عَلَيْكُمْ أهلَ الدِّيَارِ مِنَ المُؤْمِنينَ وَالمُسلمينَ ،يَرْحَمُ اللهُ المُسْتَقدِمينَ مِنَّا والمُسْتَأخِرين، وَإنَّا إنْ شَاءَ اللهُ بِكُمْ للاَحِقونَ

 

Assalamu alaikum ahla al-diyari minal-mu’minin wal- muslimin, yarhamu Allahu almustaqdimina minna wal musta’khirin, wa inna in chaa Allah bikum lahiqun

 

“Que a paz esteja convosco, ó habitantes dos túmulos aqueles dentro os crentes e muçulmanos. Que Allah conceda a misericórdia para com aqueles que nos precederam e os que estão a segui-los. Em verdade, assim que Allah queira, nós lhes seguiremos”.

 

Em relação ao que algumas pessoas fazem, como esfregar as mãos sobre os túmulos, beijá-los e circundar em torno deles, isso são inovações abomináveis e não devem ser feitas, pois são proibidas. Esses atos podem ser realizados somente na honrada Caaba.

O túmulo do Profeta (SAW) não pode ser considerado um caso semelhante ao da Caaba.

Ibn Al-Qaiyim disse que o Profeta (SAW) visitava os túmulos para suplicar, buscar a misericórdia e o perdão de Allah para os falecidos. Os pagãos visitavam os túmulos e buscavam a ajuda dos mortos para resolver os seus problemas e atender às suas necessidades. Tais práticas pagãs contradizem a orientação do Profeta (SAW) e seus ensinamentos, e as pessoas que praticam tais atos são acusadas de politeísmo, pois estão cometendo um grande pecado, trazendo o mal para eles mesmos e para o falecido.<--PAGEBREAK-->

 

As mulheres podem visitar o cemitério?

Malik, alguns seguidores da escola de Abu Hanifah, um relato de Ahmad e a maioria dos sábios dizem que as mulheres podem visitar os túmulos. Isso é baseado no seguinte hadith de Aicha que perguntou ao Profeta (SAW) o que deveria falar ao passar por um cemitério.

Abdallah Ibn Abu Mulaikah disse que certa vez Aicha estava voltando do cemitério e ele lhe perguntou: Ó Mãe dos Crentes, onde você esteve? Ela disse que estava visitando o túmulo de seu irmão Abdurrahman e ele fez outra pergunta, indagando se o Mensageiro de Allah (SAW) não havia proibido a visita dos túmulos e ela respondeu que ele tinha proibido a visita aos túmulos, mas depois ordenou que fossem visitados.

Anas relatou que o Profeta (SAW) passou por uma mulher que estava chorando ao lado do túmulo de seu filho e lhe disse: “Temei a Allah e seja paciente”. Ela respondeu se ele não se importava com a tragédia dela, quando o Profeta (SAW) foi embora e alguém lhe disse que aquele era o Mensageiro de Allah (SAW). A mulher se sentiu extremamente triste e foi imediatamente para a casa do Profeta (SAW), onde ela não encontrou nenhum guarda e disse: Ó Mensageiro de Allah, eu não te reconheci. O Profeta (SAW) disse: “A paciência é necessária no primeiro momento da aflição”. Nesse hadith, o Profeta (SAW) viu a mulher ao lado do túmulo e não mandou ela ir para casa.

Visitar os túmulos serve para lembrar a outra vida, que é algo que os homens e as mulheres necessitam.

Alguns sábios não gostam que as mulheres visitem os túmulos por serem menos pacientes e mais frágeis sentimentalmente. O Profeta (SAW) disse: “Que Allah amaldiçoe as mulheres que visitam os túmulos frequentemente".

Al-Qurtubi disse que a maldição mencionada neste hadith se aplica apenas às mulheres que visitam os túmulos freqüentemente. A razão para essa maldição é, talvez, por isso se tratar de violação aos direitos do marido, pois a mulher sai de casa exibindo a sua beleza a estranhos, gritando, chorando ao lado do túmulo e fazendo outras coisas semelhantes. Mas se a mulher não comete nenhum desse atos, então não há nenhuma razão válida para que as impeçam de visitar sepulturas, para lembrar da morte que é algo que os homens e as mulheres igualmente precisam.

Comentando sobre a opinião de Al-Qurtubi, Ach-Chaukani disse que esta declaração pode formar uma regra para ser seguida, pois os hadiths, em relação a esse assunto, são aparentemente contraditórios.

 

Atos que beneficiam o falecido

 

Abu Huraira relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quando morre um ser humano, suas obras deixam de ter continuidade, salvo em três casos: uma caridade permanente, um conhecimento benéfico e um filho virtuoso que implore a Allah por ele”.

Abu Hurairah também relatou que o Profeta (SAW) disse: “As obras que continuam a beneficiar o crente após a sua morte são: Um conhecimento benéfico que ensinou e expandiu, um filho virtuoso, um Alcorão que deixou como herança, uma Mesquita que construiu, uma casa de repouso que construiu para os viajantes, um fonte de água que deixou para as pessoas beberem e uma riqueza que deu como caridade durante a sua vida”.

Jarir Ibn Abdallah relatou que o Profeta (SAW) disse: “Aquele que introduzir uma boa prática no Islam terá a sua recompensa e ainda uma recompensa por todos aqueles que seguirem essa prática depois dele, sem que nada seja reduzido dessas recompensas. E aquele que introduzir uma prática nociva no Islam terá a sua punição e ainda será punido por todos aqueles que seguirem essa prática depois dele, sem que nada seja reduzido dessas punições”.

 

Boas ações feitas pelas pessoas que são benéficas para o falecido

 

1-Suplicar e pedir o perdão para o falecido: Allah diz: “E aqueles que os seguiram dizem: Ó Senhor nosso, perdoa-nos, assim como também aos nosso irmãos, que nos precederam na fé e não infundas em nossos corações rancor algum pelos fiéis. Ó Senhor nosso, certamente Tu és Compassivo, Misericordiosíssimo” (Alcorão 59:10).

O Profeta (SAW) disse: “Quando oferecerdes a oração fúnebre para um falecido, sejam sinceros ao suplicar por ele”.

O Profeta (SAW) suplicava pelo falecido e dizia: “Ó Allah, perdoe os nossos vivos e os nossos mortos”.

 

2-Oferecer caridade: An-Nawawi disse que os sábios muçulmanos concordam que a caridade beneficia o falecido e a sua recompensa chega para ele, independente se essa caridade é dada por seu filho ou por outra pessoa.

Abu Hurairah relatou que um homem disse ao Profeta (SAW) que seu pai morreu, deixou uma riqueza e não deixou nenhum testamento, e se ele seria recompensado se fizesse caridade em seu nome. O Profeta (SAW) disse que sim.

Al-Hassan relatou que quando a mãe de Saad Ibn Ubadah morreu, Saad perguntou ao Profeta (SAW) se podia fazer caridade por ela e ele disse que sim. Saad queria saber qual seria a melhor caridade e ele disse que deveria oferecer água para as pessoas beberem.

Dar caridade no cemitério é um ato proibido e dá-la durante o funeral é odiado.

 

3-Jejuar: Ibn Abbas relatou que um homem veio ao Mensageiro de Allah (SAW), disse que sua mãe morreu devendo um mês de jejum e queria saber se devia jejuar por ela. O Profeta (SAW) respondeu: “Se houvesse qualquer outra dívida sobre a sua mãe, você a pagaria por ela?” O homem respondeu que sim, então o Profeta (SAW) disse: “Allah é mais merecedor para que a dívida com Ele seja paga”.

 

4-Fazer a peregrinação: Ibn Abbas relatou que uma mulher da tribo Juhainah veio ao Profeta (SAW), disse que sua mãe fez uma promessa de realizar a peregrinação mas morreu antes de cumprir e queria saber se devia fazer isso por ela. O Profeta (SAW) disse: “Sim, realiza a peregrinação por ela. Se houvesse qualquer outra dívida sobre a sua mãe, certamente, você a pagaria e Allah é mais merecedor para que a dívida com Ele seja paga”.

 

5- Fazer oração: Ad-Darqutni relatou que um homem disse ao Mensageiro de Allah (SAW) que tratava muito bem seus pais enquanto eles estavam vivos e gostaria de saber como podia ser bom para eles após a morte. O Profeta (SAW) disse: “Na verdade, entre as boas ações que você pode fazer depois da morte deles é oferecer a oração para eles quando você estiver executando as suas orações e jejuar por eles quando você estiver fazendo o seu jejum”.

 

6-Recitar o Alcorão: Isso é benéfico para o falecido de acordo com a opinião da maioria dos sábios entre Ahl Al-Sunnah.

An-Nawawi disse que Ach-Chafi'i disse que esse ato não beneficia o falecido. Ahmad Ibn Hanbal e um grupo de sábios da escola de Ach-Chafi'i dizem que isso beneficia o falecido. O recitador pode dizer no final da recitação: Ó Allah, concede a recompensa do que eu recitei para fulano.

Ibn Qudamah no livro al-Mughni disse que Ahmad Ibn Hanbal disse que o falecido receberá a recompensa por todo o bem feito em seu nome. Isto é provado pela evidência textual encontrada sobre este assunto. O fato de que os muçulmanos em todas as cidades se reúnem para recitar o Alcorão para o benefício do falecido e que eles têm feito isso sem qualquer discordância é uma prova que há consenso sobre esse assunto.

Aqueles que afirmam que a recitação do Alcorão beneficia o falecido dizem que o recitador não deve aceitar pagamento por sua recitação. Se ele receber um pagamento, ele e aquele que o pagou cometeram um pecado e ele não terá nenhuma recompensa por sua recitação.

Abdurrahman Ibn Chibl relatou que o Profeta (SAW) disse: “Recitem o Alcorão e façam boas ações .... Não façam do Alcorão um meio para tirar o sustento e nem uma fonte para riqueza”.

Ibn al-Qayim disse que a adoração é de dois tipos: A adoração financeira e a adoração física.

A adoração financeira como a caridade beneficia o falecido.

A adoração física como o jejum também beneficia o falecido.

E há algumas adorações que envolve sacrifício físico e financeiro como a peregrinação também beneficia o falecido.<--PAGEBREAK-->

 

7-A intenção: A pessoa deve ter a intenção de realizar um ato em nome do falecido. Ibn Aqil disse que antes de realizar um ato de obediência, por exemplo, a oração, o jejum ou recitação do Alcorão, a pessoa deve ter a intenção de doar a sua recompensa para o falecido. Assim o falecido irá receber a recompensa. Essa também a opinião de Ibn Al-Qayim.

 

8-O melhor presente para o falecido: Ibn Al-Qayim disse que o melhor presente para o falecido é libertar um escravo em seu nome. Fazer caridade é melhor do que jejuar em nome do falecido. A melhor caridade é a caridade contínua. O Profeta (SAW) disse: “A melhor caridade é oferecer água para as pessoas beberem”. Isso se aplica a um lugar onde há pouca água, mas se no lugar há um rio ou uma fonte de água, seria melhor alimentar os famintos que necessitam de comida. Da mesma forma, suplicar e pedir perdão para o falecido é benéfico para ele, especialmente quando o suplicante é sincero e humilde em sua súplica.

Em geral, o melhor presente para o falecido é libertar um escravo, dar caridade, pedir perdão para ele e fazer a peregrinação em seu nome.

 

Doar a recompensa para o Mensageiro de Allah (SAW)

 

Ibn Al-Qayyim disse que alguns dos juristas dizem que isso é desejável, enquanto outros não concordam e dizem que isso é uma inovação, pois os companheiros nunca fizeram isso. O Profeta (SAW) terá a recompensa por todas as boas obras feitas pelas pessoas da sua nação, sem que nada seja reduzido dessas recompensas, pois ele é quem orientou a nação a fazer o bem e ensinou as pessoas a praticarem o bem, então, ele terá a sua recompensa e ainda uma recompensa por todos aqueles que paticaram esse bem depois, sem que nada seja reduzido de suas recompensas.

 

As crianças dos muçulmanos e dos não-muçulmanos

 

Os filhos de muçulmanos que morrem antes da idade da puberdade irão para o Paraíso.

Al-Bara' disse que quando Ibrahim, filho do Profeta (SAW) morreu, o Profeta (SAW) disse: “Certamente, ele terá uma amamentadora no Paraíso”.

Anas Ibn Malik relatou que o Profeta (SAW) disse: “O muçulmano que tem três filhos e eles morrem antes de atingir a idade da puberdade, Allah o faz entrar no paraíso como recompensa pela misericórdia que teve para com eles”.

Se as crianças são um motivo para as pessoas entrarem no paraíso, certamente elas estarão lá também.

Em relação aos filhos de não-muçulmanos, eles também entrarão no Paraíso. An-Nawawi disse que esta é a opinião dos estudiosos.

Allah diz: “Jamais castigamos (um povo), sem antes termos enviado um mensageiro” (Alcorão 17:15).

Khansaa, filha de Mu'awiyah Ibn Sarim relatou que sua tia perguntou para o Profeta (SAW) quem estaria no Paraíso e ele (SAW) respondeu: “Os Profetas, os mártires e os bebês estarão no Paraíso”.

 

O interrogatório no túmulo

 

Ahl Al-Sunnah wa Al-Jama'ah concordam que a pessoa será interrogada após a sua morte, independente se foi enterrada ou não. Mesmo se uma pessoa foi comida por animais carnívoros ou foi queimada e transformada em cinzas e jogada para o ar ou se afogou no mar, será questionada sobre seus atos, recompensada pelos bons atos e castigada pelos maus atos. O corpo e a alma juntos serão recompensados ou castigados.

Ibn Al-Qaiyim disse que todos os sábios muçulmanos dizem que, após a morte, o corpo e a alma da pessoa estarão em deleite ou em punição. Quando a alma se separa do corpo, ela fica em deleite ou em punição, às vezes, a alma se une ao corpo e ambos recebem a alegria ou o castigo. No Dia da Ressurreição, as almas serão devolvidas aos corpos e as pessoas sairão dos seus túmulos para se apresentarem diante do Senhor dos mundos, muçulmanos, cristãos, judeus e todos acreditaram na ressurreição do corpo.

Ahmad disse que a punição no túmulo é uma realidade e aquele que nega isso é um equivocado e quer confundir os outros.

Hanbal disse que perguntou a Abu Abdallah sobre a punição no túmulo e ele disse que os hadiths do Profeta (SAW) afirmam isso e Allah diz: “Aceitai, pois, o que vos der o Mensageiro” (Alcorão 59:7). Perguntou-lhe se o castigo do túmulo é uma realidade e ele disse que sim, que é uma realidade. As pessoas são punidas em seus túmulos. Nós acreditamos no castigo da sepultura, em Munkar e Nakir (os dois anjos interrogadores) e que o falecido será interrogado em seu túmulo. Allah diz: “Deus afirmará aos fiéis com a palavra firme da vida terrena tão bem como na outra vida” (Alcorão 14:27), ou seja, na sepultura.

Ahmad Ibn Al-Qasim disse que perguntou a Abu Abdallah se ele acreditava em Munkar e Nakir e no castigo do túmulo e ele respondeu: Glórificado seja Allah! Sim, nós confirmamos e declaramos isso.

Al-Hafiz no livro Al-Fath disse que Ahmad Ibn Hazm e Ibn Hubairah dizem que somente a alma será interrogada e ela não retornará ao corpo.

A maioria dos sábios não concorda com eles e dizem que a alma é devolvida ao corpo ou a uma parte do corpo e isso é confirmado pelo hadith. Se o castigo fosse dirigido somente para a alma, não haveria preocupação com o corpo.

Aqueles que defendem que o interrogatório será dirigido apenas para a alma dizem que, se alguém examinar o corpo na sepultura, no momento ou depois do interrogatório, não vai notar nenhum traço de que o falicido foi mexido ou de que o túmulo ficou estreito ou espaçoso. Semelhante ao caso da pessoa crucificada e que não foi enterrada.

A essas pessoas, podemos responder, que o caso da pessoa morta é semelhante ao caso de uma pessoa que está dormindo. A pessoa quando está dormindo, sente o prazer e a dor no seus sonhos, mas a pessoa que está ao seu lado não pode notar nada do que está acontecendo.

Obviamente Allah não concedeu a capacidade para ser humano de ver, ouvir ou perceber o que acontece com o falecido no túmulo.

A maioria dos sábios disse que há varios hadiths a este respeito, por exemplo:

O Profeta (SAW) disse: “O defunto ouve os passos do cortejo fúnebre se distanciando dele”. Também: “As costelas são alteradas por causa do estreitamento da sepultura”, “Ele grita ao ser martelado pelos anjos”, “Ele apanha entre as orelhas” e “Eles (os dois anjos) o levam a sentar-se”.<--PAGEBREAK-->

Todos estes hadith referem-se a várias condições corporais.

Vamos citar aqui alguns hadiths sobre este assunto:

1-Zaid Ibn Thabit disse que estava com o Profeta (SAW) no jardim de Banu An-Najjar, montado em sua mula, quando de repente sua mula foi bruscamente por uma rota diferente e quase lhe jogou no chão. Haviam quatro, cinco ou seis túmulos neste lugar e o Profeta (SAW) perguntou: “Quem sabe de quem são esses túmulos?” Um homem disse que sabia e o Profeta (SAW) perguntou quando haviam morrido. O homem respondeu que havia sido na época da idolatria, então o Profeta (SAW) disse: “Esta nação será submetida à prova do túmulo e se não fosse meu temor de que vocês não enterrassem vossos mortos devido ao pavor, pediria a Allah para que os fizesse ouvir o que eu posso ouvir do tormento do túmulo”. Então, virou-se para os companheiros e disse: “Procurai refúgio em Allah do castigo do inferno”. Eles responderam: Nós buscamos refúgio em Allah do castigo do inferno. O Profeta (SAW) disse: “Procurai refúgio em Allah do castigo do túmulo”. Eles responderam: Nós buscamos refúgio em Allah do castigo do túmulo. O Profeta (SAW) continuou: “Procurai refúgio em Allah das tentações visíveis e invisíveis”. Eles responderam: Nós buscamos refúgio em Allah das tentações visíveis e invisíveis. Então, o Mensageiro de Deus (SAW) acrescentou: “Procurai refúgio em Allah da aflição maldosa do Ad-Dajjal”. E eles responderam: Nós buscamos refúgio em Allah da aflição maldosa do Ad-Dajjal .

 

2-Anas Ibn Malik relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quando o falecido é colocado no seu túmulo e seus companheiros retornam , ele escuta seus passos indo embora. Então, dois anjos vêm até ele e lhe fazem sentar e perguntam: O que dizes sobre este homem (Muhammad)? O crente dirá: Eu testemunho que ele é servo de Allah e Seu Mensageiro. Então uma porta para o inferno será aberta para ele e será dito: Esse seria o seu lugar se você tivesse descrido em seu Senhor, mas como você era um crente, este é o seu lugar!” O Profeta (SAW) acrescentou: “O falecido verá ambos os seus lugares. Quanto ao incredulo ou hipócrita, ele dirá aos anjos: Eu não sei, mas eu costumava dizer o que o as pessoas costumavam dizer! Os dois anjos lhe dirão: Você nem sabia e nem procurou a orientação de quem sabe. Então ele será golpeado com um martelo e todas as criaturas escutarão o seu grito exceto os gênios e os humanos”.

 

3-Al-Baraa Ibn Azib relatou que o Profeta (SAW) disse: “Quando o muçulmano é interrogado no túmulo, ele dirá: Eu testemunho que não há divindade além de Allah e Muhammad é Seu mensageiro”.

Allah diz: “Deus afirmará os fiéis com a palavra firme da vida terrena, tão bem como na outra vida” (Alcorão 14:27).

 

4-Ahmad e Abu Hatim relataram que o Profeta (SAW) disse: “O defunto ouve os passos do cortejo fúnebre se distanciando dele após o enterro. Se ele for um crente, suas orações ficarão em cima de sua cabeça, seu jejum a sua direita, o zakah a sua esquerda e as boas ações tais como a honestidade, as boas relações com os parentes, o bom trato com as pessoas e outras, ficarão nos seus pés. Os anjos tentarão se aproximar dele por sua cabeça e a oração lhes dirá: Vocês não podem passar por aqui. Depois tentarão pelo lado direito e o jejum dirá: Vocês não podem passar por aqui. Depois tentarão pelo lado esquerdo e o zakat dirá: Vocês não podem passar por aqui. Finalmente tentarão passar pelos pés e suas boas ações dirão: Vocês não podem passar por aqui. Então perto do horário do maghrib lhe será dito: Sente-se. Ele sentará e lhe será perguntado: Quem é esse homem (Muhammad) que estava entre vocês? e o morto dirá: Deixem-me rezar! Eles responderão: Lhe é permitido rezar, mas primeiro deves responder a nossa pergunta! Ele dirá: O que foi que vocês me perguntaram? E eles dirão: O que você dizia acerca deste homem que estava entre vós? Qual é o vosso testemunho acerca dele? Ele responderá: Dou testemunho de que ele é o Mensageiro de Allah e que trouxe a verdade provinda de Allah. Então lhe será dito: Sobre essa crença viveste, com ela morreste e com ela serás ressuscitado inshá Allah. Então uma das portas do Paraíso será aberta e lhe será dito: Este é o teu lugar e isto é o que Allah preparou no Paraíso para ti. Sua felicidade e alegria aumentarão, então uma das portas do inferno é aberta e lhe será dito: Este seria o teu lugar e isto é o que Allah tinha preparado para ti se tu tivesses Lhe desobedecido, e sua felicidade e alegria aumentarão ainda mais. Seu túmulo se expandirá e será iluminado, o seu corpo será restaurado em sua forma original e sua alma colocada em an-Nassim At-Taiyeb que é um pássaro que pousa em uma árvore do Paraíso.

O Profeta (SAW) acrescentou: “Esse é o significado do versículo: Deus afirmará aos fiéis com a palavra firme da vida terrena, tão bem como na outra vida” (Alcorão 14:27).

Ele (SAW) também mencionou o incrédulo e disse: “Sua sepultura será estreitada, de modo que suas costelas serão esmagadas. Isso é o significado do versiculo: Levará uma mísera vida e, cego, congregá-lo-emos no Dia da Ressurreição” (Alcorão 20:124).<--PAGEBREAK-->

 

5-Samurah Ibn Jundub disse que quando o Profeta (SAW) terminava a oração, costumava ficar na sua frente e perguntar quem havia tido um sonho à noite e quem tivesse tido um sonho, o Profeta o interpretava e dizia acerca dele o que Allah lhe inspirava que dissesse. Um dia ele os perguntou e disseram que não, então ele disse: “Mas eu tive. Vi que dois homens vieram até mim, me pegaram pelas mãos me levaram até a Terra Santa. Havia um homem sentado e outro de pé com um gancho de metal em sua mão a qual colocava em sua boca e rasgava o seu rosto até a parte de trás de sua cabeça. Depois seu rosto era restaurado e isso se repetia mais e mais vezes. Eu perguntava o que era aquilo e eles diziam: Continue. Continuamos até encontrar um homem deitado e outro parado com uma rocha na mão com a qual emplastava a sua cabeça e depois que ele golpeava, a pedra rodava longe e ele ia buscar correndo. Quando a trazia de volta, a cabeça do castigado já havia voltado a normalidade e o homem voltava a golpea-la. Eu perguntava o que era aquilo e eles me diziam: Continue. Continuamos caminhando até que chegamos a um local onde havia algo parecido a um forno, que era estreito na parte superior e amplo na parte inferior, debaixo do qual ascendia fogo. Quando o fogo chegava perto do forno, o que estava dentro dele subia até quase transbordar e quando se extinguia o fogo voltava ao seu interior. Dentro dele haviam homens e mulheres nus. Eu perguntava o que era aquilo e eles diziam: Continue. Continuamos até que chegamos a um rio de sangue e nele havia um homem de pé caminhando até a beira do rio tentando sair, onde havia um outro homem junto a uma pilha de pedras. Quando estava por sair o homem que estava com a pilha de pedras lhe arremessava uma em sua boca fazendo-o retroceder até sua posição original e cada vez que ele tentava sair recebia uma pedrada. Eu perguntava o que era aquilo e eles diziam: Continue. Continuamos até que chegamos a um jardim verde no qual havia uma grande árvore e a seus pés se encontrava um senhor e um grupo de crianças. Na frente da árvore havia um homem ascendendo um fogo. Levaram-me até a parte superior da árvore e nela havia uma casa, e nunca havia visto casa mais bela que essa, nela havia anciões, gente jovem, mulheres e crianças. Então me levaram fora da casa e subimos mais ainda na arvore até outra casa que era mais bela ainda que a anterior e nela havia anciões e jovens. Eu disse: Vocês me levaram de lugar em lugar, informem-me acerca das coisas que vi. Eles disseram: Sim, assim faremos. Aquele que viste sua boca sendo rasgada era um mentiroso que costumava dizer mentiras que se difundiam extensamente. O que você viu será feito até o dia da ressurreição. Aquele cuja cabeça viste sendo emplastada era um homem a quem Allah lhe ensinou o Alcorão, mas que o ignorava durante a noite e não agia conforme ele durante o dia. O que você viu será feito até o dia da ressurreição. Aqueles que viste no forno são os fornicadores e aquele que viste no rio era um homem que praticava a usura. O senhor que se encontrava nos pés da arvore era Ibrahim (AS) e as crianças ao seu redor são os filhos da humanidade que morreram durante a infância. O que ascendia o fogo era Malik, o Guardião do Inferno. A primeira casa em que você entrou era a casa dos crentes em geral e a segunda casa é a casa dos mártires. Eu sou Gabriel e este é Miguel. Levante sua cabeça! Levantei minha cabeça e vi algo acima de mim que parecia uma nuvem. Eles disseram: Essa é sua casa. Eu disse: Deixe-me entrar nela. Eles disseram: Ainda não completaste tua vida na terra, quando tiveres completado verás a sua casa”.

 

6-Ibn Massud relatou que o Profeta (SAW) disse: “Uma pessoa foi condenada a cem açoites em sua sepultura e ele continuamente pediu a Allah para diminuir sua punição, até que Allah a reduziu para apenas um açoite. Em seguida, o seu túmulo foi totalmente preenchido pelo fogo. Quando o fogo foi removido, ele recuperou a consciência e perguntou: Por que vocês estão me catigando? Os anjos lhe disseram: Você ofereceu uma oração sem fazer a purificação, passou por uma pessoa oprimida e não a ajudou”.

 

7-Anas disse que certa vez, o Profeta (SAW) ouviu uma voz saindo de um túmulo e ele perguntou quando aquela pessoa havia morrido. As pessoas disseram que tida sido na época da idolatria. Então o Profeta (SAW) ficou satisfeito e disse: “Se não fosse meu temor de que vocês não enterrassem vossos mortos devido ao pavor, pediria a Allah para que os fizesse ouvir o que eu posso ouvir do tormento do túmulo”.

 

8-Abdallah Ibn Omar relatou que o Profeta (SAW) disse: “Este (Saad Ibn Muazh) cuja morte estremeceu o Trono, para quem as portas do céu foram abertas e cujo funeral foi assistido por 70.000 anjos, foi apertado apenas uma vez para logo ser liberado”.

 

A Morada das Almas

 

A alma passa por quatro moradas e cada morada é maior do que a anterior.

A primeira morada da alma é o útero da mãe.

A segunda morada é a terra, onde ela cresce, faz o bem e o mal e acumula boas obras para ser recompensada ou más obras para ser punida.

A terceira morada é Al-Barzakh, que é maior do que a morada anterior na terra.

A quarta morada é a morada da eternidade, o Paraíso ou o Inferno. Depois dessa, não há nenhuma outra morada.

Ibn Al-Qayyim tratou desse assunto em um capítulo e citou opiniões de vários sábios sobre a morada das almas. Ele disse que a morada das almas no Barzakh variam consideravelmente:

 

1-Almas que estarão nos mais altos escalões do céu: São as almas dos profetas e que também serão colocadas em diferentes escalões como foi visto pelo Profeta (SAW) durante a noite do Isra’a.

 

2-Almas que estarão em forma de pássaros verdes que vagam livremente pelo Paraíso: São as almas de alguns mártires, mas não todos eles, pois há almas de alguns mártires que são impedidas de entrar Paraíso por causa de uma dívida ou alguma outra coisa semelhante.

Muhammad Ibn Abdallah Ibn Jahch disse que um homem veio até o Profeta (SAW) e perguntou o que teria se morresse pela causa de Allah e o Profeta (SAW) respondeu que teria o Paraíso, mas quando o homem se levantou para ir, o Profeta (SAW) acrescentou: “A menos que você tenha alguma dívida para pagar. Gabriel me informou isso agora”.

 

3-Almas que estarão paradas na frente do portão do Paraíso: De acordo com o hadith: Eu vi o vosso companheiro parado no portão do Paraíso.

 

4-Almas que estarão trancadas no túmulo: De acordo com o hadith sobre o mártir que havia roubado uma capa dos despojos da guerra, quando foi morto, as pessoas disseram que ele estaria feliz no Paraíso e o Profeta (SAW) disse: “Por Allah, a capa que ele roubou foi trasformada em fogo sobre no seu túmulo”.

 

5-Almas as quais terão a sua morada no portão de entrada no Paraíso: Ibn Abbas relatou que o Profeta (SAW) disse: “A morada dos mártires é uma cúpula verde, na beira de um rio brilhante, perto do portão do Paraíso. Seus alimentos vêm do Paraíso, de manhã e à noite”. Isto não se aplica a Jaafar Ibn Abi Talib, cujas mãos foram transformados em asas e com elas ele voa para onde deseja no Paraíso.

 

6-Almas que permanecerão confinadas à terra, pois elas não podem subir para o céu: Na verdade, essas almas terrenas não se misturam com as almas celestes, assim como elas não se misturavam durante a permanência na terra.

A alma terrena é aquela que não reconheceu o seu Senhor, não O amou, não O recordou para se aproximar d’Ele durante a sua permanência na terra. Por isso ela será separada de seu corpo e deixada na terra.

A alma celeste é aquela que se apegou ao amor de Allah, fazendo recordações para se aproximar d’Ele durante a sua permanência na terra. Após a separação do seu corpo, essa alma será levada ao céu para se juntar a outras almas semelhantes a ela, pois a pessoa estará junto a quem ela ama.

 

7-Algumas almas serão jogadas em um forno junto com os fornicadores e as prostitutas e outras almas estarão flutuando em um rio de sangue: As almas não compartilham a mesma morada, pois algumas estarão nos mais altos escalões do céu e autras estarão nos mais baixos escalões da terra.

 

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